O que se passa com a linha circular do Metro de Lisboa?

Alexandra Antunes
Alexandra Antunes

Os passageiros dos transportes públicos de Lisboa anunciaram que vão protestar na segunda-feira contra o “caos” gerado pelas obras da linha circular do Metro, que estão a ter um “forte impacto” na sua vida.

“Vamos concentrar-nos às 18:00, na segunda-feira, junto à estação do Campo Grande porque queremos ver este problema solucionado. Está a ter um impacto forte e negativo na vida das pessoas”, disse à agência Lusa Cecília Sales, da Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa.

O que está a acontecer no Metro?

Segundo a representante dos utentes, as obras a decorrer na estação do Campo Grande, no âmbito da futura linha circular, “obrigam ao transbordo dos passageiros que vêm de Odivelas, Loures e também da parte norte da cidade, Telheiras, Lumiar”.

“As obras estão a impedir a passagem por ali. Em vez de irem diretamente para o centro da cidade, como anteriormente, os passageiros são obrigados a fazer transbordo”, disse.

Referindo-se ao reforço dos autocarros da Carris feito para realizar esse transbordo e minimizar o impacto das obras, Cecília Sales afirmou que é “claramente insuficiente”, pelo que defende que tem de se “arranjar uma solução que não transtorne a vida das pessoas”.

De recordar que, a 3 de maio, a Câmara de Lisboa anunciou o reforço das carreiras 736, 738 e 767 da Carris “com o objetivo de contribuir para minimizar o impacto negativo das interrupções na circulação do metro”.

Há obras até quando?

No âmbito das obras para a criação da linha circular do Metropolitano de Lisboa, a circulação entre Telheiras e Campo Grande (linha Verde) e entre Campo Grande e Cidade Universitária (linha Amarela) está interrompida desde 2 de maio e até 7 de julho.

Quando surgiu a ideia da linha circular?

As obras para a criação da linha circular foram anunciadas a 8 de maio de 2017 pelo presidente do conselho de administração do ML, Vitor Domingues dos Santos, numa conferência de imprensa onde também esteve o então ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e o presidente da Câmara de Lisboa na altura, Fernando Medina.

A linha circular foi muito contestada por movimentos de utentes e partidos políticos, e recebeu até uma recomendação da Assembleia da República para que o projeto fosse abandonado.

Fala-se da circulação em laço. O que é isso?

O Governo admitiu esta semana que o funcionamento da futura linha circular do Metropolitano de Lisboa possa ser feito “em laço”, sem transbordo na estação do Campo Grande para os passageiros da linha Amarela.

O funcionamento da linha circular, tal como está definido, prevê que os passageiros que saiam das estações de Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar, Quinta das Conchas e Telheiras tenham de fazer transbordo no Campo Grande se quiserem ir para outras zonas de Lisboa.

Com a circulação “em laço”, esse transbordo deixa de ser necessário e o comboio que sai da futura linha Amarela segue viagem pela nova linha circular.

Num comunicado, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática disse que a circulação na linha circular pode passar pelo funcionamento “habitualmente designado pela expressão ‘em laço’ ou a combinação destes tipos de funcionamento”.

“A decisão sobre o modelo de operação, simples ou combinado, será definida a seu tempo pelo Metropolitano de Lisboa, suportada pelos estudos de procura e de operação que o fundamentarão”, acrescentou.

Devido a todas as dúvidas que vão surgindo, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma moção do PCP para que o Governo e o Metropolitano adotem “medidas urgentes” para minimizar os constrangimentos nos transportes públicos na cidade e esclareçam o futuro do projeto da linha circular.

Quanto custa a obra?

A expansão da linha Circular, prevista inaugurar em 2024, tem um investimento total previsto de 331,4 milhões de euros. No entanto, em dezembro de 2018, o custo da obra foi fixado em 210 milhões de euros, valor revisto em junho de 2021 para 240 ME.

O Governo justificou em dezembro a revisão do investimento para 331,4 milhões de euros com "várias vicissitudes" no decurso das obras que não podiam ser antecipadas, "como singularidades geológicas não detetadas nas sondagens efetuadas e desconformidades entre os levantamentos cadastrais e as prospeções que antecederam as obras", o que obrigou "a desocupações temporárias, expropriações e reforços de construções existentes".

*Com Lusa

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