Neste Natal, não vamos partilhar mensagens correntes, mas correntes de ar. Graça Freitas deu a ideia, António Costa reforçou-a: esta Consoada é para passar de janelas abertas. Não, não é uma medida exclusiva para quem tem familiares no Brasil e vai passar o Natal à cidade de Natal, é mesmo um conselho para todos os que residem no país em que se preveem mínimas de 6 a 12 graus para essa noite.

Temos de ver pelo lado positivo: o bacalhau vai bem com vinho branco e, desta feita, não vai ser necessário frapé. A avó ou avô não terão de berrar “venham para a mesa!” mais do que uma vez, já que os comensais sentar-se-ão diligentemente assim que as travessas forem dispostas na toalha, pois sabem que tudo ficará rapidamente muito frio. Para além disso, ninguém vai ter de ficar com a responsabilidade de arrumar as sobras, uma vez que a temperatura ambiente conservará na perfeição todas as iguarias até ao almoço de 25.

Confesso que não estava à espera de uma medida tão fácil de pôr em prática como deixar as janelas da sala abertas a 24 de dezembro, sei de famílias que já tinham pedido orçamentos a empreiteiros no sentido de mandar uma parede abaixo, só para ficar mesmo em contacto com a rua. O mínimo era exigir o desmantelamento de todas as marquises do país, para que as residências possam arejar melhor, mas não há coragem política em Portugal. A verdade é que, com a miserável eficiência energética das casas portuguesas, é possível que até fique uma temperatura mais agradável com tudo escancarado.

As dinâmicas da Consoada vão, por certo, sofrer alterações. Acender a lareira é desaconselhado, que a ventania poder conduzir as chamas num ápice para junto do reposteiro. Ademais, as condições meteorológicas verificadas em plena sala também boicotarão qualquer hipótese de se jogar às cartas após o jantar. O clássico momento em que o avô adormece no sofá também é posto em causa, a não ser que o referido avô tenha combatido na Batalha de Estalinegrado e esteja habituado à temperatura hostil.

Genericamente, perder-se-á muito tempo de convívio em conversas sobre caixilharia, sendo que é provável que haja uma acintosa troca de argumentos entre dois irmãos, com diferentes visões sobre os cuidados a ter com a pandemia, sobre se se deve “abrir” ou “bascular” a janela. Contudo, cautela com as discussões mais acesas. Este ano, os vizinhos podem ouvir.

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