O problema do amianto nos edifícios públicos é um assunto sério e um problema grave de saúde pública. Durante mais de uma década, o parlamento e os vários governos fizeram várias leis, resoluções de conselho de ministros, que na base não foram cumpridas, nem o vão ser no futuro, pois implicam um investimento de 400 milhões de euros. A permanência desta situação custa vidas e, se a sociedade civil fosse envolvida, como comunidade que atua por causas e objetivos comuns, já não teríamos este problema na nossa sociedade. Perdemos demasiado tempo na letra da lei e nenhum na estratégia e ação para resolver verdadeiros problemas.

Após uma década, o parlamento vai voltar a discutir o assunto e, mais uma vez, todos os partidos representados no parlamento irão apresentar as suas propostas. E nos últimos tempos, para lá da SOS Amianto, foi criada outra plataforma que junta o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA), a Fenprof e a ZERO, para alertar publicamente para o problema. Mas na verdade, todos estão aquém do que podem fazer para a resolução desta situação. Estou a falar concretamente dos políticos, dos ambientalistas e dos cidadãos. Não chega denunciar, tem que agir civicamente e angariar e mobilizar fundos para a sua efetiva resolução.

Esta situação não pode ser unicamente responsabilidade do governo central. É também responsabilidade de autarquias, empresas, IPSSs, instituições públicas e privadas, universidades, hospitais, escolas, organizações não governamentais do ambiente, e tantos outros que poderíamos continuar a enumerar. Esta mania que persiste, de que o estado central é responsável por tudo, tem que acabar. As comunidades tem que funcionar e nós não podemos deixar de fora a importância da cidadania e intervenção cívica para alterar o que está mal.

Mas o que poderíamos nós alterar?

A titulo de exemplo, e no âmbito das prioridades políticas, algumas autarquias em vez de andarem a fazer rotundas e investimentos em mais betão podiam definir programas de remoção do amianto nos edifícios públicos. A Câmara Municipal de Oeiras em vez de patrocinar a cidade do Natal, poderia erradicar uma das maiores concentrações de amianto existente no país (equivalente a 90 estádios de futebol), mesmo ao lado do complexo desportivo do Jamor. A comunidade escolar em vez de estar preocupada com a recolha de fundos para a viagem de finalistas, poderia mobilizar apoios de empresas locais e dos pais para a resolução desta situação na sua escola. As grandes empresas em vez de patrocinarem concertos podiam patrocinar escolas, edifícios dos bombeiros ou IPSSs para remover o amianto dos seus edifícios.

A cidadania e a responsabilidade social e ambiental das instituições tem hoje uma força poderosa que não pode nem deve ser ignorada. O problema é que continua tudo à espera do Estado, para resolver tudo. Mas o Estado, convém relembrar, somos todos nós.

O fator de proximidade e pertença é determinante para a resolução célere destes problemas. São problemas de âmbito nacional, mas é no local, na proximidade, que está a solução célere. Mais do que pedir ao Estado para resolver tudo, é preciso envolver comunidades e juntar e envolver parceiros para resolver cada um dos problemas. E isso depende da liderança e prioridades definidas por cada uma dessas instituições. Mais do que uma nova lei, precisamos de uma nova atitude e visão para a resolução de problemas da comunidade. Ficar à espera do Estado para resolver tudo é morrermos devagarinho, mas confortavelmente, porque continuamos a pensar que nada teremos que fazer pelo nosso futuro coletivo.

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