MAPFRE, Team Brunel e Dongfeng Race Team disputam ao milímetro a vitória na edição 2017-2018 da Volvo Ocean Race, regata de 45 milhas náuticas que deu a volta ao mundo, iniciada a 22 de outubro de 2017, em Alicante, Espanha e que chega hoje, 24 de junho de 2018, a Haia, na Holanda.

Com os espanhóis da MAPFRE e os holandeses da Team Brunel com 65 pontos e com o barco de bandeira chinesa com menos um ponto, esta é a luta pela vitória mais apertada em 45 anos de história da viagem de circum-navegação.

Depois de terem partido de Gotemburgo no passado dia 21 para a reta final desta epopeia de 11 etapas, nenhuma das equipas do pódio deu tréguas nesta batalha a três ao longo das últimas 700 milhas náuticas (cerca de 1.260 quilómetros).

O Rei Juan Carlos, Rei Emérito espanhol, que fez as honras da largada da 13ª edição da VOR em Alicante, acompanhado pela Infanta Elena, marcou presença na etapa em Cardiff (País de Gales) e testemunhou a partida de Gotemburgo (Suécia), mostrando o apoio da família real à equipa espanhola liderada pelo velejador Xabi Fernández.

Em Haia, local da residência do Rei da Holanda, Willem-Alexander, espera entregar a "coroa" ao barco de bandeira holandesa, Team Brunel, de Peter Burling e do skipper Bouwe Bekking que já participou por oito vezes neste "Everest dos Mares", embora nunca tenha ganho.
Recorde-se que no final da 6ª etapa, o Team Brunel era penúltimo na classificação geral, mas os dois triunfos nas etapas com pontos a dobrar e um segundo permitiram estar a disputar um título que podem celebrar à chegada a casa.

Sem realezas em terra, o skipper Charles Caudrelier é a esperança de, pela primeira vez na história da regata, um barco do "Império do Meio" sair vencedor.

Se na frente da classificação está tudo em aberto, o mesmo se passa no fim da tabela com as duas últimas equipas, o SHK / Scallywag (30 pontos), de António Fontes e o Turn the Tide on Plastic, barco com bandeira portuguesa (Fundação Mirpuri) separados por um ponto. Bernardo Freitas, velejador português está a bordo, ele que iniciou em Alicante esta aventura portuguesa pelos mares, uma aventura dividida ao longo das 11 etapas com Frederico Pinheiro de Melo. 

A frota de sete barcos da Volvo Ocean Race deverá chegar entre as 17h00 e as 19h00 a Haia, hora local (menos uma hora em Portugal).

Duas mortes e um recorde que fica em família

Completadas as 45 milhas (83 mil km) e onze etapas que passaram por 12 cidades, navegando por 4 oceanos e 6 continentes, a cidade de Haia é a última paragem da VOR.
A 13ª edição da Volvo Ocean Race, considerada uma das mais exigentes, ficou marcada por dois acidentes mortais. Em Hong Kong um pescador morreu devido a uma colisão com a embarcação do Vestas 11th Hour Racing.

Na travessia dos Mares do Sul, na sétima etapa, entre Auckland (Nova Zelândia) e Itajaí (Brasil), John Fisher, velejador inglês da Sun Hung Kai/Scallywag, que participava pela primeira vez na VOR, perdeu a vida a 1400 milhas náuticas a oeste do Cabo Horn.
Fatalidades à parte, a edição da Volvo Ocean Race fica marcada também pela quebra de um recorde. Na perna transatlântica, entre Newport (EUA) e Cardiff (País de Gales) entrou para a história da Volvo Ocean Race com quebras de milhas percorridas em 24 horas, com seis das sete equipes a superaram a melhor marca para um barco modelo VO65.

O destaque vai para a tripulação da AkzoNobel, que durante a disputa da nona etapa da Volvo Ocean Race, no Atlântico, conseguiu percorrer 601,63 milhas náuticas em um dia. Um recorde que estava nas mãos do Ericsson 4, em 2008-2009, barco comandado pelo brasileiro Torben Grael, pai de Martine Grael (que integra a AkzoNobel), com 596 milhas náuticas, velejadora que, assim, "rouba" o recorde do pai.

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