Nem mesmo os adjuntos de Jorge Jesus sabem o que passa na sua cabeça, é o que dizem os jornalistas no Brasil com acesso mais próximo ao clube. Jesus avalia as suas opções sozinho e esse longo silêncio está a começar a incomodar no clube rubro-negro.

A verdade é que muita coisa mudou desde que JJ reafirmou o seu plano de ficar no Flamengo e no Brasil. O país continua no auge da crise causada pelo novo coronavírus e não parece dar sinais de saber como recuperar. Se a vida no Rio o seduzia e a facilidade de visitar os seus familiares ajudava a mantê-lo feliz no Brasil, tudo se complicou com a pandemia e as restrições de viagens. Neste cenário, é até compreensivo que um estrangeiro com mais de 60 anos não queira ficar no Brasil.

Por outro lado, cabe aos seus chefes no Flamengo impor limites de até quando o treinador pode manter esta especulação acesa. É normal receber propostas de outros empregadores e até considerá-las, mas esta novela está a arrastar-se a ponto de visivelmente interferir no desempenho da equipa em campo e a direção do Flamengo devia exigir uma postura mais clara a Jorge Jesus. Se está a considerar aceitar a proposta dos encarnados, o clube precisa planear a sua substituição. Se não está, deve demonstrar claramente a sua vontade de ficar para por fim às especulações.

A comunicação social portuguesa tem noticiado que o Benfica acena com um salário megalómano e um orçamento de transferências alto para renovar o plantel e fala-se do interesse em trazer três jogadores do Flamengo com ele. Mas, no mundo real, a única coisa que sabemos é que o clube pediu para parcelar o pagamento ao Corinthians por Pedrinho.

Ninguém, nem mesmo o Benfica após recordes de venda na última temporada, está livre do impacto económico da pandemia. Será que há tanto dinheiro assim? A cortina de fumo criada com o possível retorno de Jesus é cómoda para um Benfica em crise, em campo e fora dele, e os media portugueses distraem-se com esta novela à brasileira.

Para piorar, os tabloides têm especulado fatores de cunho pessoal para motivar a saída de JJ do Brasil. O silêncio e especulações afetam também a sua família. Já passou da hora de Jesus se manifestar. Se continuar sem nada dizer, corre o risco de manchar a sua imagem com a massa flamenguista e tornar-se outro personagem bíblico, Judas.

Em campo, um Flamengo surpreso pela dificuldade nos jogos com o Fluminense, criada talvez pela apatia de um clube que sente falta dos seus adeptos e da concentração do seu líder. Hoje, às 21:00 em Brasília (01:00 de 16 de julho, em Lisboa), o Flamengo decide o título Carioca no derradeiro jogo da final e Jesus deve anunciar o seu destino após esta partida. Pode ser o adeus de uma passagem brilhante, mas mais curta do que torciam aqueles que esperavam ver um legado mais efetivo deixado pelo treinador português.

De qualquer forma, JJ fez história no Flamengo. Abriu os olhos do adepto e da imprensa para a diferença do nível técnico entre os melhores da Europa e os locais. Se sair agora, Veio, Viu, Venceu e "Vazou".

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