As histórias que definiram a Next em 2021

O ano que agora chega ao fim trouxe vários desafios e muitas mudanças. E dizer que 2021 foi um ano agitado seria, a par do que aconteceu o ano passado, um mero eufemismo. A pandemia não desapareceu e o ciclo de notícias deste ano foi rápido, brutal e curto. Muito se passou, muito se escreveu, muito pode ter caído no esquecimento.

Num balanço é sempre melhor começar pelo início. No nosso contexto, o início passa por lembrar que para muitas empresas este ano significou não só o continuar a aprimorar aquilo que já se tinha começado a fazer no primeiro ano de pandemia, mas também o facto de paulatinamente se ter começado a deixar o fato de treino e as reuniões via Zoom (que viemos a descobrir que nos deixam mais cansados) para voltar a trabalhar de forma presencial.

Porque se fez ontem precisamente um ano em que foi administrada a primeira vacina em Portugal, em abril estávamos na terceira fase de desconfinamento na maior parte das regiões do país (que andava a várias velocidades). Por outras palavras, depois de três meses de um segundo confinamento, voltámos aos escritórios com muitas diferenças e muitos cuidados, abraçando, no fundo, todo um novo processo de reaprendizagem social entre patrões, colegas e colaboradores. No entanto, este regresso não acontece sem uma mudança praticamente adquirida: a de que o trabalho híbrido veio para ficar (e quem não se adaptar arrisca-se a perder dinheiro e talento).

Porém, isto não significa um regresso à base por igual e para todos — é que a pandemia trouxe novas oportunidades e permitiu dar azo a novas aventuras. Os nómadas digitais são prova disso e há vários países a criar condições para atrair estes "turistas-trabalhadores". Foi nesse âmbito que percebemos que Portugal não é exceção e fomos descobrir porque é somos vistos como "um país de excelência" para tal.

2021 também foi do Metaverso — que explorámos aqui e aqui — e da mudança de nome do Facebook para “Meta” numa altura em que houve fugas de informação, blackouts das suas plataformas e várias críticas (com honras de Congresso) à gigante tecnológica. Um ano, no mínimo, agitado para Zuckerberg.

(Não que esteja obviamente relacionado, mas foi também o ano do meme de Bernie Senders. Sim, o episódio com o senador de Vermont foi em 2021.)

Ainda no espetro das big tech, no planeta Apple, celebrou-se os dez anos da liderança de Tim Cook. Aproveitámos a ocasião para analisar o impacto de alguém que, apesar de não ser tão carismático e popular como Steve Jobs, levou a empresa a novos e surpreendentes patamares de sucesso (e que poderá ser o responsável por um negócio equivalente ao PIB português com a China).

O ano transato também marcou o regresso dos eventos presenciais (na verdade em modelo híbrido), sendo a Web Summit o marco a nível nacional e em contexto tecnológico. O TNBI seguiu a jornada a par e passo (pode recordar o episódio em vídeo aqui) e ler os alguns dos nossos artigos do que por lá discutiu:

  • “Facebook: Uma verdade (muito) inconveniente” (aqui)

  • “Frances Haugen: ‘Há um padrão de comportamento no Facebook de colocar o lucro à frente da nossa segurança’” (aqui)

  • “Moedas anuncia lançamento de ‘fábrica de unicórnios’ em Lisboa” (aqui)

  • "Quando as empresas não têm lucro, a sustentabilidade deixa de ser sustentável" (aqui)

  • “Porque é que é suposto falarmos menos com a Alexa?” (aqui)

  • “Inteligência Geral Artificial: O desenvolvimento tecnológico é imparável. E nós?” (aqui)

  • “App Economy. Quantas oportunidades de negócio cabem num único smartphone?” (aqui)

  • “Criptomoedas: um risco demasiado alto ou o investimento do futuro?” (aqui)

  • “Bitcoin: Um investimento pouco amigo do ambiente” (aqui)

Durante o ano também criámos uma rubrica com o intuito de rever algumas jogadas de marketing de sucesso que contribuíram para o crescimento de uma marca. Porque às vezes ter um plano empresarial bem estruturado é fundamental, mas um anúncio bem conseguido ou uma jogada brilhante pode ajudar bastante. Demos a conhecer quatro exemplos: o da Dropbox, Airbnb, Absolut Vodka e Tesla.

Outras temáticas. Iremos abordar os temas mais populares da Next nas próximas linhas com mais algum detalhe, mas ao longo do ano fomos escrutinando os mais variados tópicos. Ficámos a perceber que são precisos três anos para se começar a viver da criação de conteúdos nas redes sociais, que houve um boom de casamentos nos EUA depois da pandemia e que a Islândia estudou a possibilidade de passar a ter quatro dias de trabalho semanais.

Outras temáticas 2. Além de casamentos e redes sociais escrevemos ainda sobre a aposta da Volkswagen num serviço de subscrição de carros, de estarmos a entrar numa nova era para os óculos inteligentes, de como dois irmãos irlandeses sobredotados mudaram a Internet, de como com a ajuda dos "deepfakes" os atores de Hollywood podem falar todas as línguas e de como vai ser possível colocar o Darth Vader a beber uma Coca-Cola sem ser necessário recriar ou voltar a rodar novas imagens.

2021 foi um ano de altos (a SWORD Health e, mais recentemente, a Anchorage Digital juntaram-se ao grupo dos unicórnios com ADN português e dois excêntricos milionários começaram oficialmente a corrida pelo turismo espacial) e baixos (a invasão do capitólio a abrir o ano é uma tema difícil de esquecer assim como a saída dos EUA do Afeganistão), mas foi um continuar de 2020 no que ao buzz do mundo crypto diz respeito, sendo o tema mais discutido do que nunca — em fevereiro atingiu novos picos, muito por culpa da Dogecoin e de Elon Musk.

O que se espera de 2022? A julgar pela previsão da Protocol Source Code, mais metaverso (vai continuar a dominar a atenção de múltiplas plataformas) e mais interesse por tudo o que é NFT e crypto.

Algumas das histórias mais populares da Next que vale a pena recordar: 

  • Robinhood. Em agosto, uma semana depois de se estrear na bolsa americana e disparar com valores acima dos 100% face ao dia de arranque, era praticamente impossível não abordar a história de como a plataforma passou de bom da fita a vilão nos mercados financeiros. Até pode ter começado por causa da GameStop, mas precisava de umas poucas linhas para ser contada.

  • O Anchorage Digital Bank é o primeiro banco de criptomoedas aprovado a nível federal nos EUA e foi co-fundado pelo português Diogo Mónica. Se na parte final do ano a empresa foi notícia por ter captado um investimento de 350 milhões de dólares e com ele ganhar o estatuto de unicórnio (mais um com ADN português), no início de 2021 o seu presidente esteve à conversa com o The Next Big Idea e explicou como é que tudo começou.

  • NFT’s. Parece que, de uma maneira ou de outra e independentemente do tema, acabamos sempre por esbarrar na blockchain. É por isso que demos destaque à indústria que tem estado a ganhar cada vez mais popularidade: os NFTs ou Non-Fungible Tokens. O que é, o que são, quem ganha (ou pode ganhar) com isso. Para se inteirar sobre o futuro destes bem digitais e de como se investe num cromo de 200 mil dólares, é só recordar o nosso artigo.

  • Canal do Suez / Ever Given. Num ano em que tanto parece ter acontecido, a notícia de que o porta-contentores de enormes dimensões esteve encalhado no Egito durante seis dias parece ser de outro ano. Mas não foi. Foi em março e provocou uma tempestade em quase todas as indústrias. Abriu telejornais, fez manchetes um pouco por todo o mundo e gerou muitos artigos sobre a sua importância para a economia mundial. E, a surpresa, é não ter acontecido mais vezes. O aftermath da história aqui.

  • Wikipédia. Nos últimos 20 anos, a Google, Amazon, Apple, entre outros, utilizaram as funcionalidades da Wikipédia de forma gratuita para desenvolverem vários dos seus produtos. Em 2021, a Wikipédia quis mudar o paradigma com uma nova proposta comercial (“Show me the moneyyy!”). O que é expectável tendo em conta que, por exemplo, as assistentes virtuais Siri (Apple) e a Alexa (Amazon) são desenvolvidas com base nos dados presentes na Wikipedia para responderem às questões que milhões de utilizadores colocam no mundo inteiro.

  • Coinbase. Uma entrada triunfante. Ou não tivesse a empresa feito em abril a maior estreia na Bolsa americana desde o Facebook em 2012. Esta é a história de como Brian Armstrong (que a Internet diz ter semelhanças com o vilão de Super-Homem, Lex Luthor), já depois de sair da Airbnb (onde trabalhava) e com apoio de alguns investidores, fundou uma plataforma de trading 100% focada em criptomoedas (que hoje tem cerca de 56 milhões de utilizadores).

  • Victoria's Secret. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Para se manter relevante, a marca dos Anjos teve de largar as práticas que lhe trouxeram sucesso e adaptar-se a uma nova era no mundo da moda. Até porque a pandemia agravou uma situação financeira em declínio e obrigou a empresa a fazer uma escolha: seguir o que as mulheres querem e não aquilo que os homens desejam.
  • Didi. Conhecida como a “Uber chinesa”, derrotou a congénere americana no seu próprio jogo (na China). Recorde a história da empresa quando esta tentou entrar na bolsa americana, mas que viu o governo chinês "cortar-lhe" as asas.

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Um artigo do parceiro

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