No Estádio Olímpico de Tóquio, há 38 anos, foi o ‘10’ do Flamengo a fazer a diferença, como em tantos outros jogos do clube do Rio de Janeiro, numa vitória sobre o Liverpool, por 3-0, até hoje a maior de uma equipa sul-americana frente a uma europeia em jogos da Intercontinental ou do Mundial de Clubes.

Agora, com o Mundial à porta para a equipa de Jorge Jesus, e uma possível final em perspetiva com o Liverpool, o antigo defesa-central, uma das ‘estrelas’ do emblema ‘rubronegro’ no início da década de 1980, antes de rumar ao Benfica, pede aos quatro homens da frente que “façam a diferença”.

“São jogadores extremamente importantes, o Everton Ribeiro e o De Arrascaeta, que têm esse papel mais técnico e individual, de fazer um bom passe e de partir para o drible, e depois dois jogadores extremamente perigosos, o Gabriel Barbosa e o Bruno Henrique”, comentou à Lusa.

Ainda assim, nenhum próximo de Zico, até porque o antigo colega de sete anos do ‘astro’ brasileiro recorda como este “sempre fez a diferença, e por isso é que é o rei da nação ‘rubronegra’”.

“Era um jogador, companheiro e capitão excecional, e um homem exemplar”, acrescenta.

Em 13 de dezembro de 1981, Zico mostrou a classe nos três golos, mas Mozer esteve nas jogadas do primeiro e do terceiro: a abrir o marcador, Nunes deu de calcanhar para o defesa, que deixou no ‘10’, antes de este isolar o avançado com um passe longo.

Mais tarde, Nunes, que viria a jogar no Boavista em 1986/87 (nove jogos, quatro golos), voltou a finalizar após novo toque de classe do médio ofensivo, mas é um corte de Mozer que faz arrancar a jogada, já depois de um livre de Zico dar origem ao 2-0, com Adílio a ‘faturar’ no ressalto, tudo em 41 minutos.

“Como única informação, sabíamos que o Liverpool era a melhor equipa da Europa. Naquele período, tinham dominado a Europa por alguns anos. Tínhamos uma equipa que ‘sobrava’ no Brasil. (...) Começámos a fazer o nosso jogo, a circular bem a bola, e marcámos muito cedo”, recordou.

Mozer, que ao seu lado na defesa tinha outro ‘vulto’ do futebol brasileiro, Júnior, vê essa vitória como estando ancorada “na qualidade técnica” do plantel e no trabalho do coletivo, que “tornou uma batalha difícil numa facilidade muito grande”, e espera que o mesmo pode acontecer em caso de nova final entre os dois emblemas.

Em 1981, depois da Libertadores, a festa “foi bonita, muito diferente” da que ocorreu com a formação de Jorge Jesus, devido à Internet, mas Mozer pede “competitividade, concentração”, trabalho coletivo para conseguir enfrentar “a grande dificuldade” no caso de chegar à final.

“Não será fácil deparar-se com Firmino, Salah, Mané ou Wijnaldum, jogadores de nível elevadíssimo. (...) No futebol, tudo é possível, e já tivemos provas e provas e provas de situações em que as perspetivas eram para um lado e depois no jogo é diferente, sobretudo quando se é bem treinado e tem qualidade, como é o caso do Flamengo”, atirou.

Este Flamengo, diz o antigo defesa, agora com 59 anos, conseguiu “uma vitória esmagadora” no campeonato brasileiro, graças a um “desempenho extraordinário depois da chegada de Jorge Jesus”.

A vinda do técnico, referiu, trouxe maior dedicação e trabalho coletivo ao plantel e levou a um “futebol muito superior a todos os outros clubes”, enquanto na Taça Libertadores conseguiu triunfar após “uma final muito dramática”.

Nesse jogo, frente ao então campeão em título River Plate, o ‘Mengão’ encontrou “uma equipa ao seu nível” e só um ‘bis’ de Gabriel Barbosa, nos últimos minutos, permitiu vencer a partida (2-1).

No caso de ultrapassar as meias-finais, poderá depois encontrar, na final, um Liverpool que está num “patamar diferente de competitividade habitual”.

“Na final com o River Plate, o Flamengo sofreu algumas dificuldades. Imagina agora com um Liverpool...”, atentou.

Mesmo com a qualidade de treino “semelhante ao que se trabalha na Europa com a chegada de Jesus”, os jogadores precisam de entender que “a concentração, o espírito coletivo, a redução de espaços têm de estar inerentes até ao final do jogo, porque a qualquer momento que se cometa um erro, é uma oportunidade que pode ‘matar’ o jogo”.

Sobre a permanência do técnico luso no clube, Mozer explica que apenas o próprio pode decidir, mas alerta que este tem “a aprovação de mais de 46 milhões de ‘torcedores’” e que vários jogadores já lhe pediram para continuar.

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