"É um embuste porque a maior parte das pessoas, a esmagadora maioria das pessoas, que pretenda ou precise de circular na A23 ocasionalmente não vai ter qualquer desconto e, por outro lado, é tentar obrigar as pessoas a andarem na autoestrada para terem algum desconto", apontou Luís Garra, da União de Sindicatos de Castelo Branco, uma das entidades que engloba a plataforma.

O sindicalista falava aos jornalistas no fim de uma Assembleia Cívica que decorreu na Covilhã, distrito de Castelo Branco, com o objetivo de marcar formas de luta contra o pagamento de portagens nas ex-Scut (vias sem custos para o utilizador).

A iniciativa, que estava previamente marcada e que juntou mais de uma centena de pessoas, realizou-se praticamente à mesma hora em que o Governo anunciou descontos no pagamento de portagens nas ex-Scut, nomeadamente de um desconto de 25% a partir do oitavo dia de utilização para os veículos de passageiros.

Segundo a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, a redução entrará em vigor a partir de 01 de janeiro de 2021 e também prevê um desconto harmonizado para os veículos de transportes de mercadorias e de passageiros, que passa de 30% para 35% durante o dia e de 50% para 55% durante a noite, fins de semana e feriados.

A notícia rapidamente chegou à Assembleia Cívica, mas não agradou aos presentes, que aprovaram, por unanimidade, a realização de uma marcha lenta no dia 20 de novembro, com partidas da Guarda, Covilhã e Castelo Branco para convergir no Fundão.

"Estamos completamente contra este modelo", frisou Luís Garra, exigindo novamente a abolição das portagens até ao final da legislatura e a suspensão imediata dos pagamentos, até se definir um modelo adequado de redução.

"Vamos mostrar ao Governo que não nos cala, não nos engana porque o que está a tentar fazer é um engano. A senhora ministra [da Coesão Territorial] não andou bem", frisou Luís Garra, que mantém em cima da mesa a possibilidade de a luta endurecer.

Um descontentamento que é partilhado por José Gameiro, da Associação Empresarial da Beira Baixa, que considera que os descontos não servem o tecido empresarial local, que é essencialmente constituído por micro e pequenas empresas.

Para este responsável, a redução para os veículos de transportes de mercadorias foi pensada para ajudar as grandes empresas, que têm "grandes frotas", mas deixa de fora as "pequenas empresas", que normalmente usam veículos ligeiros nas suas atividades.

Já Luís Veiga, do Movimento de Empresários pela Subsistência do Interior, destacou que este desconto também deixará de fora os turistas: "Mas quem é que vem oito vezes à Beira Interior em turismo, para ter um desconto de 25%? Estão a brincar connosco?", questionou.

A Plataforma Pela Reposição das Scut na A23 e A25 integra sete entidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, nomeadamente a Associação Empresarial da Beira Baixa, a União de Sindicatos de Castelo Branco, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, o Movimento de Empresários pela Subsistência pelo Interior, a Associação Empresarial da Região da Guarda, a Comissão de Utentes da A25 e a União de Sindicatos da Guarda.

a A23, também identificada por Autoestrada da Beira Interior, liga Guarda a Torres Novas (A1). A A25 (Autoestrada Beiras Litoral e Alta) assegura a ligação entre Aveiro e a fronteira de Vilar Formoso.

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