"O Estado põe 200 milhões de euros mas quem decide a sua aplicação são os investidores internacionais ou nacionais que escolhem as melhores empresas, os melhores projetos, a quem é necessário assegurar ‘venture capital' [capital de risco] para poderem arrancar e desenvolver a sua atividade", anunciou António Costa, na sessão de abertura da Venture Summit, no âmbito da Web Summit.

O chefe do executivo defendeu que este instrumento foi criado porque "muitas empresas em Portugal, sobretudo nos setores mais inovadores e mais disruptivos, da robótica à biotecnologia, têm encontrado dificuldades em encontrar financiadores que estejam capacitados e aptos a perceber os novos desafios e as novas oportunidades dos novos negócios".

"Muitas dessas empresas têm felizmente encontrado financiamento lá fora. Então, percebemos que a melhor forma de apoiar o financiamento era através do coinvestimento e lançámos este programa, ‘o programa 200 M, coinvest with the best' [investir com os melhores]", sustentou.

"Esse é o novo instrumento que criámos, porque julgamos que se pusermos o dinheiro acessível às pessoas certas para realizar os projetos certos, nós teremos condições para fazer os melhores investimentos", reforçou.

O primeiro-ministro disse que seguirá "com muita atenção" o debate desta manhã e todos os trabalhos da Web Summit, que hoje arranca em Lisboa: "Queremos fazer melhor, queremos fazer mais rápido, queremos ir mais longe e sabemos que temos muito a aprender convosco".

António Costa fez uma curta intervenção no início do evento, que decorre no Palácio de Xabregas, em que intervieram igualmente o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e o fundador da Web Summit, Paddy Crosgrave.

Aos jornalistas, o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, explicou que o programa prevê 50% de financiamento público e 50% privado, perfazendo, assim, 400 milhões de euros para investimento em empresas de base científica e tecnológica.

O programa recorre a fundos comunitários e comparticipação nacional, "instrumentos financeiros que estão previstos no programa 2020", disse.

"Isto é histórico, não compara com nada, mesmo em termos europeus. Vai tornar-nos um dos países mais avançados em termos de instrumentos", declarou, sublinhando que estará aliado ao programa Semente, que está no Orçamento do Estado, "de benefício fiscal para o jovem investidor, para quem investe até 100 mil euros numa empresa, que pode deduzir em sede de IRS esse investimento".

"Se a empresa correr bem, se a empresa crescer pode recorrer a este fundo. Este fundo está muito focado para capitais de risco que têm ‘know how' [conhecimento prático] de indústria, para investidores que não tragam só dinheiro, tragam ‘know how' de gestão, comercial, de desenvolvimento de produto", disse.

De acordo com João Vasconcelos, serão organismos públicos a "decidir quais as capitais de risco que têm direito a aceder a este programa".

"No entanto, vamos aceitar capitais de risco já certificados por organismos internacionais, como o Fundo Europeu de Investimento", afirmou.

A Web Summit é uma conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo que decorrerá até quinta-feira, onde são aguardados mais de 50.000 participantes, de mais de 165 países, incluindo mais de 20.000 empresas, 7.000 presidentes executivos e 700 investidores.

Entre os oradores, estarão os fundadores e presidentes executivos das maiores empresas de tecnologia, bem como importantes personalidades das áreas de desporto, moda e música.

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