Portugal é atingindo de quando em quando por estas manifestações mais agressivas do clima – o exemplo mais recente são as cheias deste inverno, mas, nos últimos anos, tem-se registado um aumento de eventos meteorológicos severos, tornados ou ventos muito fortes.

O que provavelmente nem todos sabem é que em Portugal existem caçadores de tempestades. Sim, aqueles “tipos” que andam atrás de furacões e trovões, que nos habituamos a ver em programas de televisão made in USA.

E se nos Estados Unidos os fenómenos meteorológicos extremos ganham outra dimensão, equiparável à grandeza do próprio país, em Portugal, a “população ainda não está tão sensibilizada, uma vez que não temos tantos fenómenos”, diz o caçador de tempestades Bruno Gonçalves, um dos membros da Troposfera - Associação Portuguesa de Meteorologia Amadora.

Bruno é engenheiro do ambiente de profissão, mas tem como paixão e hobby aqueles momentos em que o clima mostra quem afinal tem mais força. É nestas alturas que os interessados em meteorologia extrema costumam sair à rua, munidos de câmaras fotográficas e sempre de olhos postos nas previsões. A Meteoalerta e a Extrematmosfera são dois projetos que têm divulgado tempestades “caçadas” em Portugal.

Uma caça aos tornados "pedagógica"

Algures no fim de 2013, um grupo de aficionados por estes momentos únicos, que guardam tanto de perigoso como de belo, resolveram unir esforços numa missão comum: ir caçar tornados aos Estados Unidos e, com isso, alertar para os fenómenos meteorológicos extremos em Portugal, através da realização de um documentário. Surgia, assim, a associação Troposfera.

“Tivemos a ideia de que seria interessante ir aos Estados Unidos, onde ocorrem os fenómenos mais severos, e conhecer aquela realidade”, explica Bruno Gonçalves. Mas para não ser “apenas uma viagem, decidimos dar uma dimensão mais pedagógica e elaborar um documentário”, com a colaboração de meteorologistas portugueses e norte-americanos, refere o caçador de tempestades.

Durante um ano, a Troposfera preparou a viagem, promoveu uma campanha de financiamento coletivo e procurou patrocinadores. Até que, em maio de 2015, uma equipa de cinco caçadores embarcava por três semanas no chamado corredor de tornados dos EUA. O Tornado Alley é o nome dado à região central do país onde estes fenómenos severos ocorrem com mais frequência. Texas, Oklahoma, Kansas, South Dakota, Iowa, Missouri, New Mexico, Colorado, North Dakota e Minnesota fazem parte desta rota.

“Logo no primeiro dia, reparamos que a atmosfera lá trabalha de outra forma, muito mais poderosa”, salienta Bruno, lembrando a rotina daqueles dias. Acordar muito cedo, ver as previsões, conduzir até mil quilómetros num dia, ter encontros com caçadores americanos. “Ver imagens que nunca vemos em Portugal”, recorda Bruno. Uma experiência de “aventura e aprendizagem”, resume.

Toda a viagem está a ser narrada no documentário “No caminho dos tornados”, que vai poder seguir aqui no SAPO24. O primeiro episódio está disponível neste artigo e centra-se numa contextualização do clima e dos eventos extremos em Portugal, bem como no início da viagem aos Estados Unidos. Nos próximos dias, os episódios II e III serão divulgados no SAPO24.

A equipa da Troposfera adianta que o documentário deverá ter seis ou sete episódios e que o objetivo, neste momento, é divulgar o trabalho junto do público.

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