Nesta carta aberta, os grupos de comunicação social manifestam a sua preocupação perante a possibilidade das empresas tecnológicas Google, Yahoo!, Microsoft, Apple ou Facebook poderem vir a beneficiar dos metadados gerados pelos seus leitores 'online'.

A lei comunitária obriga a que os internautas deem o seu expresso consentimento para permitir o uso de 'cookies' [arquivos que armazenam as referências preferidas de navegação dos utilizadores].

No entanto, a nova proposta de regulamento sobre privacidade digital nas comunicações eletrónicas permite que os navegadores 'online' apenas deem uma permissão única e global no interface onde navegam.

"Apoiamos o objetivo da Comissão" na proposta de regulação 'ePrivacy', que tem "o potencial de limpar a economia digital e restaurar a confiança na forma como os seus dados são usados 'online'", lê-se na carta aberta, subscrita por grupos como a Impresa, The Guardian, Financial Times, La Repubblica, Le Monde ou El País, entre outros.

As empresas de media "dependem da confiança dos nossos leitores e nós apoiamos um sistema de regulação que restaure a confiança e limpe o ambiente digital", mas a comunicação social "também usa os dados gerados pelos leitores para melhorar os seus produtos e serviços, oferecendo jornalismo que seja relevante para eles e exibindo publicidade" que interesse os mesmos, prosseguem.

No entanto, o facto de os internautas acederem informação via terceiros - tal como a Google News, Apple News, Amazon Alexa, entre outros - está a mudar a forma como as notícias são consumidas na Europa, tornando, consequentemente, os "editores cada vez mais dependentes de um pequeno número de plataformas globais".

"Tendo em conta que 90% do uso [da Internet] na Europa está concentrado nas mãos de apenas quatro empresas: Google, Apple, Microsoft e Mozzila, este foco em obter a permissão através do 'browser' tem o potencial de exacerbar a assimetria do poder entre os editores individuais" e estes operadores digitais globais.

Isto significaria que as grandes empresas tecnológicas aumentariam a sua fatia de publicidade 'online', receita essa que é fonte financiamento do jornalismo.

Os editores consideram que a proposta da Comissão Europeia sobre ePrivacidade ('ePrivacy') irá tornar "mais difícil assegurar a transparência" e remover a "distinção entre editores que colocam alto valor na confiança dos seus utilizadores".

Defendem que as instituições europeias "devem trabalhar com a indústria" dos media "para garantir que a diretiva promove flexibilidade de implementação para encorajar uma relação direta entre cada internauta" e os grupos de comunicação de confiança que visitam e "não para miná-las".

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