"A Holanda era e é contra a ideia dos eurobonds [ou coronabonds]. Achamos que criará mais problemas do que soluções para a União Europeia", escreveu Wopke Hoekstra, ministro das Finanças holandês, na rede social Twitter.

A mensagem foi publicada depois do fracasso dos ministros europeus das Finanças em conseguirem chegar a um acordo em relação a uma resposta económica comum para a crise atual, após uma noite de negociações.

O ministro holandês reiterou a posição do seu país sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE).

"O MEDE é o credor, ao qual se deve recorrer em último lugar, quando os países estão em grandes dificuldades financeiras. Na nossa opinião, o seu uso deve estar associado a certas condições", acrescentou.

Os países mais afetados pelo coronavírus - principalmente Itália e Espanha - continuam a pedir a criação de um instrumento de dívida compartilhada (os "coronabonds", ou "eurobonds") e apostam em recorrer ao MEDE sem condições.

A proposta consistiria em um fundo temporário de centenas de bilhões de euros ("3% do PIB europeu") para financiar os serviços públicos essenciais (saúde), os setores ameaçados (transporte, turismo) e novas tecnologias.

Nessa mesma linha, a Alemanha reforçou hoje a recusa à mutualização das dívidas na Europa.

A reativação da economia europeia é possível "com ferramentas muito clássicas" e já existentes como, "por exemplo, o orçamento da União Europeia", afirmou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz.

"Basta concentrarmo-nos nestas ferramentas", disse Scholz à imprensa, em resposta ao pedido dos países do sul para que se use os "coronabonds".

Scholz disse, porém, estar "otimista" em relação às possibilidades de alcançar rapidamente um acordo unânime entre todos os países da zona euro para responder ao impacto económico da pandemia que assolou a Europa nas últimas semanas.

A mutualização da dívida é um limite que países como Alemanha e Holanda não desejam cruzar. Não querem se comprometer com um empréstimo comum aos países muito endividados do sul, os quais acusam de certa leniência na sua gestão da crise.

O fracasso da reunião de ministros das Finanças dos países da zona euro reflete, mais uma vez, as divisões no continente para se chegar a uma resposta conjunta. Uma cúpula de chefes de Estado e de governo realizada em 26 de março também não teve resultado.

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