A informação foi revelada pelo jornal espanhol El Confidencial, que teve acesso a áudios roubados à Federação Espanhola de Futebol (REEF), o que já motivou uma série de artigos denominados como "Supercopa Files".

Segundo o jornal, é possível ouvir Piqué a pedir ao presidente da federação espanhola, Luis Rubiales, para falar com o selecionador da equipa olímpica, Luis de la Fuente, e marcar uma reunião entre os dois.

"Tens de fazer isto por mim, Rubi, tens de o fazer acontecer. Temos de manter isto segredo e falar com o treinador. Eu vou a Madrid e sentamo-nos com ele. Temos de fazer isto de uma forma que não se saiba em lado nenhum. Temos os três de manter o segredo até ao fim, não te parece?", terá perguntado o defesa de 35 anos do FC Barcelona.

Em resposta, o líder da federação terá concordado com a sugestão do jogador, mas sem fazer promessas, frisando que a decisão final passaria por de la Fuente. "Sim, temos de manter isto segredo. Já falei com o treinador e ele sabe disso, é ele que tem de tomar as decisões e, se o quiser fazer, vamos fazê-lo. Adorava dar-te uma mãozinha", disse.

De resto, Piqué disse que não queria que esta informação fosse divulgada para impedir outros jogadores de pedir o mesmo, sendo que suspeitava que Sérgio Ramos, à época jogador e capitão do Real Madrid, também queria jogar nos Jogos Olímpicos e tinha passando informações aos media para pressionar o selecionador.

Esta tarde, Rubiales confirmou em conferência de imprensa que Piqué não foi o único jogador a falar consigo. "Eu falei com de la Fuente sobre ele e sobre outros jogadores também. Disse-lhe que alguns tinham falado comigo e que era ele que tinha de tomar a sua decisão", disse o presidente da REEF. No fim, nem Piqué nem Ramos fizeram parte do lote de convocados, sendo que os três jogadores com mais de 23 anos permitidos na equipa foram Mikel Merico, Marco Asensio e Dani Ceballos. A equipa acabaria por chegar à final, onde perdeu com o Brasil, recebendo a medalha de prata.

Este episódio junta-se ao reportado no início da semana pelo El Confidencial de que a REEF terá negociado uma comissão de 24 milhões de euros para a Kosmos, empresa de eventos desportivos de Piqué, por ajudar a organizar a Supercopa de Espanha na Arábia Saudita, colocando em cima da mesa questões de conflito de interesses.

Obtendo documentos e mensagens de áudio privadas entre Piqué e Rubiales, o jornal espanhol adiantou que a federação recebeu 40 milhões de euros por temporada por cada uma das seis edições organizadas na Arábia Saudita (total de 240 milhões de euros), enquanto que a Kosmos receberia 4 milhões de euros por temporada (total de 24 milhões de euros). Até o momento, três edições foram disputadas no país.

"Este artigo faz parte dos 'Supercopa Files', uma série de arquivos que revelam, entre outros escândalos, que Piqué teve um papel decisivo nas negociações para a realização da Supercopa na Arábia Saudita e teve ao longo desse processo um tratamento privilegiado por parte de Rubiales por motivos não esclarecidos", escreve o El Confidencial.

Horas mais tarde, Piqué convocou uma conferência de imprensa através da plataforma Twitch para defender a atuação da sua empresa. "Tudo o que fizemos é legal e não houve conflito de interesses", declarou o defesa do FC Barcelona.

"No mundo em que atuamos, uma comissão de 10% é o padrão de mercado e de acordo com o que todas as agências cobram por este tipo de gestão", defendeu o capitão blaugrana em relação à comissão que a Kosmos recebeu, descrevendo a operação como um "sucesso retumbante" para mudar o formato da Supercopa e transferi-la para fora de Espanha. "Antes de mudar o formato, recebiam-se 120 mil euros e agora são 40 milhões", afirmou.

A primeira edição da Supercopa da Espanha no território desta monarquia do Golfo ocorreu em janeiro de 2020 entre Barcelona, Real Madrid, Atlético Madrid e Valencia, e foi vencida pelo Real Madrid (0-0, 4-1 nos pénaltis, contra o Atlético de Madrid na final).

Semanas antes da primeira edição da Supercopa em território saudita, em janeiro de 2020, Rubiales já havia confirmado em conferência de imprensa que a empresa participou nas negociações com o país asiático e que a REEF não fez nenhum pagamento diretamente à Kosmos, evitando deste modo uma infração do seu código de ética.

Na última quinta-feira, a federação denunciou em comunicado que foi vítima de uma "ação criminal organizada e dirigida à posterior revelação de segredos mediante a distribuição de documentação confidencial com uma clara intenção nociva", acrescentando que "conversas em texto e áudio privadas de executivos da REEF, incluindo o presidente e o secretário-geral, Andreu Camps" foram roubadas.

Já numa declaração publicada esta terça-feira pelo jornal Marca, a REEF considerou que "as informações não trazem nada de novo ao que foi publicado em 2019. Todos os números da operação foram apresentados, explicados e ratificados pela Assembleia do Futebol". "Faz parte de uma campanha de perseguição e descrédito que já estamos acostumados", explicou um dirigente da federação, citado pelo Marca.

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