Parece que foi há imenso tempo, mas a última vez que o Sporting tinha defrontado uma equipa turca tinha sido na época 2015-16, a 10 de dezembro de 2015, na última jornada da fase de grupos da Liga Europa, na qual derrotou o Besiktas por 3-1, com golos de Slimani, Bryan Ruiz e Teo Gutierrez.

Dessa equipa, que acabou eliminada pelo Bayer Leverkusen uns meses mais tarde e que lutou pelo campeonato nacional até à última jornada, já não sobra nenhum jogador no plantel atual dos leões. O jogador há mais tempo no clube (no plantel principal digamos) é Sebastián Coates que chegou ao clube um mês depois do embate contra a equipa de Istambul. Faz-nos pensar se parte dos problemas que o Sporting enfrenta no seu futebol profissional não será a falta de referências, porque por mais que Bruno Fernandes pudesse ser adorado pelos jogadores e pela massa adepta, os valores passam de maneira diferente quando são transmitidos por alguém com mais “tempo de casa” e experiência no clube. Fica a reflexão.

Entretanto, hoje, a turma de Alvalade tinha de se preocupar com outra equipa originária de Istambul, o Basaksehir. Se não tinha ouvido falar deste clube até há umas semanas, fica aqui um resumo da sua história: o Istambul BB foi um clube criado em 1990, que passou diversas temporadas nas divisões secundárias do futebol turco até 2007, quando chegou ao primeiro escalão pela primeira vez; aí se manteve durante seis temporadas até ser despromovido em 2013; em 2014 sagrou-se campeão na segunda divisão e regressou à Super Lig com um novo nome – Istambul Basaksehir FK. Fácil, certo?

Por outro lado, o desconhecimento pela equipa turca podia levar a que se julgasse erradamente que este seria um jogo de menor dificuldade para a equipa de Jorge Silas. Primeiro, porque o Basaksehir se encontra em 2.º lugar do campeonato turco a um ponto do líder Trabzonspor. Depois, porque nos últimos 15 jogos apenas tinha perdido uma vez. Por último, porque tem no seu plantel alguns jogadores com provas dadas no mundo do futebol, como a antiga estrela Robinho (agora com 36 anos e de fora deste jogo), o central Martin Skrtel, o avançado Demba Ba e, ainda, o lateral-esquerdo Gael Clichy.

Num estádio de Alvalade com as bancadas despidas, o Sporting entrou em campo para disputar a única competição que ainda pode ter aspirações a ganhar esta temporada. E quem viu a primeira parte dos leões, viu uma equipa a pôr todas as fichas neste jogo e a tirar proveito de alguma inexperiência da equipa turca, que se encontrava pela primeira vez nos 16-avos-de-final da Liga Europa.

Boas primeiras partes não tem sido a norma no clube leonino esta temporada, mas desta vez o conjunto leonino conseguiu assumir o jogo logo de início. O árbitro inglês Anthony Taylor mal tinha apitado para o começo da partida e o Sporting já estava em vantagem, fruto de um canto de Acuña que foi direitinho para o pé esquerdo de Coates. E a verdade é que a eliminatória podia ter ficado resolvida nos primeiros 45 minutos, com os leões a acumularem oportunidades e com uma dinâmica ofensiva pouco vista esta época, ainda que a pecar na altura da decisão.

A inclusão de Jovane Cabral no corredor esquerdo, mas a ocupar terrenos mais interiores, foi a principal surpresa que Silas trouxe para este jogo e o meio-campo da equipa portuguesa foi sempre capaz de confundir as marcações do Basaksehir, com combinações entre Wendel, Vietto e o jovem cabo-verdiano. Vietto tentou marcar por duas vezes, Jovane tentou a sua sorte também em duas ocasiões e chegou a ter um golo anulado, e um remate de Bolasie passou perto do poste esquerdo.

Contudo, tudo parecia destinado a que fosse outro jogador a reforçar a vantagem da equipa verde e branca. Sentia-se no rosto de Sporar, que chegou ao clube em janeiro e ainda procurava o seu primeiro golo por terras lusitanas, que este tinha de ser "o" jogo. Não foi à primeira, depois de perder espaço para um remate. Não foi à segunda, depois um defesa do Basaksehir lhe roubar a bola quando este se preparava para rematar à baliza. Mas foi à terceira. Wendel e Vietto combinaram mais uma vez, o jogador argentino libertou Ristovski na direita e o macedónio cruzou para o avançado esloveno levar o Sporting a vencer por 2-0 ao intervalo com um bom desvio com o pé direito.

No regresso dos balneários, continuámos a ver a mesma raça e vontade por parte da equipa lisboeta. Pressionando a defesa do Basaksehir e apostando em transições rápidas, especialmente através de Wendel, o Sporting continuou a colocar em perigo a baliza da equipa de Istambul. Ao minuto 50, depois de um contra-ataque em que Vietto não desistiu do passe de Jovane e ganhou o ressalto do defesa Junior Caiçara (que já jogou no Gil Vicente), o argentino finalizou para colocar o Sporting a vencer por três bolas a zero.

O relaxamento que os mais pessimistas podiam ter anunciado entre as duas partes chegou a partir da hora de jogo, com o Sporting a recuar as linhas e a deixar os turcos tomar conta da bola. E, como se sabe em 90% dos casos em que isto acontece, a equipa que o faz costuma colocar-se em maus lençóis. Com 15 minutos para o fim do jogo, num centro para a área leonina, Demba Ba apareceu sozinho e caiu, aparentemente com um empurrão de Luis Neto. De frente para o lance, Anthony Taylor apressou-se a apontar para a marca de penálti e a amarelar o internacional português, sem pedir a intervenção do VAR. Possivelmente, com a ajuda das imagens, a falta não seria tão clara para o árbitro inglês. Dos 11 metros, Visca marcou o golo para o Basaksehir, que coloca a equipa turca a disputar uma eliminatória que devia ter sido resolvida por parte do Sporting.

Os últimos 10 minutos finais foram mais tremidos por parte dos leões mas ainda trouxeram três oportunidades que não foram aproveitadas pelos leões e que podiam ter colocado o Sporting com um pé na próxima fase. Assim, leva para a Turquia mais incertezas do que aquelas que eram necessárias. E que não merecia, dada a exibição que fez.

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

É verdade que o Sporting fez provavelmente a melhor exibição sob o comando de Silas. Mas é impossível não anotar a má imagem que o Basaksehir deixou hoje em Alvalade. Uma equipa sem um plano de jogo claro, que nunca conseguiu adaptar-se à mobilidade ofensiva leonina e que não incomodou a defesa liderada por Coates. Esperava-se mais de um conjunto que vinha com uma reputação diferente e um penálti "forçado" não apaga 90 minutos muito cinzentos.

Sporar, a vantagem de ter duas pernas

O golo de Sporar resulta de uma bela jogada coletiva. É bom ver este Sporting a jogar livre, sem estar preso e onde os jogadores sabem para onde se têm de movimentar. O problema deste Sporting é mesmo a falta de consistência e o adormecimento nos últimos 20 minutos complicaram um jogo que tinha completamente controlado. Resta ver se estas exibições podem continuar nos próximos tempos.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

O meio-campo dos leões funcionou muito bem hoje. Wendel nas transições ofensivas, Vietto a encontrar espaços e distribuir jogo e Jovane a desequilibrar deram algum do melhor futebol que se jogou em Alvalade esta temporada. Algo a ser explorado por Silas nos próximos jogos.

Nem excesso de espaço chegou para decidir bem

Nota prévia: Vietto tem tudo para ser o elemento diferenciador neste Sporting e assumir o papel de Bruno Fernandes. Sabe encontrar espaços e combinar da melhor maneira com os seus companheiros.

Apesar disto, esta época acumulam-se as bolas perdidas e as más decisões que o n.º 10 dos leões faz diante da baliza. Hoje, existem pelo menos três momentos dentro da grande área turca em que o jogador argentino tem de finalizar e dar alguma tranquilidade à sua equipa. Não o fez e agora o Sporting vai para Istambul sem ter a eliminatória resolvida. Com Bruno, talvez a história fosse diferente

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