O Benfica sugeriu neste Domingo que fossem nomeados árbitros estrangeiros para os seus jogos e para os do FC Porto. Luís Filipe Vieira veio ontem reforçar esta ideia de ter árbitros de fora. Em princípio, isto é a chamada projecção freudiana. Um mecanismo de defesa que leva a que as pessoas vejam nas outras os defeitos que, na verdade, são elas a ter. Luís Filipe Vieira esqueceu-se de ir contratar jogadores ao estrangeiro em Janeiro - agora quer que alguém vá contratar árbitros.

Árbitros estrangeiros parece-me uma solução altamente falível. Vieira diz que os árbitros estrangeiros não estão conotados com o Benfica ou com o Porto. É possível, mas não é certo. Os árbitros têm tempo livre para jogos de simulação de futebol. Quem nos garante que, a jogar online, não apanharam um cabaz de um puto de 11 anos da Nazaré que estava a jogar com o Benfica? Quem nos garante que não foram despedidos do FC Porto a jogar FM em 2006? Não sabemos.

Esta ideia de que os árbitros estrangeiros não poderiam ser condicionados ignora que vivemos num mundo global. Tenho a certeza de que pouco mudaria. Seria apenas uma questão de tempo até lermos as notícias: “Adepto do Benfica Agride Árbitro Londrino Com Uma Cabeçada no Harrod’s”; “Adeptos do Porto Seguem Árbitro Dinamarquês Até À Sua Habitação nas Ilhas Faroé” e “Talho Halal de Árbitro Turco Vandalizado em Istambul por Adeptos do Sporting”.

A única vantagem de ter árbitros estrangeiros é que eles viriam para cá, arbitravam, passado uns anos compram uma casa em Lagos e não se metem mais. É que os árbitros portugueses quando acabam a carreira não se conformam e mantêm uma desmedida ambição pessoal. De ser Presidente da Liga, no caso de Pedro Proença, ou de usar os blazers mais ofensivos de sempre, no caso de Pedro Henriques.

Apesar de tudo, penso que ter árbitros estrangeiros não chega para resolver o problema. Temos de ter árbitros de outros desportos. Um árbitro de corfebol para começar, parece um desporto pacífico. Se não resultasse, um de ténis, para estar de cadeirinha, sem que os jogadores lhe pudessem encostar a cabeça. Talvez um juiz do Dança Com As Estrelas, que sabem sempre tão bem justificar as suas decisões. Se tudo isto falhar, sugiro um crítico de cinema do Público. São implacáveis e não se deixam influenciar de forma alguma.

Enfim, são só os meus dois cêntimos. Que aliás, não só é um estrangeirismo, como é uma moeda que magoa e não deve ser arremessada a árbitros. Nascidos e criados em Estarreja ou naturais do Uzbequistão. Atenção a isso.

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