Nasce o dia na savana. O sol ainda se ergue no horizonte e a vida começa a agitar-se nas planícies despidas que vão intercalando com pequenos oásis de água e flora. Ao longe, um leão majestoso acorda do seu descansado sono.

Ângelo, de seu nome, pavoneia-se por entre as fêmeas do grupo, exibindo a sua juba e o seu porte de rei da selva. Não muito distante, avista uma manada de búfalos que pastam, tranquilos, mas atentos. O leão, desafiando a sua própria genética e natureza, decide investir contra a manada para trazer o almoço e impressionar ainda mais as leoas do seu grupo. Corre e lança-se ao pescoço de um dos enormes animais e, sem analisar bem o risco e as consequências, descura a retaguarda e leva uma cornada violenta na parte traseira. A ferida é profunda e incapacita o leão que tenta afastar-se, a todo o custo, para se resguardar perto do seu grupo. O leão, outrora alfa, é agora o membro mais vulnerável da família e tudo piora quando a septicemia se instala. Está fraco e corre risco de vida e a savana percebe isso. Ao longe, começam a chegar os necrófilos, que esperam a morte do leão para se banquetearem com os seus restos mortais. Os corvos voam em círculos e grasnam, enquanto os abutres caminham à volta, à espera, observando, preparados para que passem dias até que o leão morra. Quase parece prazer estampado dos seus rostos, nesta espera lenta e penosa. Os outros leões tentam proteger o seu e os machos mais fracos que esperavam uma oportunidade para liderar o grupo fingem proteger o seu alfa, rugindo alto, mas apenas chamando atenção para si mesmos, para que todos vejam o quão importantes são.

As suricatas observam ao longe todo o espectáculo. Com vidas pouco preenchidas, tudo aquilo é uma fonte de entretenimento. Ver os animais carniceiros à espera, a correr de um lado para o outro para dar novidades sobre o estado de saúde do leão, é uma forma de as suricatas se esquecerem dos seus problemas e da sua vida monótona.

Aproxima-se mais um grupo de animais que faz festins com a morte: os chacais da manhã. Temidos entre os outros carniceiros, por serem conhecidos por comerem as carcaças até ao osso, sem deixarem nada para ninguém, cercam por todos os lados. Estão todos preparados para a morte. Já têm os dentes afiados e as bocas a salivar. Já conseguem sentir o sabor do sangue e do regozijo que a morte infligida por terceiros lhes vai proporcionar.

Nisto, chegam as hienas que, ao verem todo aquele espectáculo em torno da possível morte do leão, soltam um riso daqueles que lhes é característico. Os abutres, os corvos, os chacais e todos os outros animais, incluindo as suricatas, olham de lado e dizem: "Não se brinca com coisas sérias, o humor tem limites".

Sugestões

Para ver: Nigthcrawler

Para ouvir: Ricky Gervais Show

Para ir: Festival F

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