Nas férias vivemos em família vinte e quatro horas por dia. É completamente diferente do resto do ano, pois vivemos sempre tudo a correr sem saborear os momentos. Os adultos a trabalhar e os mais novos a estudar, todos nas responsabilidades que preenchem rotinas diárias.

Os ritmos são diferentes. Nas férias, desligamos o despertador, acordamos quando calha, vestimos o que for mais simples, calçamos as chanatas, e decidimos a que praia vamos ou que volta vamos dar sem destino traçado. Fazemos tudo em conjunto, numa dinâmica descontraída e divertida.

Na praia, mergulhamos em família. Passeamos pela praia, sem sabermos há quantas horas por lá andamos. Jogamos beachball e futebol sem nos lembrarmos de que já não somos jovens, e uma cartada no areal para alegria dos mais pequenos. Há sempre tempo para mais um mergulho, mesmo que já não nos apeteça, só pela troca de um sorriso. Jantamos fora de horas e revemos amigos e familiares, só porque estamos de férias. Lemos livros sem parar. Porque passamos a ter tempo para fazer o que gostamos.

E é nestas alturas que percebemos que temos mesmo de mudar de vida. Ter mais tempo para nós, para os nossos filhos e companheiros, pois o tempo vai passando por nós mais depressa do que gostariamos.

Nas férias apercebemo-nos que todos os dias perdemos muitas coisas, simples, mas fantásticas e irrecuperáveis: partilhar boas e longas conversas à mesa, experiências, aventuras, e memórias que vão ficando para trás mas que fazem parte do muito que somos hoje. Nestes momentos temos “tempo” para sermos nós, e olharmos com toda a atenção os outros. Sem a pressão da vida dita “normal”.

Na verdade, desligarmo-nos um bocado daquilo que nos prende quase a vida toda, como o trabalho e as responsabilidades do dia-a-dia, não é irrelevante e pode fazer a diferença no nosso equilíbrio emocional.

Se nas nossas férias não conseguirmos desligar do e-mail e do telemóvel, dificilmente conseguiremos ir de férias do trabalho. E é por isso que o patronato, o estado, as empresas, o parlamento e a sociedade deviam discutir este assunto. E garantir que estes momentos não possam ser interrompidos, sistematicamente e sem razão, por e-mails que não param de chegar, por urgências que não podem esperar, nem telefonemas que não podem aguardar.

Toda esta dimensão merece reflexão profunda e medidas concretas no futuro, para garantir que as férias são mesmo um direito inalienável de todos os trabalhadores e não um direito virtual por gozar.

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