O luso recebeu a medalha, que exibiu perante um estádio quase vazio, apenas com jornalistas e oficiais acreditados, antes de cantar o hino enquanto a bandeira de Portugal era erguida no Estádio Nacional de Tóquio.

“Foi um momento muito bom, muito feliz”, resumiu o atleta aos jornalistas presentes, após a cerimónia em que o hino nacional se fez ouvir pela quinta vez em Jogos.

Para o agora campeão olímpico, “quando se ouve o hino é porque se ganha”, razão pela qual, embora tivesse dito antes que não era “muito emotivo”, tenha vivido o momento com “um bocado mais de emoção”.

O ouro, disse ainda, “é a única maneira de agradecer a Portugal”, país pelo qual se naturalizou após a saída de Cuba.

O pai e treinador, Jorge Pichardo, é também ele um homem “pouco emotivo”, e admitiu que a dupla tem trabalhado “desde 2019 para quebrar o recorde do mundo”, do britânico Jonathan Edwards, cifrado em 18,29 metros.

“A estratégia que traçámos era a de quebrar [pelo menos] o recorde olímpico. Hoje, tinha dores na perna direita e não conseguiu. Mas, esperamos recuperar no regresso a Portugal. [Está a saltar] 18,40 e até mais. Os 18,60 eram o plano para hoje”, declarou.

De resto, esse quebrar dos recordes deve acontecer “quanto mais rápido melhor”, e espera que possa acontecer ainda esta temporada, com a final da Liga Diamante, em setembro, como próximo objetivo.

O segredo, esse, é “de família”. “Depois de se retirar, revelo tudo. Mas vou guardar para mim algum detalhe ou outro”, brincou.

Pichardo tornou-se o quinto campeão olímpico português, sucedendo a Carlos Lopes (maratona de Los Angeles1984), Rosa Mota (maratona de Seul1988), Fernanda Ribeiro (10.000 metros de Atlanta1996) e Nélson Évora (triplo salto de Pequim2008).

O atleta de 28 anos efetuou o seu melhor salto, de 17,98 metros, à terceira tentativa, e bateu o seu recorde nacional por três centímetros, impondo-se ao chinês Yaming Zhu, com 17,57, e ao burquinense Fabrice Zango, com 17,47, que conquistaram as medalhas de prata e de bronze, respetivamente.

*Com Lusa

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