90 anos do Holodomor

Rita Sousa Vieira
Rita Sousa Vieira

O 90.º aniversário do Holodomor, a fome causada pelo regime de Estaline na década de 1930, adquiriu novo impacto desde a invasão russa da Ucrânia.

“A Grande Fome” ou “A Fome-Terror” fez, entre 1932 e 1933, cerca de 3,5 milhões de vítimas ucranianas. Aliás, Holodomor significa em ucraniano "exterminação pela fome".

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, garantiu este sábado que o seu povo se manterá firme perante os ataques russos, que têm provocado o corte de energia e água em várias cidades do país, numa altura que as temperaturas do inverno se aproximam.

"Os ucranianos passaram por coisas realmente terríveis. E apesar de tudo mantiveram a capacidade de não obedecer e o seu amor pela liberdade. No passado, quiseram destruir-nos com fome, hoje com escuridão e com frio", afirmou Zelensky, num vídeo publicado no Telegram, citado pela Agência France-Presse.

Numa nota enviada à Lusa, o Governo ucraniano agradeceu a solidariedade de Portugal por ter, em 2017, aprovado uma resolução a classificar como genocídio o Holodomor.

“Amanhã (hoje), 26 de novembro, a Ucrânia recorda as vítimas do Holodomor de 1932-1933 (…) Em março de 2017, o parlamento da República Portuguesa aprovou a resolução n.º 233/XIII [intitulada] ‘Reconhecimento do Holodomor – a Grande Fome de 1932-1933 na Ucrânia’, que classifica o Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano”, indicou uma fonte oficial do MNE ucraniano em nota enviada à Lusa.

A mensagem do Governo de Kiev nomeia mesmo alguns municípios portugueses que se aliaram à iniciativa, como “Grândola, Alcanena, Lagos, Águeda, Abrantes e Braga”, e que “reconheceram o facto do genocídio”.

“Muito agradecemos e respeitamos a solidariedade do parlamento e do povo portugueses com os ucranianos, que sofreram uma das maiores tragédias nacionais da sua história entre 1932 e 1933”, lê-se no texto sobre o Holodomor.

De acordo com o Museu Holodomor, situado em Kiev, até agora, só 16 Estados, além da Ucrânia, reconheceram oficialmente a grande fome como um genocídio: Austrália, Equador, Estónia, Canadá, Colômbia, Geórgia, Hungria, Letónia, Lituânia, México, Paraguai, Peru, Polónia, Portugal, Estados Unidos e Vaticano (esta quarta-feira, o papa Francisco falou sobre o assunto utilizando o termo “genocídio”: “Rezamos pelas vítimas desse genocídio e por tantos ucranianos – crianças, mulheres, pessoas idosas e bebés – que agora sofrem o martírio da agressão”). Alguns outros países, como Argentina, Chile e Espanha, condenaram-no como "um ato de extermínio".

Aos 17 se juntaram agora mais dois, a Roménia e a Irlanda, cujos parlamentos aprovaram esta semana resoluções nesse sentido. Deverá seguir-se-lhes pelo menos mais um, a Alemanha, que já anunciou para a próxima quarta-feira que a questão será debatida e votada na câmara baixa do seu parlamento (Bundestag).

A Rússia rejeita essa classificação, argumentando que a grande fome que assolou a URSS (União Soviética) no início dos anos 1930 não fez apenas vítimas ucranianas, mas também russas, cazaques e outros povos. Também a opinião académica continua dividida sobre se a grande fome de 1932-1933 constitui um "genocídio", sendo a principal dúvida saber se Estaline tinha a intenção de matar ucranianos para anular um movimento de independência contra a União Soviética, ou se a fome foi sobretudo o resultado da combinação da incompetência oficial com as condições naturais.

No 90.º aniversário, os primeiros-ministros da Polónia e da Lituânia, Mateusz Morawiecki e Ingrida Simonyte, viajaram hoje até Kiev e participaram nas cerimónias que assinalam a data acompanhados pelo primeiro-ministro da Ucrânia.

Mateusz Morawiecki culpou Moscovo de provocar, como há quase um século, uma "fome artificial" como resultado da invasão.

"Reunimo-nos na década de 1990, no aniversário do ‘Holodomor’, que foi criado artificialmente pelo regime comunista russo. Hoje, estamos prestes a assistir a outra fome artificial causada pela Rússia nos países da África e do sudeste Asiático", alertou.

Também o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, está de visita a Kiev, a primeira desde o início da invasão russa. "Cheguei a Kiev. Após os violentos bombardeamentos dos últimos dias, estamos com o povo ucraniano. Mais do que nunca", afirmou De Croo no Twitter.

Segundo a agência belga, o governante prevê disponibilizar um apoio financeiro adicional de 37,4 milhões de euros para a Ucrânia.

Com Lusa

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