O governo do Tonga proibiu as alunas de praticar râguebi ou boxe, afirmando que estas duas modalidades não dignificam a cultura tradicional daquela ilha do oceano Pacífico.

O ministro da cultura daquele país disse que esta medida era necessária para “preservar a dignidade da mulher tonganesa e garantir que estas se mantêm de acordo com os valores culturais do Tonga”.

No entanto, o secretário de Estado da educação, Manu 'Akau'ola, disse à Dateline Pacific que a diretriz foi ordenada pelo ministro da Educação, Penisimani Fifita, devido à preocupação de que as crianças perderam muito o tempo de aulas devido ao ciclone Gita, uma tempestade de categoria cinco que atingiu a ilha em fevereiro.

"A sua diretiva não acontece porque não apoiamos os eventos desportivos, é apenas [para] compensar o tempo perdido por causa do ciclone", disse Akau'ola.

A carta do ministro da educação gerou grande contestação entre a população, afirmando que a diretiva é totalmente desatualizada e sexista.

Valerie Adams, a atleta olímpica da Nova Zelândia duas vezes medalha de ouro no lançamento do peso, filha de uma mulher tonganesa, criticou a proibição: “De acordo com esta linha de pensamento, uma tonganesa orgulhosa, como eu, não conseguiria alcançar o que eu alcancei neste mundo. As mulheres tonganesas devem ser livres para decidir o seu destino e não ser reprimidas por uma interpretação equívoca e teimosa”, escreveu a atleta numa mensagem na rede social Facebook.

"Honrar a tradição e a paixão que é passada às próximas gerações não tem de ser um conflito. O râguebi, como qualquer outro desporto, deve ser abraçado pelas nossas mulheres tonganesas — somos bons nisso — não tire isso!"

Ofa Guttenbeil-Likiliki, advogada tonganesa defensora dos direitos das mulheres, citada pelo jornal britânico 'The Guardian', classificou a medida como uma visão obsoleta. “Isto leva-nos de volta ao pensamento de que a educação é apenas académica e para as raparigas se manterem nesse caminho académico e que o desporto é apenas uma alternativa para os homens”, afirmou a advogada sublinhando que esta medida “retira-nos todo o trabalho que fizemos até hoje em matéria de tentar alcançar e promover a igualdade de género no Tonga".

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse que o programa de ajuda do seu país para o Tonga não foi ameaçado pela proibição, mas salientou que não concorda com a diretiva.

“Como aluna eu joguei râguebi e optaria por encorajar todas as jovens a que se envolvessem em qualquer modalidade em que estivessem interessadas”.

"Nós enviamos financiamento (...) para o Tonga para incentivar a participação das crianças em desportos. Desta forma, penso, uma jovem ainda poderá fazê-lo, através das suas aldeias, mesmo que essa diretriz seja aplicada pelas escolas".

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