Ona Carbonell pediu autorização ao Comité Olímpico Internacional para levar consigo o filho de 11 meses, ainda em idade de amamentação, e a resposta começou por ser negativa.

A organização da prova acabou por voltar atrás na decisão, permitindo que as atletas pudessem viajar para Tóquio com filhos em amamentação, mas sujeitas a "medidas extremamente drásticas".

“Fomos informados pelas entidades organizadoras das medidas extremamente drásticas que impossibilitam esta opção para mim. Depois de receber incontáveis amostras de apoio e ânimo, manifesto a minha deceção e desilusão por ter de viajar sem ele”, partilhou a capitã da equipa de natação sincronizada de Espanha nas redes sociais.

No vídeo publicado esta semana, Ona Carbonell explicou ainda que o bebé e o pai teriam de ficar num hotel, fora da Aldeia Olímpica, e fazer quarentena durante 20 dias.

Para que a Carbonell pudesse amamentar o bebé, a atleta teria de abandonar a “bolha de proteção” em que as comitivas de cada país se encontram. Essa decisão poderia colocar em risco não só a atleta, como a sua família e os colegas de equipa.

De acordo com o El País, a atleta de 31 anos defende o aleitamento materno exclusivo — e assim o fez até Kai completar seis meses. Desde então, Ona Carbonell combina os primeiros alimentos sólidos com a amamentação.

À publicação espanhola, em janeiro deste ano, a atleta já tinha abordado o tema da maternidade no desporto. “A maternidade ainda é um dos handicaps que a mulher tem no desporto. Engravidar não é uma lesão", disse à data.

Ona não abdicou da ida aos Jogos, considerando a escolha entre a carreia olímpica e a família uma "decisão muito difícil". Em Tóquio, a atleta, que em Mundiais de natação apenas é batida, em número de títulos, por Michael Phelps e Ryan Lochte, pode aumentar as duas medalhas (prata e bronze) conquistadas em Londres 2012.

"A única possibilidade é esperar pelo fim desta pandemia para que a normalidade volte, e com ela as medidas necessárias para que a conciliação entre família e o desporto de elite durante uma competição seja mais fácil para todos. Muito obrigada a todos pelo apoio", termina a publicação que teve eco noutras atletas.

As duras restrições sanitárias impostas pelas autoridades japonesas para evitar a disseminação da covid-19 tornaram impossível para as famílias dos atletas acompanhá-los a Tóquio. E a história da espanhola não é caso único. O mesmo acontece com outras "mães olímpicas" que também se viram impossibilitadas de levar os seus filhos. Uma das vozes mais sonantes foi a de Alex Morgan, avançada da seleção feminina dos Estados Unidos.

Sete dias antes da viagem, a jogadora ainda não sabia se poderia ou não levar a filha. “Somos mães olímpicas a dizer-vos que é NECESSÁRIO [levarmos os nossos filhos]. Não fui contactada para poder levar a minha filha comigo para o Japão e partimos dentro de sete dias”, escreveu numa publicação com data de 30 de junho.

"Vou sentir tanta falta da minha menina este mês. Charlie, miúda, vou fazer com que valha a pena", prometeu a avançada dos Orlando Pride numa outra publicação no Instagram.

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