Na semana passada, as vendas de música em vinil ultrapassaram pela primeira vez os downloads em plataformas digitais, noticia a BBC a partir de dados do mercado britânico. Segundo dados divulgados pela Entertainment Retailers Association (ERA), as vendas de discos de vinil ascenderam a 2,4 milhões de libras, enquanto os downloads somaram por 2,1 milhões de libras.

As compras de Natal podem ser, de acordo com esta associação de retalhistas, a explicação para esta alteração nos padrões de consumo, mas a verdade é que, na mesma semana no ano passado o clássico vinil não foi além de 1,2 milhões de libras em vendas contra 4,4 milhões de libras em downloads. Em unidades, os downloads continuam a superar as vendas em vinil (295 mil músicas versus 120 mil álbuns), mas o diferencial de preços faz com que o vinil lidere em valor.

Além do fator sazonal, que podem explicar o aumento das vendas de discos de vinil, o download de músicas está a ser afetado por uma mudança mais estrutural nas preferências dos consumidores: a opção pelos serviços de streaming tem vindo a ganhar cada vez mais terreno.

"Esta é mais uma evidência da capacidade dos fãs de música nos surpreenderem a todos", disse à BBC o responsável da ERA, Kim Bayley.

No topo das preferências dos melómanos que compram discos de vinil esteve na semana em análise o álbum de Kate Bush "Before The Dawn" ao preço de 52 libras. O mesmo álbum podem ser adquirido em download por 12 libras. Em unidades, os downloads continuam a superar as vendas em vinil (295 mil músicas versus 120 mil álbuns), mas o diferencial de preços faz com que o vinil lidere em valor.

Depois de quase extinto em 2007, o disco de vinil tem vindo a recuperar terreno: há oito anos que as vendas crescem sem parar, mesmo que em valores absolutos represente menos de 2% do mercado global de música. De acordo com um inquérito realizado pela BBC/ICM em abril deste ano, as pessoas que ouvem música em serviços de streaming têm maior propensão a comprar álbuns em vinil como prova de reconhecimento aos músicos da sua preferência. Para muitos, o vinil é um ícone da sua paixão pela música, mas do que um objeto utilitário que lhes permite ouvir os seus músicos e bandas favoritas. Isso explica que no mesmo inquérito 48% dos inquiridos tenham respondido que guardavam mas não ouviam a música comprada em vinil e 7% não tivessem sequer o também icónico gira-discos.

O mercado da música sofreu uma profunda mudança a partir do final dos anos 90, primeiro com plataformas como o Napster ou Kazaa. Nos anos seguintes, com a descida no preço de computadores e dos suportes de armazenamento digital, aumentaram os repositórios de música digital. O lançamento de lojas digitais de música, nomeadamente o iTunes em 2003, e de produtos como o iPod primeiro e o iPhone depois, provocaram novas ondas de choque e alteraram os padrões de consumo de música.

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