“São preços obscenos, para não dizer pornográficos”, declarou o deputado do PSD Bruno Melim no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, numa intervenção no período de antes da ordem do dia.

A questão foi suscitada pelo parlamentar da bancada social-democrata Carlos Rodrigues, que afirmou que “um jovem da Madeira que pretenda vir a casa no Natal vai pagar na TAP 1.143 euros”.

Os deputados recordaram que estes preços são praticados por uma companhia aérea cujo capital social é detido em 72,5% pelo Estado, considerando que o Governo da República olha para Portugal “como começando em Braga e terminando na ponta de Sagres”, sem assumir a sua dimensão atlântica.

Bruno Melim indicou que os preços exigidos pela TAP no Natal são “duas vezes e meia mais caros do que numa companhia inglesa”, pelo que os estudantes madeirenses que frequentam estabelecimentos de ensino no continente apenas conseguem regressar nestas alturas à região devido ao programa “Estudante Insular”.

Com base neste programa implementado pelo Governo Regional, os estudantes residentes na Madeira pagam apenas 65 euros nas viagens entre a ilha e o território continental

O deputado referiu que o Orçamento do Estado para 2021 inclui verbas para o subsídio de mobilidade apenas para as viagens aéreas, mas recusa resolver o problema das ligações marítimas com o continente, lançando essa responsabilidade financeira para o Governo Regional.

O líder parlamentar do PS/Madeira, Miguel Iglésias, admitiu concordar com as críticas feitas à TAP e considerou “uma vergonha o que tem de pagar” uma pessoa que queira viajar nesta altura, pelo que propôs que os partidos na região “trabalhem em conjunto sobre esta matéria, para tentar resolver este problema”.

Também no período de antes da ordem do dia, o líder parlamentar do CDS, António Lopes da Fonseca, censurou o executivo nacional por ter decidido “recorrer à almofada do Fundo de Estabilização da Segurança Social”, subtraindo verbas que vão acabar por conduzir ao seu “esgotamento” e colocando em causa o pagamento de pensões no futuro.

“Toda esta realidade é deveras preocupante”, disse.

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