Um jogo entre Vitória de Guimarães e Arsenal sem uma manifestação pública de Mia Khalifa, ora de apoio aos vimaranenses, ora contra os Gunners, é o equivalente a que neste momento Paddy Cosgrave não aparecesse na Web Summit.

Não é exagero. Foi a antiga atriz pornográfica, confessa adepta do West Ham e pouco apreciadora dos rivais londrinos, que colocou a Internet de olhos postos neste duplo duelo da fase de grupos da Liga Europa, quando se vestiu de preto e branco para apoiar o Vitória no primeiro duelo com os pupilos de Unai Eméry em Londres.

As redes sociais vibraram com as publicações de Mia, da mesma maneira que o Guimarães, em Londres, fez abanar por duas vezes as redes do Arsenal. Mas talvez esta cimeira futeboleira se tenha focado demasiado na antiga atriz e menos em Nicolas Pépé - que é como quem diz, nos argumentos de ambos os lados. O problema? Mia Khalifa só apareceu num jogo e Pépé mudou o rumo dos dois.

A história da partida de hoje no estádio D. Afonso Henriques, numa tarde de quarta-feira depois de almoço, tem um fio condutor muito semelhante à que aconteceu na capital do Reino Unido: um Vitória lutador e infeliz, e um Arsenal falacioso mas feliz.

A assertiva entrada em campo da equipa da casa poderia ter-se traduzido em goleada, não fosse a infelicidade maior do que a força dos remates vimaranenses e dos erros adversários. Tudo começou aos oito minutos, com uma bola ao poste após um remate de fora de área de Pêpê, a que se seguiu outro, assinado por Lucas Evangelista, também fora de área, mas desta vez desviado por Emiliano Martínez na vez do ferro. Aos 12 minutos, foi Bruno Duarte que esteve a poucos centímetros de responder a um cruzamento de Davidson. Sete minutos depois, Tapsoba, na sequência de um livre, cabeceou, isolado, novamente para defesa de Martínez. Aos 26 minutos foi Davidson que, com um remate cruzado na ressaca de um pontapé de canto, fez a bola passar a centímetros do poste.

Mas o lance que melhor traduzia a entrega de ambas equipas aos jogo aconteceu ao minuto 31, quando Frederico Venâncio volta a mostrar a facilidade com que se bate a defesa arsenalista e aparece isolado na cara do guarda-redes, acabando por cabecear muito por cima. A infelicidade e a desorganização, outra vez espelhadas.

Em todo este primeiro período, a melhor oportunidade do Arsenal foi um cabeceamento por cima da barra de Holding que não assustou ninguém.

Na segunda parte, contudo, a história seria outra. Perante o desperdício do Vitória, o Arsenal foi crescendo no jogo com a introdução de jogadores com mais rotação, Guendouzi e Lacazette à cabeça. Os londrinos cresceram no jogo e a equipa de Ivo Vieira fazia o que podia - com uma linha de cinco defesas - para agarrar o ponto, mas os sonho de pontuar caía por terra quando Nicolas Pépé, o homem que permitiu a reviravolta na última jornada no Emirates Stadium, cobrou um livre que encontrou bom destino na cabeça do central Mustafi que inaugurou o marcador.

Curiosamente, o golo sofrido serviu de mote para o Guimarães regressar ao seu melhor momento. Não se sabe se foi orgulho ferido, se foi a possibilidade de mais um desaire na Liga Europa depois de (mais) uma boa exibição, se foram aqueles milhares de adeptos que, num dia de chuva, a uma hora estranha (15h50), não deixaram de se ouvir um segundo que fosse no D. Afonso Henriques. Talvez tenha sido tudo isto a elevar Bruno Duarte até ao golo do empate.

Aconteceu assim: Edwards cruzou na direita e Rochinha cabeceou para o segundo poste, onde Bruno Duarte, de pontapé de bicicleta, fez o golo do empate.

No tempo extra, um remate de Bonatini desviado por Mustafi quase dava autogolo e Rochinha fez uma bola rasar o poste. Mas no final a história manteve-se e a falta de sorte esteve sempre presente.

A moral não é traduzível das exibições a que assistimos esta noite em Guimarães, caso contrário o Arsenal não estava praticamente nos oitavos-de-final e o Vitória fora das competições europeias. Será caso para dizer: para quê ter Mia quando se pode ter Pépé?

créditos: MIGUEL RIOPA / AFP

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

Frase que Emiliano Martínez terá dito à defesa do Arsenal nos dois livres praticamente consecutivos em que dois buracos gigantescos deixaram que dois jogadores do Vitória aparecessem isolados para cabecear na sua cara.

Emiliano Martínez, a vantagem de ter duas mãos

Não fosse Emiliano Martínez e o Arsenal não poderia ter chegado à meia-hora de jogo em condições de discutir o jogo. O guarda-redes argentino foi o grande responsável pela infelicidade vimaranense.

Bruno Duarte da Silva — fica na retina o bom jogador de futebol

Se um golo de pontapé de bicicleta no tempo extra, que vale à equipa o primeiro ponto na Liga Europa, não cheira a bom futebol, então não sei a que cheira.

Nem com dois pulmões chegava a essa bola

Com este futebol, o Arsenal de Unai Eméry não promete chegar nem à bola, nem a lado nenhum. Depois da saída histórica de Arsène Wenger, pedia-se mais ao sucessor do francês no banco do Emirates, mas tudo o que esta época deu aos adeptos dos Gunners foi um futebol muito aquém do que uma equipa da dimensão do Arsenal pode e deve apresentar.

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