Foto da página de Facebook da Bordal.

"O sector [do bordado] não é muito dinâmico, estando estagnado no tempo", disse à agência Lusa um dos sócios da empresa, João Vacas, apontando que a situação se agravou nesta atividade tradicional da Madeira com o fecho de algumas fábricas. João Vacas reconhece, no entanto, que ainda há mercado para este tipo de produto”, com a sua empresa a apostar na "simplificação” dos desenhos, mas “sem perder as características dos tradicionais do bordado Madeira". Também investiu na criação de novos desenhos adaptados "ao gosto e tendências atuais".

O Bordado Madeira nasceu no século XIX pela mão da inglesa Elizabeth Phelps, que fundou um atelier no Funchal para ensinar a arte a jovens da ilha, e no decorrer do século XX era já uma das principais atividades profissionais desenvolvidas pelas mulheres madeirenses, dada a possibilidade de conciliação com as lides domésticas e contribuindo para a economia familiar.

"A maioria das fábricas parou no tempo e não melhorou a organização, mantendo processos de trabalho muito antiquados e, por isso, pouco eficientes e dispendiosos", afirmou, ressalvando que a Bordal mantém, apesar das inovações, a produção "tal qual era há 150 anos". A Bordal está, também, a apostar no comércio online, com a possibilidade de as compras poderem ser enviadas para qualquer parte do mundo. O projeto a ser desenvolvido e em 2017 deve estar completamente disponível. "Há pouco tempo recebemos uma encomenda de uma pessoa da Cidade do México, porque foi ao nosso site e gostou de umas determinadas toalhas e fez a encomenda", afirmou.

Atualmente, as encomendas chegam dos Estados Unidos da América, de Inglaterra, França e do mercado árabe. "As vendas têm-se mantido estáveis e, em 2015, tivemos um crescimento na ordem dos 5% e a perspetiva para este ano será a de manter este nível, sendo que em 2017 é intenção aumentar os lucros, com a vertente do comércio online", afirmou.

O volume de negócios da Bordal, em 2015, ascendeu aos 650 mil euros, provenientes em 35% da exportação e os restantes 65% do mercado regional. Aliás, o mercado regional continua a ser aquele que mais compra, sendo que em 2015 o mercado global do bordado, de acordo com os dados da Direção Regional de Estatística, correspondeu a 950 mil euros.

A inovação nos desenhos valeu à empresa a presença, em 2014, nos Emirados Árabes Unidos, a convite da embaixada de Portugal. "Fomos a uma feira muito exclusiva em termos dos seus visitantes e conseguimos uma série de vendas, além de que tivemos acesso ao palácio presidencial, em Abu Dhabi, e tivemos a oportunidade de vender algumas peças a uma das princesas", contou.

Mas a internacionalização da Bordal não se fica por aqui. Em 2015 mantiveram com a marca Channel uma parceria "privilegiada", na qual executaram "nove golas para blusas em bordado madeira”. João Vacas admitiu, por outro lado, que "já existem contactos para que, em 2017, haja mais bordado Madeira na casa Channel".

A Bordal foi fundada em 1962 e possuiu no seu acervo cerca de 40.000 desenhos, para os segmentos de mesa, cama e bebé.

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