A jovem algarvia, de 23 anos, que tinha 'caído' na primeira ronda, impôs-se na segunda eliminatória, ao conquistar 12,23 pontos (6,13 e 6,1), assegurando um lugar na disputa pela presença nos quartos de final, tal como a francesa Pauline Ado (9,66) e a peruana Sofia Mulanovich (9,36).

A israelita Anat Lelior (8,93) e a peruana Daniella Rosas (8,14) foram as duas surfistas eliminadas nesta fase, juntando-se à costa-riquenha Leilani McGonagle e à equatoriana Dominic Barona, que já tinham sido afastadas na bateria anterior.

Bonvalot, que hoje se qualificou para a terceira ronda, vai disputar o acesso aos quartos de final, e à obtenção de um diploma olímpico, frente à veterana brasileira Silvana Lima, de 36 anos e vice-campeã do mundo em 2008 e 2009, no sexto 'heat' da terceira ronda, previsto para segunda-feira, às 10:00 locais (02:00 em Lisboa).

Já Yolanda Sequeira Hopkins, vice-campeã dos Jogos Mundiais de surf, ainda aguarda adversária nessa fase.

"O que se passou aqui hoje foi histórico"

O presidente da Federação Portuguesa de Surf (FPS), João Aranha, encarou hoje a estreia do surf no programa de Jogos Olímpicos, em Tóquio2020, como um dia histórico.

“O que se passou aqui hoje foi histórico. Quando tocou a buzina [que marca o arranque das baterias], todos ficámos arrepiados. Estarmos envolvidos no maior evento do mundo dá outra dimensão ao surf e também outra responsabilidade”, afirmou o dirigente, em declarações à agência Lusa.

O presidente da FPS esteve presente na praia de Tsurigasaki, em Chiba, na estreia olímpica da modalidade, primeiro com a competição masculina, desfalcada de Frederico Morais, e depois com a feminina, com Teresa Bonvalot e Yolanda Sequeira Hopkins, que se qualificaram para a terceira ronda.

“Eu espero tudo! Eu espero que cheguem à luta pelas medalhas e as conquistem”, frisou João Aranha.

O dirigente, que com as duas surfistas e o selecionador David Raimundo, compõe a delegação do surf nacional aos Jogos, recordou o que ambas conseguiram nos Jogos Mundiais, em junho, quando asseguraram a qualificação olímpica.

“Em El Salvador, foram da primeira bateria à final sem perder, quase sempre juntas, o que muitas vezes é difícil. Proporcionaram a Portugal um orgulho incrível, com o segundo e o terceiro lugares do mundo. Aqui, não espero menos do que isso, apesar de a concorrência ser muito forte, com quase todas as campeãs do mundo, mas não deixam de ter uma qualidade incrível para ‘dar cartas'”, advertiu.

Menos positiva foi desistência forçada de Frederico Morais, que tinha assegurado a presença de Portugal na prova masculina em 2019, devido à infeção pelo novo coronavírus, anunciada na sexta-feira, véspera do arranque competitivo dos Jogos.

“Tudo fizemos para que o ‘Kikas’ pudesse vir, com o apoio do Comité Olímpico de Portugal (COP), ao qual temos de agradecer imenso todo o apoio, do primeiro ao último minuto. Infelizmente, não pôde vir, por vicissitudes da vida. Foi um golpe duro na nossa seleção, porque tínhamos três atletas em quatro possíveis e o Vasco [Ribeiro] ficou a um ‘heat’ de se qualificar”, explicou.

João Aranha reconheceu que a situação “destroçou” Frederico Morais, enaltecendo o seu espírito competitivo para voltar à competição.

“Nem quero imaginar, foi algo que o destroçou, mas ele é um atleta fortíssimo e vai continuar a dar-nos alegrias. Já está com as ‘unhas de fora’ para ir a Paris2024. Só podemos esperar que continue a obter, cada vez, melhores resultados, porque é o nosso principal embaixador atualmente”, elogiou, ambic

Frederico Morais foi substituído no alinhamento da prova pelo costa-riquenho Carlos Muñoz, que, face às restrições impostas à entrada de estrangeiros no Japão, falhou o primeiro dia de competição e foi eliminado.

“Admitíamos, COP e a FPS, até que ele chegasse de véspera. Mas, por exemplo, o Carlos Muñoz não conseguiu sequer cá chegar, ainda está em viagem”, lamentou.

Instado a antever o próximo ciclo olímpico, de três anos, até Paris2024, Aranha disse acreditar na manutenção da base da seleção, com Frederico Morais, Vasco Ribeiro, Teresa Bonvalot e Yolanda Sequeira, ambicionando que comecem a ter mais concorrência: “Espero que os mais novos comecem a ‘morder os calcanhares’ dos mais velhos”.

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