Uma figura pública é um alvo fácil. É alguém que detém um carisma, um capital de empatia e simpatia, que é reconhecido como pessoa de excepção por razões diversas. Cristiano Ronaldo por jogar à bola, Maria Rueff por ser uma actriz incrível e por aí fora, não creio que seja necessário dar muitos exemplos. Catarina Furtado, de quem gosto muitíssimo e por quem tenho admiração e respeito, é uma figura pública de mão cheia, as razões para a admirarmos são muitas e transcendem a sua prestação na televisão. É uma mulher empenhada em causas sociais, é uma mulher com um percurso realmente louvável. E, como vivemos em Portugal, o mesmo percurso é invejável e passível de ser utilizado por terceiros para alavancar o que bem entendem.

Esta semana, Catarina Furtado denunciou nas redes sociais o abuso praticado por uma marca de produtos ditos de “dieta” ou “regime alimentar” que, utilizando a imagem da apresentadora, actriz e Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas, promove produtos cujos ingredientes, eficácia ou recomendação são francamente questionáveis. Diz Catarina Furtado: “E o que mais me custa nisto tudo, acreditem, não é só andarem a vender produtos à minha custa, utilizando a minha imagem indevidamente, com falsas entrevistas, quando ao longo de 30 anos de carreira tenho sido sempre muito criteriosa na escolha das marcas às quais me associo, mas sobretudo, porque estes produtos fazem mal à saúde (recebi muitas mensagens de pessoas que compraram ao engano e ficaram com problemas no organismo). E sobretudo também, porque ainda têm o descaramento de utilizar como argumento, para tentar passar uma imagem mais credível, o meu trabalho na área da solidariedade! Deixa-me mesmo furiosa”.

A manipulação da imagem de pessoas como Catarina Furtado é uma constante em determinados sectores, nomeadamente na área da cosmética e na área dos produtos para a “dieta”, ou para “perder todos os quilos que não desejamos”. É evidente que Catarina Furtado tem um segredo para a sua boa forma: trata-se, tem cuidado consigo, faz exercício, mantém uma vida saudável. Que pessoas que devoram fast food três vezes por semana, ou mais, se possam sentir tentadas em testar um produto que as redes sociais anunciam como “bombástico” e, para mais, associado a uma figura pública que tantos de nós acarinhamos é apenas isto: ficar à mercê da manipulação e má-fé comercial de algumas pseudo-marcas. Que existam algumas pessoas que ainda caiam nestes esquemas é o que me perturba mais. Afinal, já fomos avisados um milhão de vezes: as redes sociais servem também os propósitos comerciais de muitas marcas e negócios que aparecem e desaparecem. Existem contas com um número significativo de seguidores que são alvo de ataques e de apropriação por forma a angariar seguidores para outras contas. Existem publicações cujo interesse máximo é o motivar os navegadores da web a caírem nas tentações de outras tantas malhas.

Catarina Furtado, como outras figuras públicas (recordo-me de Angelina Jolie, alvo do mesmo tipo de esquema maquiavélico) denunciou, e bem, o abuso da sua imagem e bom nome. O Facebook ou o Instragram são veículos que proporcionam negócios, por isso não têm um comportamento ético digno desse nome, todos os dias estas situações se repetem, em Portugal, no mundo. Os detentores das plataformas que regem as redes sociais limitam-se a sorrir e acenar como os pinguins do filme Madagáscar. Temos pena que assim seja? Sim, e temos pena que ainda existam pessoas que caiam nesta esparrela. Quanto a Catarina Furtado, ainda bem que fez a denuncia. É mais uma prova, se esta fosse precisa, de que certas pessoas têm integridade.

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