Frente à Bélgica, no Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, em Oeiras, Portugal estreia-se no European Trophy, antecâmara do principal escalão europeu da modalidade (com exceção do torneio das Seis Nações), o ‘Championship’, patamar no qual João Moura espera colocar as ‘lobas’ a “médio ou longo prazo”.

“Esta participação no ‘Trophy’ insere-se numa estratégia de conseguirmos participar de forma regular, com o intuito também de atingir um maior número de jogadoras e, idealmente, a médio ou longo prazo, chegar ao ‘Championship’”, apontou o treinador, em declarações à agência Lusa.

Moura assume-se como “um otimista”, nas suas próprias palavras, confiando que “não serão precisos cinco ou 10 anos” para atingir esse patamar, porque: “As nossas jogadoras têm muita experiência de ‘sevens’”.

O râguebi ‘sevens’, assim como o de 10, têm sido as variantes que têm mantido a modalidade em Portugal, na vertente feminina, e as únicas onde as jogadoras disputavam “um ou dois torneios por ano”, de forma oficial.

Em termos de râguebi de 15, a variante mais jogada no mundo, “já tinha havido momentos” em que se juntou uma seleção portuguesa, “mas esta será a primeira vez que participa numa competição oficial”.

“Antes foram sempre particulares. Lembro-me de um com a Alemanha, em 1995, por ocasião dos 100 anos da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR). Depois um com uma seleção de Joanesburgo que estagiou em Portugal e outro com uma seleção da Galiza”, enumerou João Moura.

Portugal integra o Grupo B do Trophy 2020/21, no qual poderá enfrentar, além das belgas, também as seleções da Alemanha e da Roménia.

São “quatro equipas que participam pela primeira vez” e que foram colocadas neste grupo pela Rugby Europe, “sem obrigatoriedade de disputar todos os jogos”, que deverá servir para “reorganizar este patamar competitivo” nos próximos anos, explicou João Moura à agência Lusa.

Para já, as alemãs e as romenas “foram convidadas para vir jogar a Portugal em fevereiro ou março”, mas as “incertezas provocadas pela pandemia” de covid-19 não permitem, ainda, garantir a realização desses encontros.

Para já, o foco está no encontro com a Bélgica, que “vai ser um jogo giro” de assistir frente a uma equipa que “vem de uma derrota pesada e quer limpar a imagem”.

“Será o nosso primeiro jogo, vai ser especial para as jogadoras que entrarem em campo. Não vai ser indiferente para ninguém. Elas vão ter uma oportunidade e um momento em que vão querer deixar marca e, por isso, vão dedicar-se de corpo e alma”, anteviu o selecionador.

O técnico, de resto, é também o responsável encarregado pela FPR para “reorganizar o râguebi feminino em Portugal”, onde, no final da época 2018/19, “antes da pandemia”, existiam “perto de 500 jogadoras” inscritas.

Um número significativo num país onde “ainda existe uma barreira cultural” que “diz que as meninas não devem jogar râguebi porque é um desporto de contacto e agressivo”, mas sobre o qual as jogadoras têm uma opinião diferente.

“Todas as que conheço chegam à modalidade, adoram e acabam por ficar. Portanto, é mais uma questão cultural do que uma decisão delas”, comentou João Moura, ressalvando que não conhece, ainda assim, “nenhum caso” de uma jogadora que tenha abandonado a modalidade devido ao preconceito social.

A seleção portuguesa feminina defronta a congénere da Bélgica no sábado, às 11:00, no CAR de râguebi, em Oeiras.

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