"A trajetória da pandemia é bastante desafiante e temos expectativas modestas para a época do turismo este verão", disse a analista à Lusa, acrescentando que "as coisas não vão voltar ao normal" nessa época.

A analista, que falava à Lusa após a videoconferência "Tendências de Crédito - Oportunidades de Crescimento de Portugal pós-pandemia", organizada pela agência de notação financeira, assinalou, no entanto, que haverá algum nível de atividade turística.

"Certamente esperamos que haja algum nível material de atividade turística e claro que com as vacinações algumas pessoas vão sentir-se muito mais livres para sair, andar de avião, ficar em hotéis ou ir a restaurantes, especialmente nos meses de verão", afirmou.

Segundo Sarah Carlson, o nível normal relativo, por exemplo, às viagens aéreas "levará algum tempo a recuperar", mas há outros fatores que entram na contabilidade, como a forma como se viaja para o destino turístico ou a quantidade de turistas domésticos.

"Portugal não tem tantos turistas domésticos como a França ou Itália, mas ainda tem um número razoável", disse a analista da Moody's à Lusa, lembrando a "grande diáspora portuguesa".

"Não são alemães ou holandeses a ir para Portugal, são pessoas portuguesas a viver em outros países europeus a viajar não só para ir de férias mas também para ver as suas famílias e amigos", um tipo de viagens "que é um pouco mais resiliente que o turismo puro".

Sarah Carlson referiu que "Portugal é certamente um dos países mais dependentes do turismo na Europa", algo que tem "vantagens e desvantagens", mas está numa posição mais favorável que "algumas economias de ilhas, que também têm uma população mais pequena".

Para o resto do ano, a analista antecipou ainda que os fundos europeus possam chegar "mais para perto do final do ano".

"O que é mais importante, de uma perspetiva do 'rating', é como é que os fundos são utilizados para fomentar o potencial de crescimento a longo prazo", sendo "muito mais fácil gastar o dinheiro e fomentar o crescimento a muito curto prazo, mas os programas de realmente muito boa qualidade terão um impacto positivo" posteriormente.
"O maior problema estrutural é que Portugal tem um crescimento potencial relativamente baixo", referiu, dizendo ainda que "as reformas na educação são sempre algo de que se fala bastante, tal como a requalificação, a manutenção de trabalhadores em áreas diferentes da economia", que poderão ser abordadas pelos fundos.

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