Foi no Rio de Janeiro onde o futebol voltou primeiro, com o retorno do Campeonato Carioca, a 18 de junho. Mas, enquanto o Flamengo fez força para que o futebol regressasse ao ativo, clubes como o Botafogo e o Fluminense voltaram a jogar contrariados, inclusive com protestos dentro de campo por parte dos jogadores. A desorganização é tal que vários jogos foram adiados pois os governos do Estado e do Município não chegaram a acordo.

Mas a bola rolou e o Flamengo pode ser campeão antecipadamente e ficar mais um mês parado até o início do Brasileirão.  Com os clubes pequenos remendados — tendo de fazer contratos à pressa com jogadores que tinham vínculos até apenas abril —, e com os demais clubes grandes com menos tempo de treino e em situações financeiras caóticas, o clube rubro-negro tem jogado folgamente e, se vencer a segunda fase, será campeão sem precisar disputar as finais.

O torneio é dividido em dois grupos de seis equipas e estas disputam duas fases. Na primeira, a chamada Taça Guanabara, as equipas de cada grupo jogam entre si, sendo que 0s melhores de cada grupo disputam entre si meias-finais e finais. Quem ganhou esta primeira fase foi, justamente, o Flamengo.

Depois, na segunda fase, a Taça Rio, as equipas jogam contra todos os clubes do grupo oposto e também fazem meias-finais e finais. Se cada uma destas fases tiver um campeão diferente, há nova final entre os dois campeões da mesma fase, mas se for o mesmo vencedor, o jogo não é necessário.

Assim, o Flamengo continuará em vantagem também no cenário nacional. Os seus rivais espalhados pelo Brasil voltaram, na sua maioria, recentemente aos treinos. Os clubes de São Paulo só voltaram oficialmente neste dia 1 e ainda terão 30 dias de treino do reinício dos seus campeonatos estaduais, que ainda precisam de, pelo menos, cinco jogos para terminar.

Este o ponto de conflito entre clubes e a Confederação Brasileira de Futebol, uma vez que as finais dos estaduais aconteceriam ao mesmo tempo que as primeiras rondas do torneio nacional.

Porém, num país onde tudo está a voltar a funcionar, não faria sentido manter o futebol parado, acumulando a pressão económica que os clubes sentem pela pausa. No entanto, para os críticos do retorno do futebol, o Brasil, ainda longe de conseguir controlar os novos casos de covid-19, não tem condições seguras de reabrir atividades comerciais e desportivas.

Com uma proporção baixa de testes e números que não param de subir, a crise no Brasil está longe de um desfecho. É de se imaginar, portanto, que os cuidados em turno dos clubes e dos jogos seja redobrado, certo? Pelo menos não é o que acha o prefeito do Rio de Janeiro, que pretende permitir público nos estádios, com 1/3 de capacidade, já a partir de 10 de Julho. É à contramão do que se tem feito nos principais campeonatos do mundo. Mas, sendo uma decisão isolada do Rio de Janeiro, não deve entrar em prática a nível nacional.

Resumindo, o Brasileirão acontecerá, em princípio, de agosto a fevereiro. Ainda não temos certeza das datas. Teremos clubes com um mês a mais de preparação do que outros. Talvez tenhamos público apenas em jogos de alguns clubes. Não se sabe, ao certo, como isolar e proteger os jogadores por tanto tempo e num país continental. Há problemas com os contratos de televisão.

Por outro lado, que saudade tínhamos de tudo isto! É uma bagunça, mas teremos Brasileirão! Ainda bem!

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