Nesta obra, a autora de “A história de uma serva” revisita a “Odisseia”, de Homero, através de Penélope, a mulher de Ulisses que, morta e esquecida, vagueia pelos infernos e pode finalmente contar a sua própria versão: “Um relato subversivo e divertido sobre luxúria, ganância e violência, em que os mitos se desfazem e ninguém é poupado”, descreve a editora.

No original, Penélope sobrevive sozinha durante os anos da guerra de Tróia, tecendo o interminável sudário de seu sogro, Laerte, até ao regresso de Ulisses. Atwood constrói uma versão contemporânea do clássico grego, dá voz a Penélope e às suas doze criadas.

"Agora é a minha vez. Devo-o a mim mesma. Outrora, as pessoas ter-se-iam rido, mas, agora, quem se rala com a opinião pública? Com a opinião das gentes aqui em baixo, a opinião das sombras, dos ecos? Assim sendo, vou fiar o meu fio", diz Penélope, na odisseia da escritora canadiana.

Publicado originalmente em 2005 - com a primeira tradução portuguesa, há anos esgotada, a sair na Teorema, no ano seguinte - o romance “A Odisseia de Penélope” foi classificado como "fabuloso" e "inequivocamente irreverente", pelo jornal The New York Times, enquanto a britânica The Spectator considerou Penélope "pragmática, mordaz, doméstica, sombria, a perfeita heroína de Atwood".

Uma obra “tão potente quanto uma maldição”, escreveu o semanário The Sunday Times.

Nome recorrente entre os candidatos ao Nobel da Literatura, Margaret Atwood nasceu em Otava, em 1939, soma mais de 40 obras de ficção, poesia e ensaio.

Foi distinguida com prémios como o Booker, o de Excelência Literária do Sunday Times e o Prémio Literário da Cidade de Londres (Reino Unido), o Prémio Príncipe das Austúrias das Letras (Espanha), a Medalha de Honra de Literatura do National Arts Club (Estados Unidos) e com o título de oficial da Ordem das Artes e das Letras de França.

A obra de Atwood, segundo a Elsinore, encontra-se traduzida em 35 línguas.

A escritora vai estar no Porto, como convidada especial do Fórum do Futuro, a decorrer de 04 a 10 de novembro.

No âmbito desta iniciativa, está programado, para o dia 08, um encontro com Atwood, no grande auditório do Teatro Rivoli, em que a autora, numa sessão moderada por Gareth Evans, escritor e curador da Whitechapel Gallery, em Londres, "vai refletir sobre a importância da mitologia na sua obra e sobre os elementos mais marcantes dos seus livros, como a identidade, ordem social e linguagem".

A programação do Fórum do Futuro lembra como Atwood "resiste ao rótulo de 'feminista'", e prefere pensar nos seus livros "como obras de 'realismo social'", da mesma forma que recusa inscrevê-los "no género da 'ficção científica', definindo-os antes como ficções especulativas".

"Margaret Atwood é uma das grandes autoras do nosso tempo", escreve a Bertrand, que publicou alguns dos seus títulos, como "O assassino cego", vencedor do Booker Prize, "Chamavam-lhe Grace", adaptado este ano pela Netflix, à semelhança de "A história de uma serva", sucesso na programação da temporada passada, naquela plataforma.

Este romance foi originalmente editado em Portugal com o título "Crónica de uma serva", pelas Publicações Europa-América, que revelaram a escritora no país, na década de 1980.

"Olho de gato", "Semente de bruxa", "O coração é o último a morrer", "O ano do dilúvio", "Órix e Crex", "Desforra", "A senhora do oráculo", "Criminosa ou inocente", "A impostora", "Ressurgir" são outras obras da escritora, publicadas pela primeira vez em Portugal por chancelas como Europa-América, Bertrand, Livros do Brasil e Relógio d'Água.

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