“É a primeira vez que vamos ter um exercício que fecha com um endividamento inferior a 100 milhões de euros”, elogiou o responsável, em entrevista à Benfica TV

O Benfica anunciou há uma semana um empréstimo obrigacionista de 35 milhões de euros, o que fará esse endividamento “subir para os 130 milhões de euros”.

“Ainda assim é um valor muito baixo para uma entidade como a nossa, que, como grupo, está a faturar cerca de 300 milhões de euros. Já tivemos alturas em que o nosso endividamento era duas a duas vezes e meia a nossa faturação, e se este for o número, o endividamento será de cerca de um terço do valor da faturação”, destacou.

Recordou que a operação do empréstimo obrigacionista com vencimento em 2023 tem uma taxa de financiamento que se fixará entre os 5 e os 6%, “com condições de mercado que são muito boas”.

“Hoje não há nenhuma operação de financiamento que esteja a ser proposta a clubes de futebol que não seja com um custo de financiamento superior a 10%”, sublinhou.

Na entrevista horas depois de ter sido chumbado por maioria, em Assembleia-Geral (AG), o orçamento para a época 2020/21, no ponto único da reunião magna, o dirigente desvalorizou a hipótese de uma “crise” financeira no clube, muito menos uma que se revele “irrecuperável”.

“Todos vão ter de contrair, naturalmente. Todos vão ter de baixar alguma coisa nas suas expectativas de investimento, mas não antevejo uma crise e, sobretudo, uma crise irrecuperável”, disse.

O orçamento ordinário de exploração, o orçamento de investimentos e o plano de atividades elaborados pela direção registou o voto desfavorável de 48,28 por cento dos sócios (18.329 votos), contra 47,79 por cento de votos a favor (18.143). Na votação, em que participaram 1.505 associados, correspondentes a 37.965 votos, houve ainda 3,93 por cento dos sócios que se abstiveram.

Domingos Soares Oliveira entende que “do ponto de vista do futebol” avançar com o empréstimo obrigacionista em curso “é muito positivo”, pois defende que isso “significa o retomar de alguma normalidade”.

“Se esta operação correr bem, além do elogio da coragem de se avançar numa fase destas, é também um sinal positivo para todo o mercado”, defendeu o gestor, certo de que se as suas expectativas de receita se mantiverem, “os exercícios têm obrigação de correr razoavelmente bem”.

Neste caso, falou em “impacto nulo nas receitas televisivas”, elogiou a “agradável surpresa” quanto aos números da quotização e assumiu um “impacto maior” nas receitas de bilheteira, já que a pandemia da covid-19 obriga a jogos à porta fechada, sem público.

“O impacto do ponto de vista de transações será moderado. Haverá menos e haverá transações por valores mais baixos, mas haverá transações”, acrescentou.

Em termos de opções de gestão, assume que “reembolsar o endividamento todo” que o Benfica contraiu “permite libertar as garantias todas, libertar hipotecas sobre determinados bens imóveis e outro tipo de garantias”.

Destacou o “impacto significativo” nas ligas que não concluíram o campeonato, recordando que as operadoras disseram que não haveria dinheiro sem jogos, contudo diz ter recebido feedback de “um certo respirar” de colegas responsáveis por clubes espanhóis, italianos e alemães.

“Toda a gente está cautelosa, mas com uma mensagem positiva. O facto de conseguirmos fazer as finais das competições europeias é um sinal positivo, porque significa, para esses clubes e para a UEFA, que é importante, porque os patrocínios se mantêm e conseguimos todos manter as receitas que temos para este ano e para o próximo”, concluiu.

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