A frota de sete barcos que compõem a Volvo Ocean Race (VOR) deixou ontem a cidade brasileira de Itajaí com destino a Newport, Rhoad Island, nos Estados Unidos da América.

5700 milhas náuticas (10,5 mil km) e uma previsão de viagem de 18 dias separam o segundo porto brasileiro, localizado no estado de Santa Catarina e uma das mecas da náutica mundial, palco outrora da America’s Cup e conhecida igualmente por ser a “Casa Branca de Verão” de dois carismáticos presidentes norte-americanos, Dwight Eisenhower e John Kennedy, com este último a contrair matrimónio com Jacqueline Kennedy nesta localidade da Nova Inglaterra, que dista um pouco mais de 100 km de Boston.

A equipa chinesa da Dongfeng, que participa pela segunda vez consecutiva na VOR, partiu na liderança na classificação geral com um ponto de vantagem face aos espanhóis da MAPFRE.

Depois da dureza da etapa que ligou Auckland, Nova Zelândia, à cidade de Itajaí, Brasil, a 8ª etapa será um pouco menos dura fisicamente, mas “mais stressante”, “muito tática” e “mais complicada e exigente a nível de navegação”, descreve Carolijn Brouwter, em declarações ao SAPO24 no Brasil, durante um dia de treinos que antecedeu a regata rumo a Norte.

Deixando em definitivo o Hemisfério Sul (onde é outono) e entrando no Atlântico Norte (onde é primavera) mais que uma viagem contra diferentes fusos horários será uma subida, com uma curva à esquerda, contornando o Recife (a esquina do Brasil), enfrentando a “corrente” brasileira, passando o paralelo do Equador, para depois manter-se durante grande parte da etapa no mesmo meridiano até aportar na cidade dos “ricos” e das mansões coloniais.

A passagem e a imprevisibilidade do Anticiclone de Santa Helena (zona subtropical de Altas Pressões), o regresso ao Equador e aos Douldrums (zona de calmaria de ventos), onde se “pode passar um, dois dias, ou cinco dias”, detalha a velejadora holandesa do barco chinês, que regista ainda a “Corrente do Golfo” como outra das dificuldades da perna que leva os barcos do Brasil aos Estados Unidos da América.

A ajuda do meteorologista e a importância da travessia para a Europa

Todas essas dificuldades foram analisadas ao pormenor por Marcel van Triest, meteorologista da equipa que viajou de Palma de Maiorca, onde reside, até ao Brasil para discutir com Pascal Bidégorry, navegador, os ventos e o tempo que espera a frota nos próximos dias.

Tendo estudado a meteorologia desta zona “nos últimos anos” e analisado o percurso feito pelos barcos “nas últimas edições”, adianta que o desafio mais imediato para as equipas, do ponto vista tático, será, por exemplo, “as múltiplas escolhas” a fazer para enfrentar “os sistemas de Altas Pressões”.

Contando com o regresso a bordo do veterano Kiwi (neozelandês) Stuart Bannatyne, que contabiliza sete Voltas ao Mundo com a Volvo Ocean Race, o atual líder da edição 2017-2018 arrancou do porto brasileiro com o pensamento na travessia atlântica que fará a ligação entre Newport e Cardiff, no País de Gales, que terá pontuação a dobrar.

Com a mente já na travessia para a Europa, “as próximas duas etapas são as mais importantes para nós”, frisou Bruno Dubois, diretor da equipa. Reconhecendo ter um “feeling” que a luta “pode ir até ao fim”, sublinha que a tripulação está focada em “ganhar”, visando, por isso, “manter a MAPFRE distante”, adiantou. “Estamos na frente e temos que aprender a estar na frente”, atirou.

Sobre a liderança, Charles Caudrelier, skipper francês, admite que se “não cometerem erros” podem ter “grandes hipóteses de ganhar” no final do mês de junho na chegada a Haia, Holanda.

A forma como se lida com a pressão da liderança poderá determinar quem chegará em primeiro quando a regata de circum-navegação terminar. “A pressão será entre nós e a MAPFRE. E a diferença entre o primeiro e o segundo é sobre como consegues lidar com a pressão”, reconhece.

E caso vença com a equipa chinesa “será a minha medalha ouro”, desvenda. Algo que o velejador chinês, Chen Jinhao, conhecido como “Horace”, acredita que será possível. “A equipa, o povo e o barco estão preparados para a luta pelas últimas quatro regatas”, assevera.

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