Está na hora, Rio! Apagam-se as luzes, fecham-se os pavilhões, deixam de tocar os hinos da festa. Celebra-se hoje o fim de um ciclo que incluiu os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos, e também o Mundial de Futebol se falarmos no ciclo de grandes eventos que se iniciou em 2014.

Os Jogos Paralímpicos, apesar de todas as previsões pessimistas, revelaram-se um sucesso. Não tiveram sempre os estádios cheios, como nos Jogos Olímpicos, nem tantos recursos à disposição, mas tudo correu dentro da normalidade. Após onze dias de competição dominados pela China, os XV Jogos Paralímpicos de Verão chegam ao fim com a cerimónia de encerramento.

É tempo de passar a bandeira do Comité Paralímpico Internacional à cidade de Tóquio, que recebe a próxima edição dos Jogos, em 2020.

O espetáculo de duas horas vai celebrar a música brasileira, mas, no templo do futebol, o Maracanã, o ambiente não será só de festa. Durante a cerimónia vai ser respeitado um minuto de silêncio pelo ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad, que competia com uma prótese na perna e perdeu a vida no sábado depois de sofrer um forte golpe na cabeça ao cair da sua bicicleta numa descida.

Foi a primeira morte numa competição paralímpica.

O presidente do Comité Paralímpico Internacional, Philip Crave, fala numa "terrível tragédia que entristece os grandes Jogos Paralímpicos do Rio" e expressou suas condolências tanto à família do ciclista, de 48 anos, como a toda sua delegação.

As bandeiras Paralímpica e iraniana estão a meia haste tanto na Vila Olímpica como no Riocentro, que acolheu neste domingo a final do vólei sentado entre Irão e Bósnia.

O Irão acabou por vencer a medalha de ouro paralímpica na modalidade de vólei sentado, vertente masculina, e a equipa dedicou a vitória ao ciclista que perdeu a vida nestes jogos.

Como nos Jogos de Londres, a China foi a grande vencedora da competição com 239 medalhas (107 de ouro), doze a mais do que há quatro anos. Reino Unido, Ucrânia, Estados Unidos e Austrália completam o quinteto de honra. Os anfitriões ficaram com o oitavo lugar, com 72 medalhas, 14 delas de ouro. 

Portugal termina estes jogos com mais uma medalha do que em Londres 2012. São quatro de bronze no total, que garantem à comitiva lusa o 73º lugar na classificação do 'medalheiro paralímpico'.

Ainda esta manhã, Portugal garantiu a sua quarta medalha. Manuel Mendes foi 3º na maratona paralímpica masculina na classe de T46.

O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tem acompanhado de perto esta competição no Rio de Janeiro, marcando presença esta noite na cerimónia de encerramento. No início da competição, o primeiro-ministro, António Costa, também marcou presença no Rio de Janeiro.

Os Jogos Paralímpicos da América do Sul foram marcados pelas grandes dificuldades financeiras, como consequência, especialmente, dos gastos imprevistos durante os Jogos Olímpicos e da fraca venda de bilhetes ao público.

Os gritos de "Fora Temer" marcaram a cerimónia de abertura, assim como a destacada ausência do presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach. Mas a principal ausência foi da comitiva russa, que foi excluída dos Jogos pelo escândalo de doping.

Outro dos momentos marcantes destes jogos foi a queda de Marcia Malsar. A atleta paralímpica caiu quando dava a volta ao Estádio do Maracanã na cerimónia de abertura. Deixou cair a chama, mas levantou-se e continuou até ao fim, sendo uma das maiores provas do espírito paralímpico.

Os Jogos serão recordados "como um sucesso que surpreendeu o mundo", apesar do trágico falecimento que ofuscou o seu final, disse o presidente do Comité Paralímpico Internacional, Philip Craven, este domingo em conferência de imprensa.

Há um mês, apenas 12% dos bilhetes tinham sido vendidos para assistir as competições.

No final da competição, foram vendidos mais de 2,1 milhões de bilhetes dos 2,5 milhões disponíveis. Uma participação superada apenas por Londres em 2012.

Os Jogos Paralímpicos acabaram por se tornar num plano atrativo para os brasileiros, uma vez que os bilhetes eram bem mais baratos do que os dos Jogos Olímpicos. Para esta competição era possível comprar bilhetes entre os 10 e os 20 reais (entre os 2.67€ e os 5.35€).

Os jogos tornaram-se de tal forma atrativos que ontem foi batido o recorde de participação registado num dia dos Jogos Olímpicos, 153.000 pessoas marcavam o recorde de assistência olímpica e os Jogos Paralímpicos acabaram por conseguir juntar mais de 170.000 pessoas num só dia.

"Missão cumprida", disse o presidente do Rio 2016, Carlos Nuzman.

A fatura da organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos terá custado ao final 2,8 mil milhões de dólares, a soma que estava prevista desde 2009, assegurou o Comité Organizador Rio 2016.

No Rio, foram batidos 103 recordes mundiais, apagando ainda mais a fronteira entre o olimpismo e o paralimpismo.

"Ficamos impressionados com esta experiência e inspirados pela paixão dos cariocas. Agora estamos ainda mais motivados do que nunca para oferecer os melhores Jogos possíveis daqui a quatro anos", assegurou o presidente do Comité Organizador Tóquio 2020, Toshiro Muto.

A passagem de bandeira entre as duas cidades marca também o final do ciclo de grandes eventos que fizeram com que o mundo olhasse para o Brasil.

Ficam para trás a Taça das Confederações de futebol, o Campeonato do Mundo de Futebol, a cimeira da ONU sobre meio-ambiente, a Jornada Mundial da Juventude com o Papa Francisco, e Jogos Olímpicos. Todos concentrados nos últimos quatro anos sob a sombra da dúvida, dos atrasos e da rejeição popular em vários protestos de rua, mas que acabaram por ser um sucesso.

Terminada a festa, resta agora ao gigante sul-americano olhar-se ao espelho para tentar superar as crises económica e política que sacodem o Brasil há meses e que levaram à destituição da presidente Dilma Rousseff.

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