Esta semana a União Europeia aprovou uma nova lei que proíbe a maioria dos plásticos de utilização única a partir de 2021. As novas regras proíbem certos produtos de plástico descartáveis, para os quais existem alternativas, como por exemplo, pratos, talheres, cotonetes, palhinhas, entre muitos outros produtos. Os Estados-membros terão ainda de assegurar a recolha seletiva de 90% das garrafas de plástico até 2029. Este é um passo de gigante no combate aos plásticos, que terminam frequentemente nas praias e oceanos, com fortes prejuízos para o nosso meio ambiente.

Esta decisão, é já mérito do movimento dos jovens e das suas greves, em defesa da sustentabilidade do planeta e das mudanças necessárias para o combate ativo de todos os países para as alterações climáticas, pois a pressão pública foi muita e funcionou pela sua dimensão e impacto. Em Portugal, esta greve teve um fortíssimo envolvimento dos jovens, das suas escolas e dos seus professores, tornando-a histórica, simbólica e única.

O movimento liderado por Greta Thunberg, uma jovem de 15 anos sem papas na lingua, e agora candidata ao Prémio Nobel da Paz, teve o mérito de colocar o dedo na ferida na cimeira do Clima COP 24, quando acusou os representantes mundiais de “só falarem das mesmas más ideias” que levaram o mundo “a esta alhada”. E continuou, afirmando na altura: “Até esse fardo, deixam para nós, as crianças. A nossa civilização está a ser sacrificada para um grupo muito reduzido ter a oportunidade de ganhar fortunas.”

Greta Thunberg não estava a falar para Manuela Ferreira Leite, mas se estivesse ninguém estranharia. Manuela Ferreira Leite, ex-ministra da Educação e das Finanças, decidiu, de forma incompreensível, atacar os milhares de jovens portugueses por terem feito greve às aulas quando aderiram a este alerta mundial. No seu habitual espaço de comentário na TVI 24, afirmou que para as crianças “deve ter sido divertidíssimo – foram para a rua gritar e pular", referindo, ainda, que esta iniciativa não foi a melhor forma de lidar com o problema das alterações climáticas. Disse também: “deu-se-lhes a ideia que existe um problema que não é deles” e que “haverá alguém que deve resolvê-lo e por isso eles vão protestar para chamar a atenção para que alguém o resolva”. E isso, apontou, “é exatamente a atitude normal da criança: faz a asneira e espera que alguém a resolva.”

O problema é que as asneiras não foram cometidas no tempo destas crianças, mas sim pelas gerações anteriores e foram fruto da desvalorização sistemática dos temas relacionados com o ambiente, perpetuada pelos políticos e pelas políticas do passado.

Este é um problema de todos, e precisamos da força impulsionadora dos jovens para uma mudança da nossa forma de estar na vida e para que nos ajudem a resolver muitos dos problemas criados por anos de indiferença, e que são hoje uma pesada herança ambiental.

Termino com um apelo a Manuela Ferreira Leite: Pela simpatia pessoal que nutro por si, peço-lhe que se junte a nós neste movimento em prol do ambiente. Por si, pelos seus filhos, pelos seus netos, e pela Humanidade.

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