Falta menos de um mês para o aniversário fictício de Jesus Cristo. Faria 2020 anos, caso tivesse mesmo existido e nascido a 25 de Dezembro, sendo daquelas pobres crianças que juntam o Natal e o aniversário e que, por isso, só recebem uma prenda. A sorte dele é que na altura e naquela zona onde vivia não se usavam muitas meias.

A pandemia teve um grande impacto nas nossas vidas e no nosso quotidiano e a sorte de Jesus foi ter nascido num tempo sem covid, pois tudo teria sido diferente. Primeiro, os Reis Magos teriam ido à vez, já que Maria e José teriam colocado uma folha A4 à porta do casebre a dizer “Apenas um Rei Mago de cada vez no interior”. Em vez de ouro, incenso e mirra, os Reis Magos teriam oferecido álcool-gel, máscaras N95 e mirra. Sim, Baltazar era um negacionista da ciência e achava que a covid era apenas uma gripezita e que se curava com chá de mirra. Tentou entrar sem máscara para visitar o menino Jesus, mas Maria deu-lhe logo um tabefe na cara para ele não ter a mania que era esperto.

Não esquecer que estamos no ano zero, onde a medicina se confunde com a carpintaria, sendo muitas vezes a mesma pessoa a desempenhar ambas as funções, a farmácia ainda se chama alquimia e que para curar uma infecção se esfrega cloaca de galinha atrás das orelhas. Tempos em que os negacionistas da ciência adorariam ter vivido e que, como as vacinas e tudo o resto são mentira, a taxa de mortalidade e esperança média de vida era exactamente a que é hoje. Aliás, no tempo de Jesus poucos teriam morrido de covid, já que se estima que a esperança média de vida andasse entre os 30 e 40 anos. Havia poucos velhos para o coronavírus se alimentar e poucos gordos porque a maioria das pessoas era subnutrida.

Não havendo medicina, a pandemia teria durado anos, acompanhando toda a vida de Jesus. Por isso, Jesus não poderia ter 12 apóstolos, mas sim quatro, porque mais de cinco pessoas no mesmo espaço seria considerado ajuntamento. A não ser na última ceia, onde poderiam estar seis pessoas porque nos restaurantes pode haver mesas de seis só para ninguém ter de ficar à cabeceira, embora no caso das refeições de Jesus não houvesse esse problema, pois como vemos no quadro de Leonardo Da Vinci, estranhamente ficam todos do mesmo lado da mesa. Seria ainda mais perigoso, já que os estudos dizem que o risco de contágio é maior para quem se senta ao lado do que à frente de uma pessoa infectada, mas Jesus era capaz de dizer “Malta, não se preocupem, estão comigo, estão com Deus. Ehehe.”.

Os próprios milagres de Jesus seriam diferentes. Em vez de transformar água em vinho, transformava vinho em álcool-gel e ninguém ficava impressionado com os truques de Jesus a multiplicar o pão, queriam era a multiplicação de ventiladores, mesmo que ainda não tivessem sido inventados. Jesus curaria leprosos e cegos e doentes de covid. Alguns destes últimos ficariam chateados de ter sido curados, já que um dos sintomas da covid é a perda de olfacto e naquela altura as ruas e as pessoas cheiravam todas a bedum e seria uma benção.

Tal como usam uma seringa esterilizada para executar prisioneiros com uma injecção letal, também as cruzes seriam desinfectadas com água e sabão antes das crucificações. Embora, agora que penso nisto, Jesus talvez tivesse sido poupado a uma morte prematura já que nunca teria espalhado a sua palavra. Primeiro, tinha apenas os quatro ou cinco discípulos; depois, não podia dar aqueles sermões onde se juntavam muitas pessoas para ouvir a palavra dele; por último, nunca tinha andado durante 40 dias de um lado para o outro no deserto a ser tentado nem tinha ido pregar para outras terras devido às restrições de mudança de concelho.

Mesmo que ele tivesse sido na mesma crucificado e ressuscitado passados três dias, ao sair da gruta a um domingo à tarde teria sido interpelado pela polícia que o mandava para casa pois já passava das 13h. Jesus ainda tentava enganar a polícia com uma declaração falsa em nome de Deus a dizer que se podia deslocar em trabalho, mas o polícia dizia “Toda a gente sabe que Deus não trabalha aos domingos.” Jesus, em vez de ascender aos céus, voltava para casa para ir ter com a Maria. Fim.

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