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Ser bom em tudo, mestre em nada

Todos nós já tivemos dias ou alturas na vida em que tudo parece correr mal e em que damos por nós a pensar “Mas porque é que eu, quando era mais novo, queria tanto ser adulto? Isto é terrível. A minha vida parece uma série cujos criadores decidiram que nada ia correr bem”. Mas como todas as decisões da vida adulta parecem ser muito mais fáceis de tomar num episódio do que na realidade, os criadores Aziz Ansari e Alan Yang presentearam-nos com a série “Master of None”.

A personagem principal é Dev, interpretada pelo próprio Ansari, um ator de 30 anos cujo maior feito da carreira foi a participação num anúncio de iogurtes. Dev tem ascendência indiana e passa por vários altos e baixos, quer na sua carreira, quer na sua vida pessoal. Numa altura determinante na vida de um adulto, em que todos à sua volta parecem estar a encontrar a sua alma gémea e a investir na construção de uma família, Dev tem de se debater com o facto de estar solteiro em Nova Iorque e de enfrentar várias decisões que vão influenciar o seu futuro.

"Acho Que Vais Gostar Disto" é uma rubrica do SAPO24 em que sugerimos o que ver, ler e ouvir.

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Do seu lado, para o ajudar em tudo isto, a personagem principal vai ter um grupo muito diversificado de pessoas. Para além dos pais, com uma mentalidade diferente pela idade e pela cultura onde cresceram, tem ainda o amigo, Brian (Kelvin Yu), um filho de pais taiwaneses que também tenta vingar na grande cidade, Denise (Lena Waithe), uma negra lésbica, e Arnold, o “amigo branco simbólico”, segundo Dev. Todos eles são diferentes e vão ter representações distintas no enredo.

  • A origem do título: está na expressão “Jack of all trades, master of none”, que, numa tradução para português quer dizer “ser bom em tudo, mestre em nada”.
  • Onde ver: A série estreou em 2015 e as duas temporadas estão disponíveis na Netflix.
  • Uma terceira temporada?:  Em 2017, numa entrevista, Aziz Ansari disse que, antes de avançar para mais uma temporada, precisava de uma longa pausa. Uns tempos depois, a Netflix chegou-se à frente e admitiu o interesse em continuar com “Master of None”. Será que o dia em que a pausa de Aziz termina vai chegar?

 A Netflix sempre nos habituou a crimes bizarros…

… Mas aquele de que te vou falar hoje arrepia especialmente. “Homicídio nos EUA: Os Vizinhos do Lado” tinha tudo para ser só mais um documentário sobre a história trágica de uma família que sofreu por se cruzar no caminho de um criminoso sem escrúpulos. Numa receita que se baseia apenas em gravações, mensagens e notícias dadas sobre a tragédia, é deixada de lado a ficção dos eventos e tudo aquilo que vemos ao longo de quase uma hora e meia é demasiado real para que quem veja consiga ficar indiferente.

Para quem os conhece, Shannan e Christopher Watts são um casal feliz. Casados há vários anos, viviam no Colorado com as suas duas filhas e esperavam o terceiro rebento. O mundo de Chris desaba quando as suas três “mais-que-tudo” desaparecem sem deixar rasto. Será que fugiram? Foram raptadas? Terá sido algo que Shannan já tinha planeado há algum tempo ou uma decisão tomada de cabeça quente depois de uma discussão de casal?

O caso ocorreu em 2018. Os amigos da família ficaram chocados e a história espalhou-se por todo o país, mas várias coisas não batiam certo. Entre vídeos publicados por Shannan nas suas redes sociais, mensagens trocadas com amigos e a postura de Chris depois de perder a sua família, pouco a pouco vão sendo revelados detalhes cada vez mais importantes para desmascarar a história.

O desfecho acaba por ser o mais trágico e tudo se torna muito mais perturbador depois de percebermos que o verdadeiro culpado está mais perto do que aquilo que todos pensavam. O filme não espera pelo fim para nos mostrar, sob a forma de gravações de interrogatórios da Polícia, a confissão, que foi ficando cada vez mais macabra. Uma história que começa com Christopher a enviar mensagens à mulher, culpando-a pelo desaparecimento das filhas e pedindo-lhe que volte a casa, termina com uma descrição perturbadora de como este arruinou a própria família quase perfeita.

  • As estatísticas não mentem: “Nos Estados Unidos, três mulheres são assassinadas pelo companheiro ou pelo ex todos os dias. Progenitores que matam os filhos e cônjuge costumam ser homens. O crime é quase sempre premeditado.” É com estas palavras num ecrã escuro que o filme termina, como um murro no estômago para quem acha que estas histórias só acontecem na ficção.
  • Outras sugestões para amantes deste género: “Abducted in Plain Sight”, “Crime e perdão: A história de Cyntoia Brown” e “The Confession Killer”, todos disponíveis na Netflix.

 Sofá, manta e play (sem esquecer os lenços)

Com o regresso do outono, volta também aquele tempo que só nos dá vontade de passar os dias no sofá enrolados numa manta a ver os nossos filmes ou séries preferidos. Entre tantos conteúdos novos que estreiam diariamente nas plataformas conhecidas, há dias em que o mood pede só um daqueles filmes que conhecemos quase como a palma da nossa mão, mas do qual nunca nos cansamos. Por isso, achei por bem trazer de volta esta espécie de rubrica que já fiz em algumas edições sobre filmes de conforto.

Aquele que te trago hoje é “Little Miss Sunshine”, ou, em português, “Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos”, que está atualmente disponível na HBO Portugal. Trata-se de uma comédia dramática familiar que estreou em 2006 e é considerada por muitos uma das maiores surpresas cinematográficas, já que tanto Jonathan Dayton e Valerie Faris (mais tarde responsáveis pelo filme “Ruby Sparks”, que recomendo igualmente) eram realizadores com pouca experiência.

O enredo gira à volta da família Hoover e conta a história da sua aventura em conjunto quando Olive (Abigail Breslin), a mais nova da família, é classificada para o concurso de beleza que dá título ao filme, o “Little Miss Sunshine”. Olive não é o estereótipo estético de princesinha que ganha concursos de beleza, é mais gordinha do que a maior parte das miúdas da sua idade e usa óculos grandes e redondos. Mas nem isso faz com que deixe de sonhar com o seu discurso após ser coroada Miss América. Agora, a um pequeno passo mais perto desta realidade, cabe a toda a família Hoover acompanhar Olive numa viagem que dura três dias até à Califórnia, para que esta possa lutar por aquilo que sempre quis.

Mas esta não é uma família perfeita e harmoniosa. Pelo contrário, é caótica e instável, e cada membro está a debater-se com os seus próprios problemas, enquanto tenta arranjar a melhor solução para que todos possam conviver durante três dias dentro de uma Volkswagen Kombi, ou, como alguns dizem, uma carrinha “pão-de-forma”.

O pai de Olive, Richard (Greg Kinnear) é um speaker motivacional que vende livros de auto-ajuda para quem quer ser um vencedor, mas que, na verdade, não tem muito sucesso. A mãe, Sheryl (Toni Collette), é uma fumadora que nega o vício a toda a família. O irmão Dwayne (Paul Dano) é um jovem revoltado que faz um voto de silêncio. O avô paterno, Edwin (Alan Arkin), que é possivelmente quem mais apoia Olive, é viciado em drogas. E, para acabar este cocktail de problemas pessoais, o tio Frank (Steve Carell) também está sob a responsabilidade da família Hoover depois de uma tentativa de suicídio.

Uma mistura tão diversa tem tudo para correr mal e, quando o filme termina, somos dominados por um vazio provocado pela ideia de que aquilo pelo qual passamos toda a vida a lutar pode nunca ser nosso. E não se trata só de um concurso de beleza. Isso é só uma premissa do filme que pode perfeitamente ser aplicada a várias situações da vida adulta.

  • Fun fact: O filme teve um orçamento de oito milhões de dólares e foi gravado durante 30 dias no Arizona e no sul da Califórnia. A receita final de bilheteira foi superior a 100 milhões de dólares. Afinal nem só de grandes produções se fazem os melhores filmes.
  • Premiado e devidamente reconhecido: Recebeu a nomeação para quatro Óscares e venceu duas das categorias: Melhor Argumento Original e Melhor Ator Secundário, pelo papel de Alan Arkin. Na Rotten Tomatoes tem uma classificação de 91%, tanto por parte do público como dos críticos.
  • Um filme ou uma aula de filosofia? “Little Miss Sunshine” é os dois, na verdade. Neste artigo do site The Take vais poder perceber melhor como é que as diferentes personagens desta história são um espelho de diferentes formas de pensar, de ver e de estar na vida.
  • Que filme aquece o teu coração? Quero descobrir as tuas escolhas e, quem sabe, ver novas sugestões que eu ainda não conheça. Conta-me tudo respondendo à newsletter ou para o e-mail mariana.santos@madremedia.pt.
créditos: MadreMedia

Vamos ao que interessa… o passatempo Acho Que Vais Gostar Disto

Para celebrarmos a edição número 50 da nossa newsletter, lançámos um passatempo que vai decorrer durante todo o mês de outubro no qual te podes habilitar a GANHAR 1 ANO DE NETFLIX (com dois cartões de oferta de 50 euros)!

Para participares, basta ires a este link e fazeres três coisas:

  • Subscrever a newsletter (para muitos o primeiro passo está feito)
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  • Responder à pergunta "Se só pudesses ver uma série o resto da tua vida, qual seria e porquê?"

Quem sabe se, no próximo ano, até não és tu a fazer-nos as recomendações!

Nota: a Netflix não patrocina o passatempo, nem tem qualquer tipo de afiliação à newsletter.

Créditos Finais

  • Série VS Realidade: A série “Emily in Paris” tem dado que falar e desde que saiu, no início de outubro e permanece no top de mais vistos da Netflix. Contudo nem tudo são pontos positivos. O Buzzfeed foi falar com uma parisiense, que nos explica porque é que a série não é um bom espelho da vida em Paris. Para leres aqui.
  • A febre das séries documentais: Numa altura em que todos parecemos estar mais interessados em documentários de true crime e em que as plataformas de streaming fazem o favor de nos satisfazer esse capricho, a Vulture explica neste artigo quais foram os precedentes desta tendência e como se deu o upgrade neste género.
  • Ser igual ao nosso herói favorito: “Could You Survive The Movies?” é uma das séries YouTube Originals, produzida pelo canal Vsauce3, que nos mostra como seria na realidade se o comum mortal enfrentasse as ameaças que vemos em alguns dos filmes de ação mais conhecidos. E tu, sobrevivias a “Alien”? E a “Ghostbusters”? Descobre aqui.

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