Os milhares de donos em Espanha

Manchester City e AC Milan conquistaram ontem os títulos nacionais de futebol em Inglaterra e Itália, respetivamente. Depois de Real de Madrid (Espanha), Bayern Munique (Alemanha) e PSG (França) terem levantado os troféus nas semanas anteriores, os emblemas de Manchester e Milão encerraram as contas das “Big Five”, Cinco Grandes Ligas europeias.

Vamos às contas dos títulos. Abrimos o livro com as Ligas de elite.

O pano destapa em primeiro lugar a Pátria do Futebol e a Premier League, líder do ranking da organização europeia de futebol. Os Citizens celebraram o título de campeão inglês, o quarto nos cinco anos de Pep Guardiola como treinador. No entanto, não são o clube que mais vezes levantou os braços para festejar no presente século.

Iguais em número aos londrinos do Chelsea (5, durante a era Abramovich), está duas conquistas atrás dos vizinhos e rivais de Manchester, o United, emblema embutido no peito de Cristiano Ronaldo (somou três títulos nacionais na primeira passagem por Old Tradford, de 2006 a 2009). Os Red Devils são também o clube mais titulado na história da Liga inglesa: 20 campeonatos, mais um que Liverpool.

Arsenal (2), a equipa da cidade dos Beatles e o “parente pobre”, Leicester, que em 2015-2016 escreveu uma das mais belas histórias do futebol, engrossam o leque de campeões ingleses.

Em Espanha (La Liga), o Real Madrid, oito vezes campeão desde 2000-2001, celebrou o 35.º campeonato e divide com o Barcelona (26 vezes campeão) a hegemonia no futebol espanhol. Aquele que é “Més que um club - mais que um clube”, detido por mais 140 mil sócios, é, no entanto, o mais titulado a nível de campeonatos em pouco mais de duas dezenas de anos: 10 ao todo. Os dois clubes são detidos pelos sócios numa demonstração clara de democracia em tons futebolísticos.

Valência (Peter Lim, magnata de Singapura) e Atlético de Madrid (33.96% detido pela Ares Management, private equity), intrometeram-se duas ocasiões cada nesta rivalidade dos principais clubes das duas principais cidades, Madrid e Barcelona.

O A de Agnelli e de Audi, Allianz e Adidas

Continuemos pela Europa do Sul e aterramos na Bota europeia. Itália (Serie A). Onze anos depois o AC Milan voltou a celebrar o Schudetto, sucedendo ao vizinho Inter. Os Rossoneri de Rafael Leão, melhor jogador da Liga e de Ibrahimovic (esteve no último título milanês, em 2011), totalizam três no século XXI, metade dos conquistados pelos Nerazzurri. Como curiosidade, os rivais que partilham o estádio (São Siro ou Giuzeppe Meaza, conforme joga Milan ou Inter) inscreveram por 19 vezes cada o nome na lista de campeões de Itália desde o arranque dos campeonatos, muito atrás dos 36 da Juventus. A Vecchia Signora detida pela família Agnelli, totaliza onze campeonatos conquistados no presente século, nove dos quais consecutivos. A Roma deu um ar da sua graça ao inaugurar o século com um triunfo interno, o terceiro do seu historial.

Viagem para norte. Bundesliga. O Bayern de Munique celebrou o décimo campeonato consecutivo, um recorde nas “Big Five”, 16º nas contas em apreço, tantos quantos os outros conquistados para trás. Com 32 troféus de campeão nacional, alberga ainda um recorde pessoal. Thomas Müller levantou 11 vezes a Meisterschale, um feito que nenhum jogador almejou anteriormente.

Borussia Dortmund (3), Wolfsburgo, VfB Estugarda e Werder Bremen, um cada, entraram também na Wall of Fame alemã.

Dinheiro de sheiks árabes e fundos americanos

Por fim, França. O Paris Saint-Germain recuperou o título na Ligue 1 perdido no ano passado para o Lille, de Renato Sanches, e ultrapassou o Lyon (7) em número de campeonatos nacionais no período em análise. Os parisienses somam 8 títulos (10 no total da sua história e são, a par do Saint-Étienne os reis de França) em 11 anos de liderança de Nasser Al-Ghanim Khelaïfi, CEO da QSI (Qatar Sports Investments), fundo de investimentos vinculado ao governo do Qatar e dono do PSG. Dinheiro que juntou Neymar JR (100 golos nos parisienses), Messi e conseguiu convencer a estrela Mbappé a permanecer em Paris.

Para além de Paris Saint-Germain (8), Lyon (7), mais seis clubes conquistaram títulos de campeão no Século XXI: Lille (2), Bordeaux, Mônaco, Montpellier, Nantes e Olimpique de Marseille (1).

E por falar em propriedade, referira-se que capital árabe está igualmente presente no Man City de Bernardo Silva, João Cancelo e Ruben Dias. Em 2008, o Abu Dhabi United Group, uma privaty equity dos Emiratos Árabes Unidos (EAU) detida pelo Sheikh Mansour, entrou no clube, detendo a maioria das ações da City Football Group, holding com sede em Inglaterra com participações em diversos clubes.

Em Itália, o dinheiro muda de nacionalidade. É americano. O campeão AC Milan é detido pelo Elliott Management Corporation desde a primavera de 2018, após ter adquirido o capital do clube ao empresário chinês Yonghong Li (sucedeu a Silvio Berlusconi). O futuro pode, no entanto, mudar de mãos e o RedBird Capital, acionistas minoritários do Liverpool e da equipa de Beisebol americano, Boston Red Sox, surge como um sério candidato.

No clube mais titulado, se o “A” de Agnelli é dono e senhor da Juventus, na Alemanha, os bávaros triplicam a primeira letra do abecedário por três em representação de três empresas, três patrocinadores e três “donos” e juntos têm 25 % do clube: são elas, a marca de desporto, Adidas, a companhia automóvel Audi e o grupo segurador, Allianz. O FC Bayern München AG, um spin-off, controla os restantes 75%.

A força do Dragão em Portugal e o Touro na Áustria

Portugal e a Liga NOS surgem imediatamente a seguir ao grupo dos 5. O FC Porto, campeão esta temporada, soma 12 desde a viragem secular (30 no total) e é seguido pelo SL Benfica (7), águias cujo palmarés global sobe aos 37. O Sporting CP (2) e Boavista (um único campeonato em toda a história) encerram a lista.

Nos Países Baixos (7.º do ranking UEFA), a Eredivisie tem sido dividida entre dois clubes de duas cidades: Ajax (Amesterdão), tricampeão em título e PSV (Eindhoven), ambos com nove títulos. Nas contas totais, a clube de Amesterdão totaliza 36, a uma distância considerável dos 24 que estão nas paredes de Eindhoven. Feyenoord (Roterdão), AZ Alkmaar (Alkmaar) e Twente (Enschede) assinalaram uma cruz cada na estatística dos campeões.

Na Áustria (Austria Bundesliga) dinheiro é sinal de títulos. O RB Salzburgo, batizado em 2005 pela mão da empresa de bebida energética Red Bull, sagrou-se eneacampeão (9 campeonatos seguidos). Ergeu por 13 vezes o troféu nos últimos 22 anos (15 se recuarmos ao nome do clube-mãe, Casino Salzburg) e começa a roubar a hegemonia aos dois emblemas de Viena, Rapid (32 título nacionais) e Áustria de Viena (24). O clube de verde, o Rapid, foi duas vezes campeão, menos uma vez que os vizinhos de cor violeta de 2000 até ao presente. O FC Tirol inaugurou a cronologia e logo com um bi-campeonato. A cidade de Graz contribuiu com dois campeões ocasionais: Grazer AK e o Sturm Graz.

Campeões quase monocromáticos na Escócia e na Grécia

Por fim, dois campeonatos de campeões crónicos. Na Scottish Premiership (Escócia), o Celtic FC  recuperou o título perdido no ano passado para o rival Rangers.

Os Católicos de Glasgow arrecadaram 16 títulos no presente século, 9 nos últimos 10 anos, um caminho triunfal que tem servido para encurtar a distância no palmarés histórico. 52 campeonatos ganhos contra 55 do clube protestante (seis títulos nos últimos 22 anos, um diferencial explicado pela descida em 2012 ao quarto escalão por razões de falência. Uma nota para

James Forrest, extremo verde e branco: 10 campeonatos na carteira pessoal. E já renovou.

Das ilhas britânicas para o país das mais de 200 ilhas habitadas. Na Grécia, um clube tem dominado a Super Liga. O Olympiacos (de Atenas) sagrou-se tricampeão nacional e acrescentou o 18.º título a um museu onde são contabilizados 47 troféus de campeão.

A capital grega deu mais dois campeões (AEK, 1 e Panathinaikos, 2) e Salónica (PAOK) só por uma vez entrou na ficha dos vencedores.

Pep Guardiola, o mais titulado. Anceloti, campeão “Big Five”

A viagem proposta não ficava completa sem espreitar os homens que se sentam no banco. E neste particular, dois treinadores destacam-se dos demais no século XXI. Um espanhol e um italiano.

Pep Guardiola contabiliza quatro ligas inglesas, todas com o City, três germânicas (Bayern) e igual número em Espanha, com o Barcelona. Ao todo, 10 títulos de campeão nacional em três campeonatos das “Big Five”.

Carlo Ancelotti alcançou no Real Madrid uma marca inédita na história do futebol ao tornar-se o primeiro treinador a conquistar os títulos nacionais das cinco maiores ligas do continente: LaLiga (Espanha, Real Madrid), Premier League (Inglaterra, Chelsea), Serie A (Itália, AC Milan), Bundesliga (Alemanha, Bayern de Munique) e Ligue 1 (França, PSG).

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