Já não se via algo assim desde 1947. Terminando o futebol inglês tradicionalmente em maio, é a primeira vez em 73 anos, segundo a Opta Sports, que se disputa uma jornada do campeonato principal inglês em junho. Na altura, o Sheffield United recebia o Stoke City. Curiosamente, nessa mesma temporada, o campeão seria o Liverpool, assim como se espera que aconteça nesta edição.

Desta feita, segundo a BBC, além do Sheffield United, também o Aston Villa, Manchester City e Arsenal, serão os clubes a fazer história, recomeçando a edição de uma liga que passou por muitas dúvidas se seria, alguma vez, terminada.

Os dois jogos em questão, Aston Villa vs. Sheffield United e Manchester City vs. Arsenal são os dois jogos em atraso na liga, adiados na altura devido à final da Carabao Cup - a Taça da Liga inglesa. Jogadas as duas partidas iniciais, a Premier League poderá então fazer jornadas completas, a começar entre 19 e 21 de Junho, até perfazer a totalidade da liga. De recordar que, à data, faltam 92 jogos para completar a edição 2019-20 e que o objectivo é concluir todas as partidas dentro de seis semanas.

As condições do regresso

Quarta-feira, dia 27, em mais uma reunião do ‘Project Restart’ que tem tido como objectivo decidir o regresso, ou não, da liga, e as suas condições, os clubes acordaram ativar a Fase 2 de regresso, que inclui treino com contato. Ontem, quinta-feira, dia 28, numa video-conferência que teve a duração de mais de oito horas, foi a vez de todos os clubes concordarem numa data de regresso, ficando escolhido o dia 17 de Junho.

Jogos sem a presença de espectadores

É sabido que os adeptos, além do ambiente fantástico que normalmente proporcionam, têm alguma influência na partida. Esse mesmo espectáculo, pelo qual são responsáveis, tem efeitos visuais mas também efeitos práticos, sendo esse um dos diversos factores que ajuda na vantagem que um clube tem ao jogar em casa.

Pois bem, com a experiência acumulada após o regresso da Bundesliga, a 16 de Maio, ficou-se a saber que parte dessa vantagem, que está diretamente ligada ao ambiente e pressão criado pelos adeptos, parece ter desaparecido dos jogos alemães, pelo menos nas três jornadas jogadas até ao momento. 

Se antes da paragem do campeonato uma equipa alemã, ao jogar em casa, vencia, em média, em 43% das ocasiões, essa percentagem desceu drasticamente para 19% nas três jornadas após o recomeço. Apesar da amostra ser pequena, parece haver uma clara relação entre um fator e outro. De forma a confirmar a estatística, as equipas visitantes subiram as suas percentagens de vitória de 35 para 44%, demonstrando uma redução da desvantagem de jogar em campos adversários.

Quem sofre mais com esta mudança? As equipas teoricamente mais fracas, claro. Na Bundesliga, antes da paragem, os clubes que se encontravam no último terço da tabela retiravam alguma vantagem do fator casa, conseguindo vencer 30% dos seus jogos em casa. Após o recomeço, apenas conseguem vencer 10% dos seus jogos caseiros. Como seria de esperar, os clubes do top 6 melhoraram as suas estatísticas de vitória fora de portas, passando de uma percentagem de 70% para uns arrepiantes 90%. Mais que nunca, será muito difícil aos clubes, já numa situação comprometedora na tabela, conseguirem recuperar e permanecer nas ligas principais dos seus países. 

Será que iremos ver o mesmo padrão na Premier League? Retirarão os clubes a disputar lugares pelos lugares europeus vantagem desta situação? Que clube irá lidar melhor com a situação? Qualquer erro poderá ser fatal no topo da liga inglesa.

Contudo, e apesar da polícia ter dado carta branca à Premier League para avançar com os jogos nos respectivos estádios das equipas, fica em aberto que alguns jogos — aqueles que possam envolver grandes decisões ou cuja rivalidade possa comprometer a ordem pública em volta do encontro — possam mesmo ser disputados em terreno neutro.

Testes a jogadores e funcionários

A última ronda de testes na Premier League, segundo comunicado da mesma, diz-nos que, “A Premier League pode confirmar hoje que, segunda e terça-feira, dias 25 e 26 de Maio respectivamente, 1008 jogadores e funcionários de clubes foram testados para Covid-19. Desses, 4, de três clubes diferentes, testaram positivo. Os jogadores e funcionários que testaram positivo irão isolar-se em respectivas casas por um período (mínimo) de sete dias.”

A capacidade de testes, com o retorno da liga irá passar, na quarta e próxima ronda de testes, de 50 para 60 testes disponíveis por clube. De registar que 12 é o número total de casos positivos identificados até ao momento, resultado das três primeiras rondas de testes.

Aconteça o que acontecer, inclusivamente se a liga tiver que ser suspensa definitivamente devido à pandemia, uma coisa é certa, o cancelamento da mesmo parece estar fora dos possíveis cenários e, em caso de emergência, é altamente provável que o campeonato do Liverpool não esteja, de forma alguma, em risco. A equipa do norte de Inglaterra será, em breve, campeã pela primeira vez em 30 anos. Um dos lados positivos de uma época, no mínimo, atribulada.

Uma última surpresa

Com receio de que as transmissões televisivas, sem a presença de público nos estádios, seja de alguma forma menos atrativa e não desperte tanto interesse dos telespectadores como seria de esperar, um grupo de trabalho da Premier League, em parceria com os transmissores de jogos, está a tentar implementar algumas inovações.

Sem que nada esteja ainda garantido, duas ideias que estão a ser equacionadas são as de que possam existir entrevistas a treinadores e possivelmente a jogadores no intervalo das partidas e, que possam existir câmaras nos balneários dando acesso ao público a uma área do jogo, até então, muito restrita.

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