Os campeonatos nacionais vão agora de férias para que as seleções possam cumprir os seus compromissos internacionais. As surpresas nos pódios acontecem por toda a Europa e Inglaterra não é exceção.

O Liverpool vai para este descanso em primeiro lugar, com mais um ponto que o segundo classificado, o Chelsea de Conte. Os reds não são propriamente uma surpresa. Devido ao seu enorme historial, o clube agora comandado por Jürgen Klopp será sempre candidato a levar o troféu de campeão nacional no final na da época. Mas esta liderança isolada torna-se especial por uma razão: este cenário não se verificava há 14 anos.

De facto, temos de recuar até 2002/03 para encontrarmos um Liverpool líder isolado à 11ª jornada. Na altura, a equipa da cidade dos Beatles liderava sozinha o campeonato inglês com 27 pontos, mais 4 que o segundo classificado, o Arsenal de Arsène Wenger. Uma época que, como muitas da história recente da Premier League, viria a acabar com Alex Ferguson e o "seu" Manchester United a levarem o ‘caneco’ para Old Trafford.

Mas isso não nos pode deixar de fazer a pergunta, provavelmente uma das mais repetidas neste início de época "futeboleiro": será este o ano do Liverpool?

Em 2002/03, os Reds, então comandados pelo francês Gérard Houllier, acabaram por terminar o campeonato no 5.º lugar da tabela. De facto, o último campeonato ganho pelo Liverpool foi na época de 1989/90, numa altura em que a atual Premier League se chamava Division One. Na altura a equipa era comandada pelo escocês Kenny Dalglish (que viria a voltar a treinar o clube alguns anos mais tarde) e contava nas suas fileiras com jogadores como Ian Rush, John Barnes e Peter Beardsley.

E agora, o que mudou?

Quando chegou para assinar pelos Reds na época de 2012/2013, pensava-se que Brendan Rodgers, antigo membro do staff de José Mourinho no Chelsea, seria o messias que finalmente chegara para adornar o palmarés do histórico Liverpool. Contudo, o trágico final de época 2013/14, em que o Liverpool perdeu o campeonato nas últimas jornadas para o Manchester City de Pellegrini, precipitou o declínio de Rodgers, que nunca mais se conseguiu levantar. Acabou despedido e para o seu lugar chegou um alemão que muitos consideram louco.

Jürgen Klopp é um homem com legado no futebol alemão. Ao serviço do Mainz e do Borussia de Dortmund - com o qual viria também a traçar uma história europeia, ao ter alcançado a final da Liga dos Campeões, que veio depois a perder frente ao Bayern de Munique -, o alemão trouxe consigo princípios bem definidos que pretendia implementar no histórico clube inglês: entrega ao jogo e uma relação de proximidade com os jogadores. E talvez fosse precisamente isso que o Liverpool precisava.

Contudo, o efeito não foi logo evidente. Klopp chegou a meio da época passada e não teve oportunidade de atacar o mercado de transferências para moldar a equipa ao seu estilo de jogo. Acabou a temporada em 8.º lugar e com duas derrotas em duas finais: uma na Liga Europa, diante do Sevilha e outra frente ao City na Taça da Liga. Mas a mágoa pelas derrotas parece ter sido de pouca dura e a não qualificação para uma competição europeia pode vir a ser o segredo para o sucesso desta época.

Com um plantel jovem e à sua medida, uma ideia de jogo instalada e uma raça e entrega que têm feito a diferença em grande partes dos jogos, os adeptos sentem que Klopp é o escolhido para devolver a glória ao histórico clube inglês. Este já é um dos melhores arranques da década, o entusiasmo é nítido e a relação do alemão com os adeptos é fantástica. A partir daqui só há uma certeza: He’ll Never Walk Alone.

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