“[Devemos] enfrentar os desafios e reforçar a nossa confiança”, apontou um artigo na primeira página no Diário do Povo. “Os fundamentos do crescimento económico da China no longo prazo não se alteraram e somos totalmente capazes de estabilizar a tendência positiva de desenvolvimento da utilização de capital estrangeiro”, assegurou a publicação.

De acordo com o Ministério do Comércio, o investimento estrangeiro direto na China aumentou 26,1%, para 74,47 mil milhões de dólares (70 mil milhões de euros), nos primeiros quatro meses do ano.

“Na premissa de manter o montante total de investimento estrangeiro basicamente estável, devemos continuar a otimizar a estrutura de utilização do capital”, acrescentou o artigo.

“A política de estabilização do investimento estrangeiro vai continuar a ser reforçada e os esforços para atrair investimento estrangeiro serão intensificados (…) Um mercado chinês mais aberto oferece mais oportunidades para o desenvolvimento das empresas de todo o mundo”, assegurou o Diário do Povo.

O artigo ecoou as declarações do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, num simpósio realizado na semana passada com grupos empresariais estrangeiros, onde destacou o enorme potencial do mercado chinês.

“Estamos dispostos a fortalecer os intercâmbios e a cooperação com empresas de todo o mundo, aprimorar o entendimento mútuo, procurar mais consenso e lidar adequadamente com conflitos e diferenças”, destacou Li, durante um simpósio organizado pelo Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT).

Ao fazer o discurso principal do evento, o Presidente chinês, Xi Jinping, reiterou a sua promessa de que a China vai abrir as portas “cada vez mais” para os investidores estrangeiros. “A China não vai mudar a sua determinação de se abrir ainda mais”, afirmou Xi.

Cerca de 30 instituições e empresas multinacionais participaram do evento, incluindo representantes das câmaras de comércio europeia, norte-americana e japonesa.

As preocupações dos investidores sobre o mercado chinês têm-se acumulado, face a uma intensa campanha regulatória que atingiu o setor tecnológico do país e a insistência em medidas de bloqueio para conter a Ómicron, uma variante altamente contagiosa do novo coronavírus.

Pelo menos 32 cidades na China estão sob bloqueio total ou parcial.

As restrições afetaram praticamente todos os negócios, resultando em choques generalizados na cadeia de fornecimento e um êxodo de expatriados, sobretudo em Xangai, a ‘capital’ financeira do país.

Isto exacerbou também uma queda nas ações das empresas chinesas. As ações chinesas negociadas nos Estados Unidos afundaram 75% em relação ao seu pico, eclipsando as perdas durante a crise financeira global em 2008.

Uma pesquisa da Câmara de Comércio da Alemanha, realizada no início deste mês, mostrou que 28% dos funcionários estrangeiros de 460 empresas inquiridas estão a planear deixar a China antes ou após o vencimento dos seus contratos atuais, devido às medidas de prevenção epidémica.

Um outro relatório da Câmara de Comércio da União Europeia na China descobriu que 23% das empresas inquiridas estão a considerar mudar os seus investimentos atuais ou a investir antes noutros países.

Um inquérito da Câmara de Comércio dos Estados Unidos também revelou que mais de metade dos entrevistados já adiou ou reduziu os seus investimentos na China.

Li Keqiang reconheceu que as empresas estrangeiras estão a enfrentar obstáculos nas cadeias de fornecimento e serviços logísticos. “Vamos continuar a abordar as preocupações gerais de todos e a procurar soluções para os problemas [das empresas estrangeiras]”, disse Li.

Pequim prometeu repetidamente expandir a abertura e continuar a melhorar o ambiente de negócios para as empresas estrangeiras. Mas questões de longa data, como barreiras de acesso ao mercado, riscos regulatórios e regras discriminatórias subsistem. Tensões geopolíticas aumentaram também os riscos.

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