“A Efacec é estratégica e essencial para o país. Esta nacionalização tem de ser definitiva e tem de ser seguida da integração da empresa no setor empresarial do estado, só assim serão assegurados os postos de trabalho, os direitos dos trabalhadores e o seu futuro”, considerou o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte).

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Site-Norte reivindicou ainda que o Governo deve pôr imediatamente termo à suspensão temporária do contrato de trabalho ('lay-off'), que abrange os trabalhadores da Efacec há três meses.

“Os trabalhadores estão revoltados porque vêm os seus salários serem injustamente cortados, as suas famílias a passarem dificuldades e ao mesmo tempo que isto acontece alguns postos de trabalho estão a ser ocupados por empresas externas. Isto é inadmissível e o Governo tem de intervir”, considerou.

O sindicato lembrou no mesmo comunicado, que desde 2017 “vem exigindo do Governo uma intervenção na Efacec, tomando as medidas necessárias para a defesa dos postos de trabalho e a valorização dos trabalhadores”.

“Em janeiro de 2020, em reunião com o secretário de Estado da Economia e o secretário de Estado do Trabalho, defendemos que a Efacec devia ser colocada ao serviço do país e que isso só seria possível com a sua nacionalização”, salientou o Site-Norte.

Por isso, considerou que a nacionalização temporária anunciada na quinta-feira pelo Governo “vai contra o que os trabalhadores e o Site-Norte defendem e afronta o interesse nacional”.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira o decreto de lei para nacionalizar "71,73% do capital social da Efacec", com o objetivo de viabilizar a sua continuidade e salvaguardar os seus 2.500 postos de trabalho.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, "a intervenção do Estado deve ainda ser feita por período restrito no tempo e com vista à resolução temporária da respetiva situação, estando prevista a sua imediata reprivatização, a executar no mais curto prazo possível".

Este processo decorre da saída de Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos do capital da Efacec, na sequência do envolvimento do seu nome no caso 'Luanda Leaks', no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou, em 19 de janeiro passado, mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros da empresária e do marido que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.

A empresária angolana tinha entrado no capital da Efacec Power Solutions em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves, que continuam ainda a ser acionistas da empresa, enfrentando atualmente o grupo sérias dificuldades de financiamento devido à crise acionista que atravessa.

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