O gesto simples de solidariedade, anónimo e de uma evidente boa vontade, criou aquilo que hoje chamaríamos de “efeito viral” - mas na época constituiu apenas uma boa ideia rapidamente replicada por toda a cidade. Até hoje. Cafés, sanduíches, fatias de pizza, são frequentemente “suspensas” por clientes solidários, que deixam pré-pagos estes pratos ou bebidas, que são depois recolhidos por quem deles precisa - e sabe que a tradição, um pouco perdidas nos anos 70 e 80, ganhou nova vida na crise do começo deste século.

Esta parte da História é mais ou menos sabida. Menos conhecido é o facto de, mais tarde, ela ter sido adoptada noutras capitais, e não apenas para satisfazer a fome ou o frio. Foi ampliada aos livros, aos discos, e no limite aos espectáculos. Terá sido por esta via que a directora artística do Teatro São Luiz, em Lisboa, Aida Tavares, quis trazer para o seu palco o “bilhete suspenso” que a surpreendeu em Istambul. Quis e conseguiu.

Hoje, o São Luiz é o primeiro teatro português a ter um bilhete solidário “suspenso”. O comprador paga a sua entrada e ainda metade de uma segunda (a despesa é dividida a meias com o próprio São Luiz), e assim nasce um “bilhete suspenso” disponível para quem, de outra forma, não poderia chegar a ver um espectáculo. Na versão lisboeta, há um conjunto de associações e ONG’s beneficiárias - mas julgo não errar se disser que o sonho de Aida Tavares é ter qualquer espectador sem dinheiro a poder ver os espectáculos do São Luiz.

Na semana em que se discute as “taxas e taxinhas” do Orçamento de Estado de 2017, que se debatem tostões e milhões sob a forma de impressos e registos online, quis contar esta história feliz de solidariedade inteligente.

O mundo e a vida não se fazem seguramente de gestos solidários - mas é dos gestos solidários e destes pequenos passos que podemos todos ser pessoas um pouco melhores. E que se dane o Orçamento.

Experiências e ideias inesperadas…

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