O sorteio da Liga das Nações, a competição engendrada pela UEFA para dar ânimo aos jogos entre Campeonatos da Europa, transformando os habituais amigáveis numa competição dividida em quatro ligas, com as seleção de cada país a serem distribuídas consoante o seu ranking europeu, já tem decididos os contornos da segunda edição.

Portugal, vencedor da primeira edição, estava no pote 1, da Liga A, à espera de saber quem estaria no seu caminho até a nova final four que lhe permita defender o título conquistado, o segundo de sempre da seleção nacional depois do Euro 2016.

Quando no ano passado erguemos o troféu, tornou-se viral a fotografia de Cristiano Ronaldo enquanto levava a taça até junto da restante equipa para a erguer, como se fosse uma presa já morta, conquistada, ao ombro a ser levada para o festim. Era um momento de alguma arrogância autorizada a uma seleção que tantas gerações de talento depois conseguia -finalmente - fazer vingar o seu futebol. Mas agora há - para já - três seleções que nos querem desfazer o sorriso: França, Suécia e Croácia.

Com Luís Figo responsável pelo sorteio da Liga A, desta competição, a equipa das Quinas, comandada por Fernando Santos, voltou a cair num grupo com França, tal como aconteceu no sorteio para o Euro 2020, que se realiza este ano. A antiga besta negra de Portugal, que em 2016 caiu, em casa, aos pés do histórico remate de Éder, vai ter mais do que oportunidades para voltar ser feliz diante da seleção lusa. Traz argumentos fortes: uma das melhores gerações do futebol francês que há dois anos conquistou o Campeonato do Mundo na Rússia. Eles têm fome de sucesso e há que temê-los.

A Suécia é um adversário agridoce, tanto quanto nos lembramos. Portugal já defrontou os suecos 18 vezes e o saldo não é positivo: cinco vitórias, seis empates e sete derrotas. Por outro lado, o último grande duelo entre nórdicos e sulistas foi de bom grado para a equipa das Quinas. Falamos daquela eliminatória de play-offs de acesso ao Mundial de 2014, que aconteceu no Brasil e que deu em vitória lusa em casa (1-0) e nova vitória lusa fora (2-3) num épico duelo entre Zlatan Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo, o atual jogador do AC Milan bisou, o número sete da Juventus, fez um hat-trick.

Por último, mas não menos importante, os croatas, uma seleção com fome de sucesso depois de em 2018 ter feito um grande Campeonato do Mundo, caindo apenas aos pés da França, na final, um ano em que também a Croácia viu, pela primeira vez um dos seus jogadores ser galardoado com a Bola de Ouro, Luka Modric.

A última vez que Portugal defrontou Modric e companhia foi no caminho para a glória europeia em 2016, nos oitavos-de-final, num jogo difícil de desatar e que só ficou resolvido aos 117 minutos com um golo de Ricardo Quaresma.

Mas se as conquistas dos últimos anos nos permitiram uma certa arrogância ou uma certa crença, um sentimento outrora inexistente numa série de gerações devido às quedas no 'quase', no quase de 1966 de Eusébio e companhia, daquele Mundial de Saltillo em que nem chegámos ao quase, daquele 'quase' no Europeu em que caímos com uma grande penalidade de Zidane nas meias-finais, daquele quase em 2004, do outro quase frente a França em 2006, no Mundial, façamos uso dela. Portugal tem de ultrapassar este grupo para poder estar na final four e efetivamente ter uma oportunidade de defender o título, por isso vamos olhar para os outros grupos da Liga A.

Grupo 1: Polónia, Bósnia e Herzegovina, Itália e Holanda

É um daqueles grupos complicados em que em outros tempos não teríamos dificuldade em dizer que Holanda ou Itália seriam, garantidamente, os vencedores. Tempos em que a Polónia não tinha Robert Lewandowski, jogador do Bayern Munich que por esta altura da temporada, leva uns modestos 39 golos em 33 jogos; tempos em que a Bósnia e Herzegovina não tinha equipas fortes o suficientes para a levar a fases finais, apesar de ainda só ter marcado presença no Mundial de 2014 é presença assidua nos play-offs; tempos em que Itália não falhava mundiais, como aconteceu em 2018, em que a Squadra Azzurra não entrava em campo sem uma grande referência do mundo do futebol; tempos em que os Países Baixos com Wesley Sneijder e Robin Van Persie era uma das melhores seleções do mundo.

Os tempos mudaram, hoje Itália está a tentar refazer-se e os Países Baixos, finalistas vencidos na última edição da Liga das Nações, com uma nova geração de ouro a afirmar-se, volta a conquistar o seu espaço no panorama do futebol mundial. É, portanto, um grupo imprevisível o quanto baste para fazer os fãs colar aos ecrãs.

Grupo 2: Islândia, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra

A Bélgica, na fase de qualificação para o Euro 2020, em 10 jogos, venceu 10. Inglaterra, uma seleção dominada pelo insucesso aliado ao peso psicológico quando se auto intitula "Home of Footbal" [Casa do Futebol], está a reerguer-se desde 2018, ano em que chegou às meias-finais do Mundial, tendo na última edição da Liga das Nações também chegado à final four, tendo perdido nas meias-finais diante dos Países Baixos.

Estes são os dois grandes favoritos de um grupo que conta com a Islândia e a Dinamarca para ganhar ainda mais emoção. Os islandeses, ainda embalados pelas presenças no Mundial de 2018 e no Euro de 2016, onde neste último eliminaram os ingleses nos oitavos-de-final, vão querer ter uma palavra a dizer. Já os dinamarqueses querem poder aproximar-se daquilo que fizeram nos anos 90 em que conquistaram os dois únicos títulos do seu palmarés, um Europeu (1992) e uma Taça das Confederações (1995).

Grupo 4:  Alemanha, Ucrânia, Espanha e Suíça

Muitos dirão que este é um grupo que se decidirá nos confrontos entre Alemanha e Espanha, mas muitos poderão estar enganados. Para isso basta salientar que a Suíça esteve na final four da primeira edição da Liga das Nações e que a seleção ucraniana foi primeira do seu grupo de qualificação para o Campeonato da Europa deste ano, à frente de Portugal e da Sérvia.

No meio disto tudo, dizer que em relação à seleção portuguesa, nenhuma destas equipas é mais ou menos apetecível. Afinal de contas, as coisas tendem a correr de feição Ronaldo e companhia quando as coisas parecem feias. Não é, Euro 2016?

Os jogos da segunda edição da Liga das Nações começam em setembro deste ano. A final four será disputada no início de junho de 2021.

Veja aqui o resultado do sorteio

Liga A

Grupo 1: Polónia, Bósnia e Herzegovina, Itália e Holanda
Grupo 2: Islândia, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra
Grupo 3: Croácia, Suécia, França e Portugal
Grupo 4:  Alemanha, Ucrânia, Espanha e Suíça

Liga B

Grupo 1: Roménia, Irlanda do Norte, Noruega e Áustria
Grupo 2: Israel, Eslováquia, Escócia e Rep. Checa
Grupo 3: Hungria, Turquia, Sérvia e Rússia
Grupo 4: Bulgária, República da Irlanda, Finlândia e País de Gales

Liga C

Grupo 1: Azerbaijão, Luxemburgo, Chipre e Montenegro
Grupo 2: Arménia, Estónia, Macedónia do Norte e Geórgia
Grupo 3: Moldávia, Eslovénia, Kosovo e Grécia
Grupo 4: Cazaquistão, Lituânia, Bielorrússia e Albânia

Liga D

Grupo 1: Malta, Letónia, Andorra e Ilhas Faróe
Grupo 2: San Marino, Gibraltar e Liechtenstein

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