São hortas verticais e inteligentes a brotar a vários metros debaixo de terra. Em prateleiras verticais crescem alfaces num espaço semelhante a uma nave espacial: em vidro, asséptico e que só pode ser acedido através de uma câmara de ar.

Segundo a agência UPI, a primeira “metro farm” de Seul foi inaugurada no passado dia 23 de setembro na estação de Sangdo, numa zona residencial no sul da cidade, e a segunda acabou de abrir na estação de Dapsimni, sendo que mais três estão em construção e estarão prontas até ao fim do ano.

Este projeto, fruto de uma parceria entre o Governo Metropolitano de Seul, comandado por Park Won-soon, e a empresa tecnológica de agricultura Farm 8, consiste em hortas que não precisam de agricultores, já que têm um sistema automatizado dentro dos seus recipientes. Ao todo, são quase 30 quilos de verduras produzidas por dia, sendo apenas necessária a intervenção humana na plantação e na colheita.

Este tipo de quinta não precisa nem de terra nem de luz solar, estando as culturas sujeitas a luzes LED especiais e assentando em travessas de crescimento hidropónico, havendo também um sistema automatizado que controla os níveis de humidade, temperatura, de dióxido de carbono e de intensidade de luz.

Segundo disse Kim Sung-un, gestor da Farm 8, este tipo de hortas demonstram o quanto a agricultura está a mudar em sociedades que se urbanizaram. “Como a Coreia do Sul está a envelhecer e a população rural está a diminuir, este é o futuro da agricultura", disse o gestor, até porque “estas quintas ocupam menos espaço e demoram menos tempo a fazer crescer vegetais”. O sistema hidropónico permite períodos de crescimento mais curtos, reduzindo de 50 para 38 o número de dias para uma alface estar pronta a colher.

Esta instalação conta também com uma horta totalmente automatizada em que um robô planta e colhe rebentos, havendo um Farm Café que vende saladas feitas a partir dos produtos criados na Metro Farm. Para além disso, esta horta ainda contribui para a qualidade de vida na estação de metro, já que absorve dióxido de carbono e o transforma em oxigénio.

Todo este sistema, futuramente espalhado por cinco estações, precisará de apenas três funcionários, sendo que estas vagas serão preenchidas por reformados ou trabalhadores com deficiência, comentando Kim que “a melhor parte da agricultura urbana é que pode melhorar a vida das pessoas socialmente excluídas”.

Esta foi apresentada como uma solução sustentável perante o modelo vigente que tende a ser exaustivo, a esgotar recursos e a sofrer quebras de produtividade com as alterações climáticas. Este tipo de iniciativas têm sido muito discutidas, com a agricultura urbana e vertical a entrar nas agendas políticas.

O principal entrave a ser colocado nestes modelos tem sido a sua viabilidade económica a grande escala, já que o custo de eletricidade para fornecer estas instalações é demasiado dispendioso. No entanto, como refere a UPI, a Coreia do Sul, por ter poucos terrenos disponíveis, estações de clima extremo e preços muito baixos de eletricidade a nível global, apresenta-se como um dos melhores candidatos do mundo a ter um mercado de agricultura urbana desta natureza.

Este tipo de medidas está a tornar-se cada vez mais popular dado o desafio que se avizinha. A Agência das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) publicou um relatório em 2013 onde calcula que a produção alimentar terá de ser aumentada em 70% para satisfazer as necessidades da população mundial em 2050, porque esta também continua a aumentar. Isto, tendo em conta que o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, que integra membros da ONU, publicou num relatório de agosto que os terrenos cultiváveis encontram-se em pressão extrema.

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