Era uma vez uma competição, criada em 1883, que juntou quatro seleções britânicas. Apelidada de Home Nations, juntava a Irlanda, Escócia, Gales e Inglaterra. A prova anual viajou das ilhas, virou-se para o continente europeu, anexou a França, em 1910, e mudou de nome, para Torneio das Cinco Nações. Com o virar do milénio, em pleno crescimento da União Europeia, voltou a abrir as portas a mais uma seleção continental. A Itália entrou em 2000 e a mais antiga competição do mundo entre seleções de qualquer modalidade, que este ano completa 125 anos, foi, de novo, rebatizada: Torneio das Seis Nações.

Se recuarmos um ano, podemos começar a história de novo com “Era uma vez...”. E acrescentamos: “uma seleção irlandesa”. A equipa que junta jogadores das duas Irlandas, República da Irlanda e Irlanda do Norte, arrancou, em 2018, o Torneio das Seis Nações com uma vitória diante da França, num pontapé (drop) que viria a mudar o curso da história da formação do Trevo.

A Irlanda, treinada pelo neozelandês Joe Schmidt desde 2013, conquistou a edição de 2018, vencendo todos os jogos (conquistando um Grand Slam, o terceiro na sua história) e o Triple Crown (competição entre as quatro nações britânicas e cujo galardão é atribuído a quem vencer as outras três equipas).

De lá para cá, sob a batuta do “pai” da revolução irlandesa, venceu os bicampeões mundiais em título, os All Blacks, no dia 17 de novembro, na primeira vitória em casa em 113 anos diante da Nova Zelândia (número 1 do ranking mundial desde 2009), foi eleita a Melhor Seleção do Mundo e Johnny Sexton, médio de abertura, foi considerado Melhor Jogador do ano.

Aquele inverno passado em Vilamoura

Face ao passado recente, na casa de apostas dos amantes da bola oval, a Irlanda (nº 2 mundial) surge como favorita para conquistar a 20ª edição das Seis Nações, revalidando o título. Um desejo que os irlandeses prepararam no Algarve (Quinta do Lago), num pré-estágio ali realizado.

Joe Schmidt, que em seis edições ao leme do XV irlandês venceu por três vezes e que se irá despedir após o Mundial do Japão (de 20 de setembro a 2 de novembro), repetiu a dose do ano anterior e procurou um “inverno mais quente”. Se antes levou a seleção do Trevo a estagiar no sul de Espanha, na unidade de Oliva Nova, Valência, agora o destino foi Vilamoura.

Na jornada inaugural, no Aviva Stadium (partida transmitida pela Sport TV, às 16h45), em Dublin, a Irlanda recebe a Inglaterra (nº 4 no ranking mundial), seleção que, curiosamente, “aqueceu” igualmente a alma no Algarve, tendo viajado diretamente de Quarteira (Browns Sports & Leisure Club) para a capital irlandesa.

“O estágio foi de vital importância para percebermos o quanto queremos jogar este jogo. Foi também muito importante para nós que a união se mostrasse fora do campo”, sublinhou Eddie Jones, selecionador da Rosa, inglês que se irá despedir depois do Mundial, garantindo, até à data, o bicampeonato nas Seis Nações, para além de 18 jogos sempre a ganhar.

Itália: A favorita à colher de Pau tem o jogador com mais jogos e mais derrotas

A luta que se espera na relva é, este ano, apimentada com acontecimentos fora de campo. Falamos da discussão, quer a nível interno, quer europeu, sobre o futuro da fronteira entre as Irlandas na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit.

De regresso ao campo, ao jogo, uma seleção insurge-se entre a Rosa e o Trevo: País de Gales. Formação que até poderá assumir-se com favorita, oferecendo ao neozelandês Warren Gatland, há 12 anos à frente dos Diabos Vermelhos, o quarto título (venceu em 2008, 2012 e 2013, dois deles com Grand Slam).

O País de Gales arranca em França (Stade de France, Sport TV, 20h00). A seleção gaulesa (9ª), liderada por Jacques Brunel, recorde-se, não vence o torneio desde 2010.

Fora do leque de favoritos, a Escócia (7ª), no segundo ano de Gregor Townsend, depois do 3.º lugar do ano passado, procura agora um lugar ao sol numa competição que nunca venceu. Como curiosidade, o país das Highlands foi a última seleção a vencer a última edição do Cinco Nações, em 1999.

Em Murrayfield, Edimburgo, tenta contrariar uma estatística que joga contra si: em 19 edições, só por duas vezes saiu vencedora da ronda inaugural. E não podia pedir melhor: a adversária chama-se Itália (15ª), treinada pelo irlandês Conor O'Shea, que perdeu 19 jogos em 22 “test-matches” e que não venceu um único jogo das Seis Nações nos últimos 4 anos.

Os italianos são os candidatos à Colher de Pau (último classificado). Um título que devem acrescentar às 13 que ostentam na sala de troféus.

Para atenuar, os transalpinos podem ter o jogador com mais jogos na prova: Sergio Parisse, veterano capitão italo-argentino com 35 anos, que completa em Edimburgo 66 jogos, ultrapassando o irlandês Brian O'Driscoll. Mas há mais. Parisse jogou até à data 134 jogos e perdeu 100. E, se somarmos os jogos das Seis Nações, jogos internacionais e o Mundial, outro recorde pode estar ao seu alcance: o de Richie McCaw, neozelandês com 148 internacionalizações.

O Torneio da Seis Nações termina a 16 de março. E logo com um Gales-Irlanda, no Principality Stadium, Cardiff e um Inglaterra-Escócia, em Twickenham. Nesse dia se verá se o vencedor poderá escrever. “Era uma vez...” uma equipa que começou a ganhar o ano com um estágio em Portugal, aproveitando um inverno quente.

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