Ao contrário da quimioterapia e da radioterapia, a medicina de precisão permite preservar as células sãs. Esta abordagem e, sobretudo, a imunoterapia, que potencializa o sistema imunológico para destruir as células tumorais, estão a revolucionar a oncologia. Os resultados preliminares de um teste clínico de fase 2, detalhados durante o maior colóquio mundial sobre cancro que se realizou neste fim de semana em Chicago, foram considerados "animadores". Dos 129 participantes do teste, 29 afetados por 12 tipos de cancro em estágio avançado, responderam positivamente a moléculas que não tinham sido aprovadas para o tratamento destes tumores pela agência americana de medicamentos, a FDA.

As respostas promissoras, vistas em quatro tipos de cancro, já levaram à ampliação do número de doentes que irão participar neste teste clínico, afirmaram os investigadores. "Estudos como este irão ajudar os pacientes a beneficiar em maior grau da medicina personalizada", explicou o médico John Hainsworth, do Sarah Cannon Research Institute de Nashville (Tennessee). O especialista destacou que os testes genómicos dos tumores - para determinar as suas características genéticas - estão a cada dia mais acessíveis. "Os nossos resultados sugerem, por exemplo, que uma terapia dirigida ao gene mutante HER2 - que favorece o crescimento das células cancerígenas - poderia ser aplicada não só para tratar o cancro de mama ou o cancro gástrico", em parte dos quais está sempre presente, destacou.

Os resultados mais promissores desta abordagem foram comprovados em pacientes portadores da mutação HER2. Sete em cada vinte deles sofriam de cancro colorretal, três em cada oito tinham tumor na bexiga e três em seis, de cancro nas vias biliares. Em todos eles, o tumor diminuiu pelo menos 30%. Com base nestes dados, os cientistas recrutaram um número maior de doentes para desenvolver o estudo, que deverá contar com 500 participantes.

Outro grupo de pacientes, que sofre de cancro de pulmão com mutações no gene BRAF, que regula as proteínas que atuam no processo de divisão e diferenciação celular, também foi ampliado, em função dos resultados positivos do teste. Uma análise com 346 testes clínicos experimentais (fase 1) sobre um total de 13.203 pacientes, apresentado igualmente na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), obteve resultados similares.

Nos 58 estudos do tipo, que recorreram à medicina de precisão, os tumores cancerígenos diminuíram em mais de 31% quando as moléculas empregadas no tratamento estavam dirigidas especificamente aos pontos fracos do tumor. Quando este não foi o caso, a diminuição do tumor foi de apenas 5,1%, disse Maria Schwaederle, do Centro de Terapia Anticancerígena Personalizada da Universidade da Califórnia. "Estudos deste tipo revelam o grande potencial da medicina de precisão para ajudar a identificar novos tratamentos, ao mesmo tempo em que destacam a necessidade de explorar testes baseados na genómica e um enfoque terapêutico desenvolvido a partir dos dados fornecidos pelos testes clínicos", disse Sumanta Kumar Pal, professor de cancerologia no centro de pesquisas City of Hope na Califórnia, que não participou das pesquisas. 

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