Passos Coelho leva tampas de toda a gente. Está-se mesmo a ver que isto vai sobrar para a última miúda a deixar o bar. Aliás, parece óbvio que o PSD é o bêbedo do fim da festa. Precipita-se tropegamente para cima das raparigas que não arranjaram parceiro, assumindo que querem uma alguma coisa com ele. Sinto que há menos desespero no Urban Beach às 7h da manhã do que na liderança do PSD. A sério, Pedro Passos Coelho faz-se a todas: corre o risco de ser visto como a bicicleta do bairro, o que é estranho já que o partido é contra as ciclovias. Poderá até existir, segundo fontes do partido, uma forte probabilidade de Pedro Passos Coelho estar à procura do candidato à Câmara Municipal de Lisboa no Tinder. Vamos ver se pinga alguma coisa.

Eu digo: arranjem um Trump para Lisboa. É a única hipótese, não há tempo para melhor solução. Alguém que ganhe relevância simplesmente porque vai contra o protocolo. Talvez seja a única maneira de evitarem a humilhação de ficar atrás de Assunção Cristas. Não há outra forma. Precisam de ideias para a estratégia? O Trump lisboeta podia começar por atacar o atual presidente da câmara, usando o argumento de que o seu apelido remete para uma cidade basilar da fundação do Islão – Medina – e que por isso pode espoletar a entrada de radicais no nosso país. Serve? Parece-me um começo decente.

Sinceramente, conseguem entender as potencialidades de um Trump em Lisboa? Não me digam que não resultava. Quantos habitantes do Lumiar não desejam há muito um muro que os separe de Odivelas? Mais, tenho a certeza que um discurso racista contra as populações da Margem Sul garantiria boa parte do eleitorado – o habitante da Margem Norte reza diariamente para que haja limitações à entrada de refugiados do Fogueteiro. Já repararam que quando o lisboeta fala de estrangeiros tem por vezes um ímpeto trumpista? “Ah, eu até sou filho de emigrantes, mas o Martim Moniz, de há uns anos para cá, está cada vez pior!” O lisboeta gosta de dizer que está confortável com a diversidade, desde que a diversidade seja aquela que existia no século XIX. É uma espécie de cosmopolita vintage. Prontinho para ser seduzido por um Trump alfacinha.

Vendo bem, o candidato mais forte a Trump lisboeta é aquele sócio da Padaria Portuguesa. Em primeiro lugar, o homem defende a flexibilização dos horários de trabalho. Isso seria ótimo para melhorar o trânsito em Lisboa (em vez de toda a gente sair do emprego às 17h, os empregados dele sairiam as 23h, o que seria muito útil para a fluidez dos movimentos pendulares). Em segundo lugar, a sua vitória seria praticamente garantida, porque as Padarias Portuguesas são hoje sucedâneas do poder local, instigadoras de lutas de bairro, verdadeiros agentes da política de proximidade. Nesse sentido, tem tudo para ser um populista de sucesso. O pão ele já oferecia, o circo também parece apto para o montar. Apostem nisso.

Recomendações:

Fantastic Mr. Fox – um filme de Wes Anderson, ou como desfrutar de uma animação e mesmo assim parecer cinéfilo.

Avenida Q, um musical que me apetece ir ver sozinho sem dizer a ninguém.

E já que o 1984 está a esgotar em todas as prateleiras do mundo, mandem-se para as crónicas de Orwell em Por Que Escrevo e Outros Ensaios.

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