O que é que a história do planeta Terra tem para nos contar?

É conhecido que a terra se formou há aproximadamente quatro mil e quinhentos milhões de anos. Primeiramente, de uma grande nuvem de gás e poeira, a gravidade começou a agregar as mais ínfimas partículas. Com o passar dos milénios, as partículas que estavam no centro estavam tão densamente compactadas que algo extraordinário ocorreu. Pela primeira vez, as forças gravitacionais alcançaram patamares tão elevados que a fusão nuclear ocorreu, gerando assim uma estrela. No nosso caso, essa estrela é o Sol.

O restante da poeira que ficou ao redor do sol, continuou a orbitar e aos poucos condensou-se. De facto, não existia poeira suficiente para que a fusão nuclear gerasse uma outra estrela, porém, existiam partículas suficientes para formar imensas estruturas esféricas de rocha e gás a que chamamos de planetas e luas.

Os planetas mais próximos do sol, também conhecidos como planetas rochosos, são Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, e foram resultado da aglomeração de partículas sólidas, como poeira e gelo. Os mais distantes, ou planetas gasosos são Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno e são o resultado da aglomeração de gases e de uma ínfima quantidade de sólidos.

Este mesmo processo ocorre em todo o universo. Aonde existem estrelas e planetas, esse processo aconteceu anteriormente. Mesmo sendo universal, carecemos de explicações para o porquê de possuirmos uma característica até agora única no cosmos: a Vida.

Diante da imensidão do universo, fica fácil entendermos o quão difícil é detectar qualquer resquício de vida em outros corpos planetários. Neste artigo, irei guiá-los na jornada mais desafiadora que a raça humana já empreendeu. A busca por vida em outros planetas.

Água, o componente chave

Antes de mais, cabe ressalvar que para encontrarmos vida em outros planetas ou luas precisamos identificar o requisito principal da vida aqui na Terra: a água. Possuímos oceanos de água líquida que ao longo de milhões de anos deram origem aos primeiros organismos, e depois às primeiras algas, produzindo assim o oxigénio do qual respiramos.

De facto, não existe vida sem água no planeta Terra. Portando, esse é o primeiro sinal que inúmeros satélites e telescópios espaciais procuram em possíveis planetas habitáveis.

Esse conceito de habitabilidade nada mais é do que o conjunto mínimo de características geoquímicas necessárias para suportar a forma de vida mais simples de que se tem conhecimento.

A outra característica fundamental é a composição atmosférica. Aqui, no planeta, possuímos uma mistura de nitrogénio, oxigénio, dióxido de carbono, metano, ozono e outros gases em quantidades diminutas. Assim como na Terra, esperamos que qualquer outro corpo planetário que venha a suportar vida apresente uma mistura de gases compatíveis. Portanto, o segundo grande fator determinante utilizado na busca por vida é essa assinatura química.

Atualmente, temos conhecimento de mais de 4000 planetas fora do nosso sistema solar, os chamados exoplanetas. Muitos desses estão na chamada zona habitável, região na qual a distância até à estrela principal permite a possível presença de água em estado líquido. Apesar de milhões de quilómetros de distância, podemos analisar a composição atmosférica desses corpos celestes através de diferentes técnicas de espectroscopia.

Tais técnicas permitem-nos inferir sobre a composição química, temperatura e até complexidade molecular a partir da luz refletida na superfície. Satélites como o Keppler e o TESS da NASA já descobriram uma estrondosa quantidade candidatos a exoplanetas, muitos dos quais ainda estão à espera para ser confirmados.

créditos: Imagem de skeeze por Pixabay

A grande jornada

Vivemos na aurora da exploração espacial. Na próxima década vamos lançar a missão Clipper para explorar os oceanos gelados da Europa e a sua superfície; o programa new frontiers, com o intuito de estudar mais profundamente os outros astros do sistema solar; e o programa dragonfly, que visa estudar a superfície de Titã, a maior lua de Saturno.

Em termos de espaço profundo, inúmeros outros satélites e telescópios estarão a fazer uma busca sem precedentes na história humana por exoplanetas e sistemas lunares compatíveis com a vida. Estamos a olhar para todos os lados, dos nossos planetas vizinhos e suas luas aos confins do espaço profundo. Nunca antes estivemos tão perto de descobrir um outro planeta Terra. A maior aventura da raça humana está apenas a começar.

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