É bem conhecido que quer a Premier League, quer todas as ligas de futebol que utilizam o sistema de vídeo-árbitro assistente (VAR), têm problemas com este sistema.

Passámos de ter longas discussões sobre se o avançado estava ou não em fora-de-jogo para termos discussões sobre o tempo de espera em cada análise do VAR; o porquê do árbitro não ter sido aconselhado a ver o VAR; o facto de ser justo ou não ter sido assinalado um fora-de-jogo pelo ombro do avançado estar meio milímetro à frente do defesa; etc, etc, etc…

A discussão não parou e a polémica não só não diminuiu como parece ter aumentado, já que as razões para discutir também se avolumaram. Tudo isto parece não ter fim à vista. Mas Wenger não pensa assim e diz ter a solução para os problemas do VAR, pelo menos no que toca à polémica do fora-de-jogo.

A proposta de Wenger

A regra atual, imposta pela IFAB (Internacional Football Association Board), diz que um jogador se encontra em posição de fora-de-jogo mediante estes fatores: Quando qualquer parte da sua cabeça, corpo ou pés estiver no meio campo adversário (e isso exclui estar sobre a linha de meio campo) e mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário (penúltimo porque, regra geral, o último é o guarda-redes).

O que o ex-treinador pretende é que a lei do fora-de-jogo seja alterada para: Um jogador será considerado em posição legal se qualquer parte da sua cabeça, corpo ou pés estiver em linha ou atrás do penúltimo adversário - mesmo que qualquer outra parte do seu corpo estiver à frente. A regra continuaria a respeitar a não existência do fora-de-jogo antes da linha de meio campo.

Portanto isto significa que um jogador poderá, segundo a regra Wenger, estar fora-de-jogo (segundo a lei atual) mas desde que uma parte do seu corpo esteja ainda em linha ou atrás do penúltimo defesa, considerar-se-á que o jogador está em posição legal. Um pouco à semelhança da lei da validação de um golo, onde a bola tem de transpor na totalidade a linha de baliza para o golo ser válido, aqui, um jogador terá de ter todo o seu corpo à frente do penúltimo defesa para ser considerado em fora-de-jogo.

À primeira vista esta pequena mudança, como a intitulou o próprio Wenger, parece resolver alguns problemas, mas será mesmo uma solução viável?

Será esta a resposta aos problemas do VAR?

O objetivo da mudança da lei é, assumimos nós, tornar o jogo mais justo e mais excitante trazendo evolução à modalidade em causa. Assim sendo, analisemos as três premissas.

Tornar o jogo mais justo, foi o que o VAR veio procurar fazer. Ainda que não tenham desaparecido todas as injustiças, reduziu-se em grande número os casos de atribuição ou anulação de jogadas potencialmente perigosas e de golos irregulares. Numa análise geral, não é difícil admitir que, de forma global, o resultado é positivo neste campo. O problema agora parece ser o “demasiado justo”, que é o que parece estarmos a discutir. E este é um dos pontos onde Arsène poderá estar enganado, vejamos. 

Um avançado que, na altura do passe de um dos seus colegas de equipa, esteja completamente à frente do penúltimo defesa, e que tenha a ponta do pé a uma unha - permitam-me ilustração - de estar em linha com o defesa, terá exatamente os mesmos problemas que tinha anteriormente, quando estava completamente atrás do penúltimo defesa, mas tinha o nariz ligeiramente em fora-de-jogo, apenas inverteram-se os fatores.

A regra em si poderá ser mais justa, mas não irá aliviar os árbitros desses problemas de análise. Porque justo será sempre desde que as regras sejam acordadas antes do jogo e sejam cumpridas durante o mesmo. A justiça não depende assim da regra, mas da sua aplicação, e assim sendo, a mudança da regra não tem qualquer interferência na mesma.

No que toca ao espetáculo e ao quão excitante o jogo deve ser, em prol de quem o pratica e de quem assiste, talvez a regra de Wenger venha ajudar, mas mais uma vez, não na sua totalidade. O que acontecerá é que, e dada a forma de defender dos jogadores, em particular da linha defensiva, haverá mais golos. Todos os golos anulados até este momento por jogadores estarem um pouco fora de jogo, e não na sua totalidade, teriam e passarão - caso a regra entre em vigor - a ser validados. Portanto mais golos, mais espetáculo!? Sim e não. 

Porque o que não nos podemos esquecer é que a polémica e as preocupações relativamente ao espetáculo são relativas ao tempo de espera por uma decisão do VAR e não por falta de golos num jogo de futebol. Ora bem, esta regra não vem alterar isso, e poderá até agravá-la. Não estando os árbitros assistentes preparados para tal mudança, o que será mais obvio que aconteça é que a vantagem que está explicita nas regras do jogo, que diz que em caso de dúvida se deve beneficiar o avançado, passará a: em caso de dúvida, vamos ao VAR, já que árbitro algum terá a coragem de apitar ou levantar a bandeira, caso o jogador atacante não esteja claramente e na sua totalidade em fora-de-jogo. 

Ou seja, o fora-de-jogo duvidoso passará de uma posição para a outra, mas não desaparece de todo. A polémica relativamente ao espetáculo permanecerá já que os casos não vão deixar de existir.

Por fim, a questão da evolução. Não podemos deixar de admitir que a evolução é necessária, faz parte da nossa vida e, quer queiramos quer não, estará presente. Quem se opôs ao VAR, muito provavelmente continuará a opor-se, quem o apoiou poderá ou não estar satisfeito com os seus resultados, mas uma coisa é certa, só com contínua mudança é que se chegará a uma posição de evolução. Se o VAR veio para ficar como afirmou, há bem pouco tempo, o Diretor Executivo da Premier League Richard Masters, então leis como a que Arsène Wenger irá propor no próximo dia 29 de fevereiro na reunião anual da IFAB, poderão não ser perfeitas e resolver todos os problemas, mas são essenciais, já que estimulam a conversa à volta do problema e começam um debate saudável.

Esta semana na Premier League

Como sempre o que não falta na Premier League são jogos de grande interesse. Com apenas onze jornadas por jogar, entramos na vigésima sétima ronda com um jogo grande. E que jogo! A luta pelo quarto lugar está ao rubro e poderá começar a definir-se já este sábado, dia 22, pelas 12:30. Com o Tottenham de José Mourinho a visitar o Chelsea do seu antigo pupilo Frank Lampard, quem vencer, se o empate não prevalecer, assegurará, para já o quarto lugar. De recordar que o Chelsea se encontra na quarta posição com 41 pontos e, logo atrás, vem o Tottenham em quinto com 40 pontos amealhados.

A fechar o dia de sábado, pelas 17:30, teremos um jogo que, caso seja vencido pelo Leicester City, poderá vir a criar faísca na luta pelo segundo lugar. Com todos os problemas em volta da suspensão do Manchester City das competições europeias, decisão esta ainda não definitiva, já que o clube poderá e irá recorrer, será a equipa de Guardiola capaz de levar a melhor sobre as Raposas na visita ao King Power Stadium, casa da equipa sensação da Premier League?

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